A Nova Ordem Económica e a Guerra Fria

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As Novas Regras da Economia Internacional

O Ideal de Cooperação Económica

Em julho de 1944, um grupo de economistas de 44 países reuniu-se nos Estados Unidos com o fim de prever e estruturar a situação monetária e financeira do período de paz. Certos de que o nacionalismo económico dos anos 30 prejudicava gravemente o crescimento económico e a paz, os Estados Unidos prepararam-se para liderar uma nova ordem económica, baseada na cooperação internacional. Assim, procedeu-se à criação de um novo sistema monetário internacional que garantisse a estabilidade das moedas, indispensável ao incremento das trocas. O sistema assentou no dólar como moeda-chave. Na mesma conferência, e para operacionalizar o sistema, criaram-se dois importantes organismos:

  • Fundo Monetário Internacional (FMI): ao qual recorriam os bancos centrais dos países em dificuldade.
  • Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Banco Mundial): financiava projetos de fomento económico a longo prazo.
  • GATT: Só em 1947, na Conferência Internacional de Genebra, é que se assinou um Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), em que 23 países signatários se comprometeram a negociar a redução dos direitos alfandegários e outras restrições comerciais. Esta ideia de espaço económico alargado frutificou, dando origem ao BENELUX, união aduaneira entre a Bélgica, os Países Baixos e o Luxemburgo, que mais tarde se tornou o embrião da Comunidade Económica Europeia.

O Tempo da Guerra Fria: A Consolidação de um Mundo Bipolar

Em 1946, depois de Churchill afirmar que uma "cortina de ferro" dividia a Europa, o processo de sovietização dos países de Leste já era irreversível. Os países comunistas ganhavam força e tomavam o poder sob a tutela diplomática da URSS. Um ano após o alerta de Churchill, os Estados Unidos assumiram a liderança da oposição aos avanços do socialismo. Truman expôs a sua visão de um mundo dividido em dois sistemas, em que aos americanos competia liderar o "mundo livre" e auxiliá-lo na contenção do comunismo — a célebre Doutrina Truman.

A Doutrina Truman deixava também clara a necessidade de ajudar a Europa a reerguer-se economicamente. As perdas humanas e materiais tinham sido elevadas, e a ajuda dos EUA até então só tinha acudido às necessidades mais prementes.

É neste contexto que George Marshall, em 1947, anuncia um plano de ajuda económica à Europa, o Plano Marshall, que reforçou os laços que uniam estes países aos EUA. Este plano foi oferecido a toda a Europa, incluindo os países que se encontravam já sob influência soviética, mas esta ténue tentativa de aproximação não teve êxito. Moscovo classificou a ajuda americana como uma manobra imperialista e impediu os países sob sua influência de a aceitarem.

Em janeiro de 1949, Moscovo lançou o Plano Molotov, que estabeleceu as estruturas de cooperação económica da Europa Oriental. Foi no âmbito deste plano que se criou o COMECON (Conselho de Assistência Económica Mútua), instituição destinada a promover o desenvolvimento integrado dos países comunistas sob proteção da União Soviética.

Os países abrangidos pelo Plano Marshall e os países do COMECON funcionaram como áreas transnacionais, coesas e distintas uma da outra. A divisão do mundo em dois blocos antagónicos consolidou-se, tal como a liderança das duas superpotências.

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