Panorama da Arte: do Românico ao Impressionismo

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Arte Medieval

Estilo românico

Este estilo prevaleceu na Europa no período da Alta Idade Média. Na arquitetura, principalmente de mosteiros e basílicas, predominou o uso de arcos de volta perfeita e abóbadas (influências da arte romana). Os castelos seguiram um estilo voltado para o aspecto de defesa: paredes grossas e poucas janelas pequenas. Tanto as igrejas como os castelos transmitiam a ideia de construções "pesadas", voltadas para a defesa. As igrejas deveriam ser fortes e resistentes para barrar a entrada das "forças do mal", enquanto os castelos protegiam as pessoas dos ataques inimigos durante as guerras.

Escultura e pintura românicas

Com relação às esculturas e pinturas, destaca-se o caráter didático-religioso. Numa época em que poucos sabiam ler, a Igreja utilizou esculturas, vitrais e pinturas, principalmente dentro das igrejas e catedrais, para ensinar os princípios da religião católica. Os temas mais abordados foram a vida de Jesus e dos santos, passagens da Bíblia e outros temas cristãos.

Estilo gótico

O estilo gótico predominou na Europa no período da Baixa Idade Média (final do século XII ao XV). As construções (igrejas, mosteiros, castelos e catedrais) seguiram, em geral, algumas características em comum. O formato horizontal foi substituído pelo vertical, opção que aproximava a construção do céu. Os detalhes e elementos decorativos também foram muito usados. As paredes tornaram-se mais finas e de aspecto leve, e as janelas proliferaram. As torres assumiam forma piramidal. Os arcos de volta quebrada e as ogivas foram amplamente utilizados.

No tocante às esculturas góticas, o realismo prevaleceu. Os escultores buscavam conferir um aspecto real e humano às figuras retratadas (anjos, santos e personagens bíblicos).

Pintura gótica

Na pintura destacam-se as iluminuras, os vitrais, painéis e afrescos. Embora a temática religiosa ainda prevalecesse, observa-se, no século XV, algumas características do Renascimento: busca do realismo, expressões emotivas e diversidade de cores.

Formas artísticas (medievais)

Ícones

Eram pequenos painéis de madeira com imagens pintadas, muitas vezes melancólicas, representando mártires torturados, supostamente com poderes sobrenaturais. Acreditava-se que os ícones tinham propriedades milagrosas. Fiéis mais ardorosos os carregavam para a guerra; outros desgastavam a pintura de tanto beijá-los. O culto dos ícones tornou-se tão forte que foram proibidos entre 726 e 843 por desobediência ao mandamento contra a idolatria.

Técnicas utilizadas: Imagens de santos e seres sagrados são rígidas, em pose frontal, geralmente com halo e olhar fixo.

Mosaicos

Surgiram durante os séculos V e VI em Bizâncio e em sua capital italiana Ravena. Eram utilizados na propagação do novo credo oficial — o Cristianismo. O tema era, portanto, religioso em geral, mostrando Cristo como mestre e senhor todo-poderoso.

Técnicas utilizadas: as figuras são chapadas, rígidas, simetricamente colocadas, parecendo estar penduradas. Os artesãos não tinham interesse em sugerir perspectiva ou volume. Figuras humanas altas, esguias, com faces amendoadas, olhos enormes e expressão solene olhavam diretamente para a frente, sem esboço de movimento.

Vitrais

Os vitrais estão para as catedrais góticas assim como os mosaicos estão para as basílicas bizantinas. Enquanto os mosaicos criam um ambiente austero e solene, os vitrais, feitos de vidro colorido, ao deixar passar a luz do sol criam um interior sereno e cheio de cores. Sua produção envolvia várias etapas.

Outras formas artísticas

Podemos ainda apontar os manuscritos iluminados ou iluminuras (documentos sagrados decorados, com capas de ouro cravejadas com pedras preciosas e semipreciosas) e as tapeçarias de lã ou seda, que decoravam paredes de castelos e igrejas com o objetivo de cortar correntes de ar e aquecer.

Maneirismo

Características

Entre a Alta Renascença e o Barroco, desde a morte de Rafael, em 1520, até cerca de 1600, a arte viveu um impasse. Michelangelo e Rafael eram considerados divinos, pois com eles a arte atingiu o auge da harmonia e da perfeição. A resposta a esse impasse foi trocar a harmonia pela dissonância, a razão pela emoção, a realidade pela imaginação. Os maneiristas exageravam a beleza ideal herdada dos dois grandes mestres, buscando a instabilidade em vez do equilíbrio.

