Grandes Obras da Arte: De Canova ao Modernismo de Picasso

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As Três Graças, de Antonio Canova

Comentário:

A escultura "As Três Graças" é obra do escultor italiano Antonio Canova. Apesar de não ter estudado a arte inicialmente por causa da família de baixa renda, Canova atingiu grande prestígio e reputação no mundo da arte após a sua passagem por Veneza. "As Três Graças" é uma das obras mais reconhecidas do artista italiano. Estas figuras encarnam e representam o nu feminino de uma maneira perfeita, que revela as habilidades artísticas de Canova. Além disso, a representação de As Três Graças vai mais longe porque o escultor reflete na composição o mundo mitológico das Graças. Na mitologia grega, as Graças eram deusas da beleza e da fertilidade. Há três que são as mais consideradas do mundo mitológico e cujos nomes são Aglaia, Eufrosina e Tália. De acordo com especialistas, as Graças também foram associadas ao submundo e aos Mistérios de Elêusis.

Análise:

Antonio Canova executou As Três Graças em mármore, o material que seria associado e identificado em toda a sua carreira como escultor. As Três Graças é uma escultura em mármore de perfeito acabamento e polimento. Canova utiliza esse material para encarnar o ideal de beleza das Graças em um estilo simples, mas muito elegante, seguindo o gosto artístico da época. As Três Graças são mostradas descansando em um dos pés e segurando-se entre si suavemente. A cor do mármore é requintada e faz a luz realçar a forma escultural, a leveza e a elegância característica de Canova. Ao longo destas linhas estão inscritas duas criações generalizadas: o retrato da irmã de Napoleão, Pauline Borghese como Vênus, esculpida em um sofá, e o conjunto de Teseu e o Minotauro.

O Juramento dos Horácios, de J.L. David

Análise:

O Juramento dos Horácios, de J.L. David, é uma obra equilibrada e simétrica, cujo eixo é o pai, que divide os personagens em dois grupos distribuídos uniformemente: à esquerda os Horácios e à direita as mulheres. É típico de composições da pintura neoclássica encontrar clareza; aqui podemos ver que as figuras foram ordenadas paralelamente ao plano da imagem, em correspondência com a arquitetura. Os valores são divididos em dois grupos: homens, à esquerda, simbolizando o ato heróico do juramento à morte; e mulheres, à direita, simbolizando o sentimento. A composição é ordenada, como nos relevos romanos. A pintura neoclássica é caracterizada por figuras claras, onde os contornos são precisos e há um predomínio do desenho. Este domínio torna as formas mais precisas. Estas são as mesmas formas usadas pelos homens da Renascença e do Mundo Clássico, formas em que figura e fundo não se mesclam. A luz é fria, natural, a serviço do desenho e da forma, destacando-os. Esta obra é influenciada por Caravaggio. A luz vem do lado esquerdo da tela e dá uma teatralidade ao trabalho, criando volumes nos corpos, pois se centra nos elementos mais essenciais. A cor é fria e racional. Apenas as vestes vermelhas dão uma sensação mais quente e emocional. As cores são puras, não se misturam. A criação do espaço é baseada na perspectiva clássica, colocando um ponto de fuga nas mãos do pai, para as espadas. Encontramos também outro ponto de fuga nas cabeças das mulheres. As expressões da maioria são tensas, pois os músculos estão contraídos, o que é enfatizado pelo ritual do juramento com as espadas. Isto contrasta com a atitude passiva do sofrimento das irmãs. Para acentuar essa tensão, coloca-se a figura de manto escuro com as crianças. Há um grande naturalismo visto no estudo da anatomia. A luz e seu impacto sobre os corpos dão uma sensação de volume. Isto naturalmente leva David a considerar as proporções.

As Fases de Francisco de Goya

Comentário:

Esta obra pertence à segunda fase de três em que se divide a obra de Goya:

  • Primeira fase (1760-1792): A pintura é feliz e jovial. Isto reflete-se nas pinturas que ele havia feito em cartões para as tapeçarias da Real Fábrica. Esta fase caracteriza-se por composições neoclássicas: dados agrupados por padrões geométricos. Tópicos populares são representados.
  • Segunda etapa (1792-1808): Esta fase marca a primeira crise de Goya. É a fase dos retratos e da série Los Caprichos, onde satiriza o erro humano comum a toda a sociedade: ganância, vaidade, etc. Esta sátira começa por abordar problemas gerais. Todos levam um título. Existem oitenta placas. Goya, neste momento, realiza os maiores retratos da aristocracia.
  • Terceira fase (1808-1828): Esta etapa marca a segunda crise de Goya e estende-se até sua morte. É a hora de viver as consequências da invasão napoleônica (Guerra da Independência). Goya passa a viver com amargura, produzindo a série de gravuras intitulada Os Desastres da Guerra. O protagonista é o povo, degradado pela guerra. Representa a crueldade, a fome, a injustiça e a irracionalidade. Também reflete o tema em duas pinturas de 1814: A Execução de 2 de Maio e 3 de Maio em Madrid. Dois anos mais tarde, desenvolve a série de gravuras sobre touros. Em 1820, pinta as famosas Pinturas Negras na Quinta del Sordo, com cenas de bruxaria, como o Sabá, o festival de San Isidro e Saturno devorando seus filhos.

