A Origem e o Desenvolvimento da Filosofia Grega

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Filosofia como criação do gênio helênico

A filosofia é o ingrediente que faltava em outras civilizações do Oriente — como a caldeia, a mesopotâmica e a egípcia. Embora tenham alcançado altos níveis de desenvolvimento em crenças religiosas, técnicas, conhecimentos científicos e organizações políticas, a ausência de uma abordagem filosófica marcou essas culturas. A filosofia é, portanto, uma contribuição original e fundamental da cultura ocidental.

A impossibilidade de uma origem oriental da filosofia

A tese de que a filosofia é uma criação ex novo do pensamento ocidental sustenta-se em três pilares:

  • Ausência de registros: No período clássico, nenhum filósofo ou historiador grego mencionou uma suposta origem oriental da filosofia.
  • Natureza do saber oriental: Os povos com quem os gregos entraram em contato possuíam sabedoria religiosa, teológica e mitológica, mas não uma ciência baseada puramente na razão (logos).
  • Inexistência de traduções: Não há evidências de que os gregos tenham utilizado escritos ou traduções de textos orientais para fundamentar seu pensamento.

Os poemas de Homero e os poetas sentenciosos

Antes do nascimento da filosofia, a educação grega (paideia) era moldada pelos poemas de Homero e Hesíodo. A imaginação homérica, ao buscar a harmonia e o limite, antecipou conceitos que a filosofia elevaria ao nível de princípios ontológicos. Hesíodo, em sua Teogonia, transformou a fantasia em cosmogonia, enquanto em Os Trabalhos e os Dias, estabeleceu a justiça (dike) como valor supremo.

A religião pública e os mistérios órficos

A religião grega dividia-se entre a pública (antropomórfica e naturalista) e os mistérios órficos. O orfismo introduziu a ideia de que o homem possui um princípio divino (alma) aprisionado no corpo, sujeito a um ciclo de reencarnações que pode ser rompido através de rituais de purificação. A ausência de livros sagrados e de uma dogmática fixa na Grécia foi um fator decisivo para a liberdade da investigação filosófica.

Condições sócio-políticas para o surgimento da filosofia

  1. Desenvolvimento comercial: O contato com culturas diversas através do comércio mediterrâneo forçou a superação de particularismos em favor de atributos universais, como o intelecto e a razão.
  2. Novas classes sociais: A ascensão da classe mercantil e artesanal substituiu a velha aristocracia guerreira, exigindo leis racionais em vez de tradições míticas.
  3. Novas formas políticas: O surgimento da polis e a substituição do poder totalitário pela autoridade racional trouxeram conceitos como isonomia (igualdade perante a lei) e isegoria (igualdade no direito à palavra).

Características e problemas da filosofia antiga

O termo "filosofia", atribuído a Pitágoras, define-se como o "amor à sabedoria". Suas características principais são:

  • Conteúdo: A busca pelo princípio primeiro (arche) de toda a realidade.
  • Método: A explicação puramente racional (logos) para revelar a verdade (aletheia).
  • Finalidade: O desejo desinteresse pelo conhecimento, visando apenas a contemplação da verdade.

Historicamente, a filosofia evoluiu do problema cosmológico (a natureza como physis) para o antropológico (ética e política) com os sofistas, Platão e Aristóteles. No período helenístico, o foco deslocou-se para a salvação individual e a busca pela felicidade, culminando no neoplatonismo antes do fechamento das escolas pagãs em 529 d.C.

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