O nome maneirismo vem do italiano di maniera, significando uma obra de arte realizada conforme o estilo do artista e não ditada pela representação da natureza. Historicamente, o momento era de desordem, quando a Igreja Católica havia perdido autoridade durante a Reforma Protestante.

Pintura maneirista

  • Na Alta Renascença, a pintura tinha composição simétrica, com o peso dirigido para o centro.
  • No Maneirismo, a composição se tornou oblíqua, com um vazio no centro e figuras concentradas e geralmente cortadas junto à moldura.
  • Figuras tremem e se torcem em contraposto exagerado; corpos frequentemente alongados ou, às vezes, musculosos; cores sombrias que acentuam tensão, movimento e iluminação irreal.

Principais representantes

El Greco

Nascido em Creta, sob domínio veneziano, seu primeiro aprendizado foi no estilo chapado bizantino. Em Veneza sofreu influência dessa escola; aos 35 anos mudou-se para Toledo, na Espanha. Na Espanha, sob a Contra-Reforma e a Inquisição, sua obra refletiu esse contexto. Suas telas têm um caráter quase surreal, muito emocionais, e a luz interna soprende: sobrenatural e espectral. Em telas religiosas, El Greco dava prioridade à visão espiritual carregada de emoção em detrimento da representação exata do mundo visível.

Tintoretto

O mais representativo dos maneiristas italianos, pertencente à escola de Veneza. Sua última grande obra, A Última Ceia, nega muitos valores clássicos da versão de Leonardo da Vinci, pintada quase um século antes. Embora Cristo ainda ocupe o centro da composição, a mesa é colocada em ângulo reto em relação ao plano do quadro; a figura de Cristo fica relativamente pequena e identificável pela auréola. A cena é apresentada em um contexto cotidiano, cheia de espectadores, recipientes e animais domésticos. Tintoretto buscou estabelecer um contraste dramático entre o natural e o sobrenatural — espectadores celestiais aparecem em forma de nuvens de anjos que convergem para Cristo no momento da Eucaristia.

Observação: compare a Última Ceia de Tintoretto com a Santa Ceia de Leonardo da Vinci em termos de estilo e composição.

Arte Barroca

Características gerais

  • Expressão artística que durou cerca de 200 anos, estendendo-se ao longo do século XVII e nas primeiras décadas do XVIII.
  • Surgiu em Roma e espalhou-se pela Europa Ocidental e pelas colônias na América Latina.
  • Associado ao absolutismo: prosperaram monarquias absolutas (França, Espanha, Portugal) e o domínio do papado na Itália.
  • Profundamente católico, foi usado como forma de expressão da mensagem religiosa da Contra-Reforma — linguagem de fé redundante, dramática e teatral.
  • Procura comover o espectador: espetáculo, exuberância formal e exaltação dos sentimentos.
  • Variedade entre obras suntuosas e outras modestas, dependendo dos recursos disponíveis.

Arquitetura barroca

Emprego frequente da coluna sinuosa, rompendo com a rigidez renascentista; privilegiava-se a ornamentação interior e o embelezamento de portas e janelas. Colunas, altares e púlpitos eram recobertos com espirais, flores, monstros e anjos, num jogo de cores e formas que integrava pintura, escultura e arquitetura, provocando forte impacto visual. Exemplos: o baldaquino de Bernini sobre o altar papal (1633) na Basílica de São Pedro, Vaticano, e a Igreja del Gesù, em Roma.

Escultura barroca

Privilegia o movimento: figuras são flagradas em ação, com vestes agitadas ou flutuantes. Prefere-se gestos bruscos e corpos torcidos, que melhor representam o dinamismo. Exemplo: Santa Teresa em Êxtase (Bernini), na Igreja Santa Maria della Vittoria — altar Cornaro, Roma. A obra exemplifica o barroco europeu: embriaguez mística, leveza celestial, volutas, arabescos e dobras que fluem nas roupas da santa e do anjo. Características faciais: nariz reto, boca pequena a média, olhos amendoados e rosto oval. Na obra de Bernini, os santos não permanecem estáticos sobre altares, mas parecem ascender ao céu.

Pintura barroca

Comparação entre Renascimento e Barroco (segundo Wölfflin):

  • Do linear para o pinturesco: figuras tendem a fundir-se em manchas de cor; contornos perdem-se em sombras; pinceladas rápidas unem partes separadas.
  • Do planar para o recessional: composição dominada por figuras colocadas em ângulo, afastando-se na profundidade.
  • De forma fechada para aberta: figuras diagonais atravessam a superfície e extrapolam a moldura; composição dinâmica.
  • De multiplicidade para unidade: obtenção de unidade por meio de luz forte dirigida.
  • De luz difusa para luz dirigida: acentua dias diagonais e mistura formas, moderando cores locais.

