Grandes Nomes da Literatura Espanhola Contemporânea
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Características
3. Algumas Novelas
Entre os romancistas deste período, destacam-se, pela consistência de suas carreiras e pelo reconhecimento da crítica, três autores:
- Eduardo Mendoza (Barcelona, 1943): Publicado em 1975, A Verdade Sobre o Caso Savolta pode ser considerado o ponto de partida da narrativa atual. Sem renunciar ao uso de técnicas experimentais, o autor oferece um argumento que capta a atenção do leitor. Em obras posteriores, Mendoza demonstrou excepcional capacidade de paródia: Sem Notícias de Gurb (1992), O Labirinto das Azeitonas (1998) e O Mistério da Cripta Assombrada (1995) subvertem, de forma hilariante e atualizada, os clichês de três gêneros consagrados: o romance de mistério ou suspense, o romance policial e a ficção científica. A Cidade dos Prodígios (1986) é a mais ambiciosa de suas obras, recriando a evolução histórica e social de Barcelona no período compreendido entre as exposições universais de 1888 e 1929, acompanhando a progressão social do protagonista.
- A obra de Javier Marías (Madrid, 1951) é uma das apostas mais originais das últimas décadas. Os romances e contos deste autor distinguem-se pela presença de temas obsessivos, como o mistério da identidade pessoal e a reflexão sobre o tempo. Seu estilo elaborado possui uma rara capacidade de envolver o leitor, transformando a realidade. Seus trabalhos incluem Todas as Almas (1989), Coração Tão Branco (1992) e Amanhã na Batalha Pensa em Mim (1994).
- Na narrativa de Antonio Muñoz Molina (Úbeda, 1956), combinam-se harmoniosamente o rigor na construção da história e a preocupação em desenvolver um argumento apelativo. Salienta-se também a qualidade de sua prosa, intensa e desenvolvida com grande ritmo e cuidado. Destacam-se entre suas obras: O Inverno em Lisboa (1987), um belo thriller; O Piloto Polonês (1991), uma memória autobiográfica que joga habilmente com os tempos da história; e Lua Cheia (1997), uma tentativa bem-sucedida de rejuvenescer o gênero policial. Sefarad (2001) foge do argumento tradicional, desenvolvendo a literatura através de personagens principais e situações históricas.