Origem e Evolução da Vida: Teorias e Evidências

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Origem e Diversidade da Vida: Criacionismo e Fixismo

A visão criacionista afirma que os seres vivos foram criados no início do mundo por um ser sobrenatural ou força divina. A teoria da fixidez (ou fixismo) defende que cada uma das variedades de seres vivos teria permanecido inalterada nos seus descendentes, ou seja, mantêm-se inalteradas desde a criação até o presente.

No entanto, essas teorias carecem de credibilidade científica, pois foram encontrados restos fósseis que revelam mudanças nos organismos ao longo dos anos, apoiando a ideia da evolução dos seres vivos.

Aristóteles defendia ideias criacionistas e concebeu um sistema de classificação dos animais:

  • Com sangue vermelho (vertebrados):
    1. Quadrúpedes vivíparos (mamíferos, exceto o ornitorrinco, que é ovíparo)
    2. Quadrúpedes ovíparos (répteis) e anfíbios ovulíparos
    3. Aves
    4. Peixes (incluindo mamíferos marinhos como as baleias)
  • Sem sangue vermelho (invertebrados):
    1. Cefalópodes (pés na cabeça): polvo, lula
    2. Animais sem concha: caracóis, moluscos, ostras
    3. Insetos
    4. Planta-animal: anêmonas-do-mar

Quem foi Lineu e o que ele inventou?

Lineu foi um biólogo sueco que aceitava a criação divina dos seres vivos e inventou um sistema de nomenclatura para as espécies e classes de organismos.

Para classificar os organismos, ele começou com uma descrição muito precisa das espécies. Depois, agrupou espécies de morfologia semelhante em gêneros, estes em famílias, que por sua vez se reuniam em ordens de acordo com sua similaridade. Por fim, agrupou as ordens em classes, levando em conta características semelhantes. Desta forma, criou um sistema de classificação muito mais preciso em relação ao que existia até então.

Embora defendesse ideias fixistas sobre o mundo vivo, seu sistema de classificação encorajou o desenvolvimento da teoria evolucionista. O reconhecimento das semelhanças entre os diferentes grupos permitiu supor que alguns poderiam ser relacionados a outros e que um grupo poderia dar origem a outro.

Exemplo de Classificação Taxonômica:

CategoriaExemplo VegetalExemplo Animal
ReinoPlantaeAnimalia
FiloTraqueófitasVertebrados
ClasseAngiospermasMamíferos
OrdemRosalesCarnívoros
FamíliaRosaceaeCanídeos
GêneroRosaCanis
EspécieRosa gallica (Gaulesa)Canis familiaris
Nome VulgarRosaCão

Teorias da Evolução

Herança de Características Adquiridas (Lamarckismo)

Lamarck foi um biólogo francês que enunciou a teoria da herança de características adquiridas. De acordo com esta explicação, os seres vivos podem alterar o seu corpo através do uso ou desuso de partes. Essas mudanças, herdadas pelos descendentes, seriam devidas a um desejo interno para atingir a perfeição. O exemplo mais conhecido que melhor explica a sua posição é a descrição sobre a origem do longo pescoço da girafa.

Segundo essa visão, as girafas tinham pescoços curtos e, ao tentarem alcançar as folhas dos galhos mais altos das árvores, esticavam o pescoço, de modo que ele foi se tornando mais comprido. Seus descendentes nasciam com pescoços mais longos, que se esticavam ainda mais, transmitindo essa característica para as próximas gerações. O comprimento do pescoço da girafa moderna seria o resultado deste processo.

Um exemplo prático que refuta esta teoria é a descendência de algumas raças de cães às quais se corta a cauda. Os filhotes continuam nascendo com cauda, razão pela qual elas precisam ser cortadas novamente a cada geração.

Teoria da Origem das Espécies através da Seleção Natural (Darwinismo)

Darwin propôs a teoria da origem das espécies pela seleção natural. De acordo com essa explicação, os organismos que possuem alguma vantagem morfológica ou funcional são aqueles com maior probabilidade de sobreviver e se reproduzir. Ele argumentou que a Terra é muito antiga, que há muitas semelhanças entre as espécies e que elas descendem de outros organismos já extintos. Para demonstrar essas ideias, realizou uma viagem histórica ao redor do mundo que durou cinco anos.

A Visão de Malthus

Malthus, um economista, em seu trabalho de 1798 intitulado "Ensaio sobre o Princípio da População", propôs que, com base nos dados da época, a população humana continuaria crescendo até que os alimentos fossem insuficientes, levando à fome e à extinção.

Darwin, ao analisar essa ideia, percebeu que, como os recursos são limitados, parte da população jovem morreria antes de se reproduzir, enquanto outros sobreviveriam, garantindo a continuidade e a evolução da espécie.