Exemplo: em Rubens (A Sagrada Família com São Francisco, ca. 1630) as cores se misturam e dialogam; no quadro de Rafael (Madona com o Menino entronizados com santos, ca. 1505) a representação da cor é mais contida e clássica.

Outros artistas importantes

  • Caravaggio: Ceia em Emaús, Baco adolescente, Morte da Virgem.
  • Velázquez: As Meninas, Papa Inocêncio X.
  • Rembrandt: A Ronda Noturna (Guarda Noturna).
  • Vermeer: Moça com brinco de pérola.
  • Rubens: Vênus ao espelho.
  • Andrea Pozzo: A Glória de Santo Inácio (pintura ilusionista no forro da igreja).

Era Versalhes

A era Versalhes teve como função glorificar o rei Luís XIV, o Rei Sol, e foi a expressão da monarquia absolutista (1661–1715). Sob Luís XIV a França tornou-se a nação mais poderosa na Europa em termos militares e culturais. Os franceses relutaram em chamar o estilo do período de barroco (este refletia o barroco italiano com modificações) e o denominaram estilo Luís XIV ou clássico.

Criaram-se as academias de arte, continuidade das corporações de ofício medievais, mas com complemento teórico ao treinamento técnico. A principal foi fundada em 1648 — Academia Real de Pintura e Escultura de Paris. Em 1663, Charles Le Brun estabeleceu normas rígidas que se tornaram modelo para outras academias europeias.

Palácio de Versalhes

Foi o mais gigantesco empreendimento de Luís XIV, localizado a aproximadamente 17 km do centro de Paris. Características barrocas: a fachada não era o elemento principal; os interiores suntuosos constituíam o cenário apropriado para o Rei e sua corte. Os jardins magníficos criavam um cenário para as aparições públicas do rei; a regularidade geométrica revela o espírito do absolutismo. Em 1715, com a morte de Luís XIV, a corte retornou a Paris e o estilo artístico foi gradualmente adaptado ao rococó.

O barroco de Versalhes passou a ser copiado por cortes europeias (ex.: Hermitage em São Petersburgo, Rússia).

Arte rococó

O termo rococó originou-se da palavra francesa rocaille, associada ao elemento concha, frequentemente presente na arte rococó. O rococó indica a fase tardia do barroco, aproximadamente de 1710 a 1780. A aristocracia egressa de Versalhes conviveu com uma burguesia parisiense enriquecida que consumia arte doméstica (estatuetas de porcelana, quadros pequenos etc.). Assim, o rococó foi associado a valores de uma sociedade distraída que buscava o prazer diletante.

Embora continuidade natural do barroco, o rococó apresenta distinções marcantes.

Pintura

  • No Barroco: temas religiosos, dramáticos e heróicos.
  • No Rococó: temas mundanos ambientados em parques e jardins luxuosos; representa o último suspiro fausto da aristocracia. Paleta de tonalidades claras e luminosas, delicadeza, tons pastéis (rosa e verde-claro). Principais representantes: Fragonard, Watteau e Chardin.

Escultura

No Barroco prevaleciam linhas vigorosas e energia; no Rococó, linhas suaves e graciosas. A escultura torna-se intimista e retrata pessoas importantes da época. Aparecem peças decorativas em porcelana, retratos, gobelins e bibelôs de adorno.

Arquitetura

O exterior caracteriza-se por um barroco clássico com menos exageros; o forte é o interior: rica ornamentação, salões e salas de forma oval preferencialmente, paredes com cores claras e suaves, espelhos e ornamentos com motivos florais.

Realismo

Ocorreu na segunda metade do século XIX (c. 1850–1900). Desenvolveu-se ao lado da crescente industrialização. A visão de mundo europeia, que confiava no conhecimento científico e na técnica para dominar a natureza, convenceu-se de que a arte deveria ser realista, abandonando visões subjetivas e emotivas da realidade.

Arquitetura realista

Arquitetos e engenheiros responderam às necessidades urbanas criadas pela industrialização: fábricas, estações ferroviárias, armazéns, lojas, bibliotecas, escolas, hospitais e moradias para a nova burguesia e para os operários.

Pintura realista

  • Representação de coisas reais: camponeses, cenas de pobres, mendigos, retratos.
  • O real sem a fantasia romântica; fim dos temas bíblicos, mitológicos e literários predominantes no romantismo.
  • Politização do artista: a arte passa a representar ideias e condições sociais da época.

