O Papel do Leitor na Construção de Sentidos do Texto

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A leitura é uma atividade que deve, efetivamente, fazer parte da vida de todos os cidadãos. Ler, porém, não é simplesmente decodificar o que está escrito; é preciso, no ato de ler, construir os sentidos do texto. Para que isso aconteça, é fundamental a participação do leitor, o que se dá por meio de estratégias diferenciadas, tais como:

  • A leitura de implícitos;
  • A ativação do conhecimento de mundo;
  • O conhecimento partilhado com o autor do texto.

Em textos escritos, os autores se valem de recursos explícitos ou implícitos para registrar suas ideias sobre um determinado tema. Para construir os sentidos de um texto, cabe ao leitor decodificar o que está posto na superfície do texto, tanto quanto “ler nas entrelinhas”, ou seja, desvendar elementos implícitos. Esses elementos, às vezes, são de leitura óbvia, como é o caso dos pressupostos; outras vezes, exigem a percepção de pistas textuais, como é o caso das inferências. Há, ainda, situações em que a leitura dos implícitos requer o conhecimento do contexto em que se deu a enunciação, no caso dos subentendidos. Assim, para que os sentidos de um texto sejam (re)construídos, é preciso que o leitor se empenhe tanto na decodificação do que está dado, como no desvendamento do que está subjacente ao conteúdo escrito.

A participação do leitor na construção dos sentidos do texto se dá também através da ativação de seu conhecimento de mundo e do conhecimento partilhado com o autor. Para que o leitor consiga compreender o conteúdo de um texto, é preciso que, dentre os conhecimentos que acumulou, haja elementos referidos no texto, ou seja, o conhecimento que ele já possui constituirá a informação velha com a qual o autor articulará a informação nova. O conhecimento prévio do leitor, assim, tem de ser, em alguma medida, semelhante ao conhecimento do autor, isto é, autor e leitor devem ter algum tipo de conhecimento partilhado. Valendo-se dos pontos em comum entre o que sabe e o que o autor veiculou no texto, o leitor se empenha para cooperar com o autor, procurando (re)construir os sentidos do que foi escrito.

Os homens, na sociedade letrada do Terceiro Milênio, são constantemente desafiados a participar ativamente da construção dos sentidos dos tantos textos com os quais se defrontam cotidianamente. Esse processo de construção dos sentidos exige que o leitor se empenhe na leitura tanto do que está posto quanto do que está implícito no texto, assim como ative o seu conhecimento de mundo e o conhecimento partilhado com o autor, a fim de articular informações velhas com informações novas, construindo sentidos. Desenvolver essa capacidade do leitor significa torná-lo proficiente no ato de ler.

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