Conclusões sobre a Mudança Evolutiva por Seleção Natural

Primeira conclusão – "Luta pela Existência": Deve haver competição pela sobrevivência e reprodução. Em cada geração, muitos indivíduos morrem jovens, sem deixar descendentes ou produzindo poucos descendentes.

Segunda conclusão – "A Sobrevivência dos Mais Aptos": Os indivíduos melhor adaptados às condições do ambiente em que habitam deixam mais descendentes.

Terceira conclusão – "Seleção Natural": O processo pelo qual o ambiente seleciona os indivíduos cujas características melhor se adaptam a um meio particular é chamado de seleção natural.

Em suma, os indivíduos que possuem uma característica favorável para o ambiente em que vivem têm melhores condições de competir do que os que não a possuem. Seus descendentes herdam essa característica e, ao longo das gerações, há um aumento no número de indivíduos que a possuem. Esses indivíduos serão "selecionados".

Evidências Recentes da Evolução

Antes da Revolução Industrial, nas florestas nos arredores de Londres (Inglaterra), os troncos das árvores estavam cobertos de liquens claros, o que lhes dava uma coloração esbranquiçada. Naquela época, existiam mariposas brancas e pretas que se empoleiravam nas árvores. As mariposas brancas passavam despercebidas pelos predadores (pássaros), enquanto as pretas eram facilmente vistas e predadas, mantendo sua população reduzida.

Com a Revolução Industrial, os liquens morreram devido à fuligem gerada pela queima de grandes quantidades de carvão, o que escureceu os troncos das árvores. Assim, as mariposas brancas começaram a ser facilmente visualizadas e predadas, diminuindo sua população, enquanto a população de mariposas pretas aumentou por estar mais camuflada.

A seleção natural inicialmente favorecia as mariposas brancas por sua camuflagem, mas, com a Revolução Industrial, essa vantagem passou para as mariposas pretas, que foram então selecionadas positivamente.

Evidências Gerais da Evolução

  • O registro fóssil
  • A anatomia e a fisiologia comparadas
  • A embriologia comparada
  • A distribuição geográfica
  • A seleção artificial
  • As provas bioquímicas e de caráter genético

Os fósseis são restos de organismos que viveram no passado ou evidências diretas de sua presença (como pegadas ou marcas) preservadas de diversas formas.

A fossilização é o processo pelo qual um organismo se torna um fóssil. Isso envolve uma série de mudanças na estrutura química dos restos orgânicos, que são substituídos por minerais como calcita, sílica, pirita, etc. Esse mecanismo de mineralização ou petrificação confere resistência ao material, permitindo sua conservação ao longo do tempo geológico.

A Evolução do Cavalo

No início, os ancestrais dos cavalos eram muito menores do que os atuais, viviam em áreas florestais e alimentavam-se de vegetação macia. Seus membros possuíam vários dedos e seus dentes eram menores. Gradualmente, os cavalos adaptaram-se a ambientes abertos, reduzindo o número de dedos até possuírem apenas um casco, o que lhes permitia correr mais rápido. Seus dentes também se modificaram, aumentando de tamanho e na quantidade de esmalte, o que possibilitou a mastigação de pastagens mais duras. Devido a essas mudanças adaptativas, seu corpo aumentou de tamanho. Isso implicou uma mudança em sua dieta: deixaram de consumir folhas macias e brotos para se alimentar de gramíneas mais duras e abrasivas, ricas em sílica.

Anatomia Comparada

Estruturas homólogas: são aquelas que possuem a mesma origem embrionária e evolutiva, embora possam desempenhar funções diferentes. Exemplos: os braços humanos e as asas das aves, as nadadeiras das baleias e as patas dianteiras dos cães.

Estruturas análogas (ou semelhantes): são o oposto das estruturas homólogas. Possuem origem embrionária e evolutiva diferente, mas desempenham a mesma função. Exemplos: as asas das aves e as asas dos insetos, as pernas traseiras das rãs e dos cangurus.

Estruturas vestigiais: são órgãos ou estruturas residuais que perderam sua função original ao longo da evolução, encontrando-se atrofiados. Exemplos: o apêndice cecal humano e os músculos que movem as orelhas.

Embriologia Comparada

Darwin observou que as semelhanças entre os embriões de diferentes seres vivos indicavam que eles compartilhavam um ancestral comum. Quanto mais semelhantes são os embriões em seus estágios iniciais de desenvolvimento, maior é o grau de parentesco evolutivo entre as espécies. Por exemplo, há grande semelhança no desenvolvimento embrionário de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

Seleção Artificial

O ser humano seleciona indivíduos com características desejáveis para que estas sejam transmitidas aos descendentes. Caso surjam características indesejadas, o criador ou agricultor realiza uma nova seleção de acordo com suas preferências. Esse processo é amplamente realizado no melhoramento de plantas e animais.

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