Do ponto de vista histórico, Goya viveu de 1746 a 1828, correspondendo aos reinados de Carlos III e Carlos IV. Foram anos de tentativas de reformas iluministas. Goya viu o triunfo de Carlos III, mas sob Carlos IV houve um retrocesso devido ao confronto entre a minoria reformista e a maioria conservadora. Nesta atmosfera de conflito, situam-se Los Caprichos.

Os Fuzilamentos de 3 de Maio, de Goya

Análise:

A pintura é feita sobre tela utilizando a técnica de óleo. A composição é dividida em partes principais: a primeira, à esquerda, é composta por um grupo de civis em diferentes poses (um cobre o rosto, outros estão mortos, um reza, outro aparece com os braços abertos). A parte direita é formada por um grupo de seis soldados apontando suas armas. Ao fundo, vemos a montanha do Príncipe Pio, a arquitetura de Madrid e a noite negra que cobre o resto da composição. Goya usou nesta tela uma paleta principalmente escura, dominada pelo preto (cor da morte), com misturas de verde, ocre e marrom. Destaca-se o homem de camisa branca com os braços abertos, criando um grande contraste. A composição é um "crescendo" de cor, da camisa branca até as roupas pretas dos soldados.

Comentário:

Esta é uma pintura do aragonês Francisco Goya y Lucientes, intitulada O 3 de Maio de 1808 em Madrid ou Os Fuzilamentos da Montanha do Príncipe Pio. Foi pintada em 1814. Entrou no Museu do Prado no início do século XIX, mas só foi exposta em 1868. O evento ocorreu quando Napoleão invadiu a Espanha. Em 2 de maio de 1808, o povo de Madrid tentou evitar a saída do príncipe Francisco de Paula, resultando em revolta. A Guerra da Independência representou um conflito interno para Goya, entre sua ideologia liberal francesa e seu patriotismo. A tela oferece uma visão patriótica, pintada anos após os fatos. Goya atua como um cronista fotográfico, expressando sua oposição à violência e à irracionalidade humana. A execução é violenta, com pinceladas rápidas e espessas.

Análise da Torre Eiffel

Com 300 metros de altura, a Torre Eiffel ergue-se sobre quatro pés enormes, ligados por estruturas em arco que se assemelham aos vãos das pontes de ferro, especialidade de Gustave Eiffel. Nos arcos de ligação há uma ideia clara de decorativismo. A torre desenvolve-se com uma grande verticalidade que, a partir da primeira plataforma, resulta em um estreitamento piramidal acentuado. É uma estrutura aberta que destaca a função estética, transmitindo uma sensação de leveza que não corresponde ao seu peso real. A torre não tem função além de tornar visíveis os elementos de sua própria estrutura, tornando-se um símbolo de modernidade acima de ícones tradicionais como Notre Dame. É um monumento que celebra o sucesso do presente e do futuro. Os elementos construtivos são predominantes: estruturas de ferro interligadas e cálculos de expansão térmica.

Comentário:

A construção foi confiada a Gustave Eiffel para a Exposição Universal de 1889 em Paris, comemorando o centenário da Revolução Francesa. Pertence à arquitetura do ferro e novos materiais. A característica chave é a importância das soluções técnicas para novas construções (pontes, fábricas) baseadas em materiais inovadores da Revolução Industrial. A Escola de Chicago também representa essa consagração. O triunfo da arquitetura do ferro e do vidro veio com as Exposições Universais, como o Palácio de Cristal de Joseph Paxton (Londres, 1851). Para a exposição de 1889, dois edifícios foram essenciais: a Galeria das Máquinas e a Torre Eiffel.

Casa Milà (La Pedrera), de Antoni Gaudí

Análise:

Tipo de edifício: Arquitetura doméstica. Materiais: Pedra, tijolo, ferro, vidro e cerâmica. A escultura em pedra dá uma consistência quase geológica. A combinação de blocos de pedra com formas orgânicas e varandas de ferro cria um poder expressivo que alguns autores, como Oriol Bohigas, veem como um prenúncio do expressionismo. A distribuição do espaço é livre e imaginativa, organizada em torno de dois pátios internos irregulares. Gaudí rompeu com o conceito tradicional de simetria. O uso de estruturas de ferro permitiu substituir paredes estruturais, concentrando o peso em pontos específicos e permitindo linhas curvas que dão sensação de movimento. O projeto inicial incluía uma rampa de garagem para veículos, ideia abandonada pela falta de espaço.