Exemplo: Gustave Courbet representou aspectos de sua época conforme suas ideias e visão de mundo. Preferia retratar os homens pobres do seu tempo, o século XIX.

Escultura — Auguste Rodin (1840–1917)

Classificar a obra de Rodin é difícil: é considerado realista, romântico, naturalista e às vezes impressionista. Considerado o maior escultor depois de Bernini, sua produção suscitou polêmicas; foi acusado de fazer moldes diretamente do modelo vivo (ex.: A Idade do Bronze, 1877). Característica fundamental: fixação do momento significativo de um gesto humano. Exemplos: Os burgueses de Calais (1877), O Pensador (1880) — sua obra mais conhecida. Outras obras famosas: As Mãos de Deus (A Criação) e o retrato de Balzac.

Neoclassicismo

Contexto histórico — o mundo moderno

Iniciou-se com duas revoluções: a Revolução Industrial (símbolo: máquina a vapor) e a Revolução Política (signo da democracia — América, 1776; França, 1789). Ambas baseadas na ideia de progresso. A partir desse momento, a arte moderna passa a ser estudada por movimentos e não mais por países; surgem os diversos "ismos" e uma atividade artística mais complexa.

Características do neoclassicismo (academicismo)

Movimento racionalista surgido na metade do século XVIII. Contrapõe-se ao barroco dramático e ao rococó decorativo. Busca pureza e equilíbrio inspirados no classicismo greco-romano e o retorno aos cânones da Antiguidade. Também chamado academicismo, pois os conceitos greco-romanos tornaram-se base para o ensino das artes nas academias (destaque para a École des Beaux-Arts, em Paris). Expressou valores de uma burguesia fortalecida após a Revolução Francesa e no império de Napoleão.

Arquitetura neoclássica

Exemplos principais: Panteão, Paris (1755); Porta de Brandemburgo, Berlim (1788).

Pintura neoclássica

Mais uma questão de conteúdo do que de estilo — rompimento com o rococó e sua frivolidade. Pintores apelaravam ao senso moral do espectador; temas históricos ou mitológicos com figuras inspiradas na escultura grega e nos renascentistas italianos, especialmente Rafael Sânzio.

Escultura neoclássica

Seguiu o padrão da arquitetura e da pintura, porém de modo menos ousado.

Impressionismo

Movimento que revolucionou profundamente a pintura e deu início às grandes tendências da arte do século XX. Vigorou na segunda metade do século XIX. Os impressionistas procuravam, por observação direta do efeito da luz solar sobre os objetos, registrar as constantes alterações que essa luz provoca nas cores da natureza.

Princípios técnicos

  • A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num determinado momento.
  • As figuras não devem ter contornos nítidos; a linha é uma abstração.
  • As sombras devem ser luminosas e coloridas, não simplesmente escuras.
  • Os contrastes de luz e sombra devem seguir a lei das cores complementares.
  • As cores não devem ser misturadas na paleta, mas aplicadas em pequenas pinceladas puras; a mistura torna-se ótica no olhar do observador.
  • A pintura deve evocar uma impressão fugaz, não uma descrição minuciosa.
  • Os impressionistas dissolvem a forma tridimensional em manchas de claro e escuro.
  • Temas preferidos: cenas de entretenimento — salões, cafés, concertos, teatros, circos, lugares ao ar livre etc.

Segundo Manet: a pintura precisava ser salva da competição com a fotografia — uma tela é, acima de tudo, uma superfície recoberta de pigmentos que devemos olhar, e não olhar através dela.

As exposições

Em 1863, a Academia de Belas Artes de Paris rejeitou cerca de 3.000 das 5.000 obras inscritas no Salão anual, hostil à arte corajosa. A recusa resultou em protesto e levou Napoleão III a criar uma exposição paralela, o Salon des Refusés, que foi um sucesso de escândalo, principalmente por causa de Almoço na Relva, de Manet. Muitos historiadores situam aí o início da pintura moderna.

Por volta de 1874, Monet, Renoir, Sisley, Degas, Morisot, Pissarro e outros organizaram sua primeira exposição de grupo em Paris, incluindo Impressão: Nascer do Sol (Monet), pintura que deu nome ao movimento — o termo "impressionistas" foi cunhado por um crítico como depreciação, e acabou adotado. O público e a crítica inicialmente reagiram mal, apegados à pintura acadêmica. Mais tarde, o reconhecimento cresceu e museus e coleções incorporaram obras impressionistas.

Em 1945, o governo francês criou o Musée du Jeu de Paume, conhecido como Museu dos Impressionistas, mais tarde transferido para o Quai d'Orsay.

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