Comentário:

Antoni Gaudí nasceu em Reus, em uma família de ferreiros. Estudou em Barcelona e sua obra divide-se em fases: 1) Ecletismo francês; 2) Fase moura ou oriental (Casa Vicens, Palau Güell); 3) Fase gótica (Palácio Episcopal de Astorga, Casa Botines); 4) Fase de maturidade ou modernismo pleno (Parque Güell, Casa Batlló e Casa Milà). Construída entre 1906-1910 no Passeig de Gràcia. O Modernismo na Catalunha foi um movimento que atingiu o pico no final do século XIX, espalhando-se pela Europa com nomes como Art Nouveau e Jugendstil.

Guernica, de Pablo Picasso

Análise:

A tela é pintada em preto e branco, com tons de cinza e azul. Picasso escolheu essas cores possivelmente por ter visto fotos do bombardeio da cidade basca de Guernica (1937) em jornais, ou para transmitir tristeza e indignação. A obra de grandes dimensões (349 x 776 cm) utiliza o cubismo para dar um tom agonizante. As figuras têm bocas abertas, olhos esbugalhados e corpos deformados. A composição consiste em oito figuras principais. Apesar de parecer confusa, a posição das formas foi muito estudada. A pintura é composta por uma pirâmide central coroada por uma lâmpada, com o cavalo moribundo e uma mulher saindo da janela. Nos lados, vemos uma mulher com braços levantados, o touro (símbolo da Espanha), uma mãe com seu filho morto e um pássaro.

Comentário:

Picasso baseou-se em desenhos de Sonho e Mentira de Franco. Guernica pertence à fase madura de Picasso e é uma das obras mais importantes do século XX. Foi pintada para o pavilhão espanhol na Exposição Universal de Paris de 1937. Símbolos: o touro simboliza o povo espanhol ou a brutalidade; o cavalo simboliza a feminilidade ou a vítima inocente; o pássaro representa o desejo de paz. A obra foi um grito contra a política de Franco e, devido ao regime, só pôde retornar à Espanha décadas depois.

Sonho Causado pelo Voo de uma Abelha..., de Salvador Dalí

Análise:

Gala, musa de Salvador Dalí, dorme sobre uma rocha em um mar calmo. Sob seu corpo nu flutuam gotas de água e uma romã. O zumbido de uma abelha provoca um sonho que se materializa em uma explosão de outra romã, de onde sai um peixe que lança dois tigres furiosos e uma baioneta. Esta arma acordará Gala um segundo depois. Pintada em 1944 nos EUA, a obra retoma o "método paranoico-crítico" de Dalí, baseado nas teorias de Freud. Dalí chamava estas pinturas de "fotografias de sonhos pintadas à mão". A romã simboliza fertilidade e ressurreição; a abelha simboliza a Virgem. Acima, um elefante de pernas longas carrega um obelisco, inspirado em Bernini, simbolizando o poder papal.

Les Demoiselles d'Avignon, de Pablo Picasso

Análise:

A imagem é dividida em três zonas verticais. A parte central é a mais clássica, com referências aos nus tradicionais e às "majas" de Goya. Nestas figuras, Picasso introduz o princípio cubista de múltiplos pontos de vista. Como os egípcios, ele combina perfis com visões frontais. As cores centrais são mais suaves (branco e azul). No entanto, as linhas quebradas levam o olhar para fora dos limites da tela. Se olharmos para a imagem, devemos retornar a ela repetidamente, pois o trabalho nos transporta além de suas bordas.

Comentário:

Pablo Picasso, o artista mais influente do século XX, nasceu em Málaga em 1881. Passou por Barcelona e mudou-se para Paris em 1904, atravessando os períodos azul e rosa. Em 1907, com Les Demoiselles d'Avignon, iniciou o Cubismo com Braque. Picasso manteve contato com todos os movimentos, incluindo o Surrealismo, mas retornava ao classicismo periodicamente. Embora vivesse na França, seus temas (como a série sobre Las Meninas de Velázquez) o colocam na tradição espanhola. Picasso produziu incansavelmente até sua morte em Mougins, em 1973.

A Linha Verde (La Raie Verte), de Henri Matisse

Análise:

O trabalho mostra um retrato da esposa de Matisse, uma composição colorida que define o momento fauvista do autor. A mulher oferece um olhar de calma e tensão simultâneas. O mais importante é o conjunto de linhas e cores: linhas fortes que limitam o rosto e cores aplicadas com aparente falta de ordem naturalista. Destaca-se a famosa faixa verde que divide o rosto para separar o lado iluminado do sombrio (usando laranja e rosa). A obra causou horror no Salon d'Automne de 1905 pela sua gama brilhante e provocante.

Comentário:

A formação de Matisse foi lenta. Até 1899 focou no Impressionismo, mas depois foi influenciado por Cézanne. Em 1905, o Fauvismo explodiu em Collioure. Suas obras foram criticadas como "teoria do esquema". Matisse descobriu que a interação de manchas de cor dava coerência ao trabalho. Em 1906, viajou para a Argélia, e mais tarde para o Marrocos (1911-1913), o que mudou completamente sua percepção de luz e cor, como visto em suas obras posteriores de Tânger.

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