Paradigmas, Crises e Revoluções Científicas

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Paradigma, crise e revolução

Para Kuhn, a história das ciências não deve ser considerada como um processo evolutivo, mas transformada por revoluções paradigmáticas. Revoluções que provenham ou incitem crises no seu meio de pesquisa podem ecoar em diversas áreas do conhecimento, a ponto de alterar as ideias básicas de uma sociedade sobre o mundo. Após a revolução, há um árduo período de depuração das novas teorias e experimentos.

Contato com as ciências sociais

Ainda mais importante foi passar o ano numa comunidade composta predominantemente de cientistas sociais. Esse contato confrontou-me com problemas que não antecipara, relativos às diferenças entre essas comunidades e as dos cientistas ligados às ciências naturais, entre os quais eu fora treinado. Fiquei especialmente impressionado com o número e a extensão dos desacordos existentes entre os cientistas sociais no que diz respeito à natureza dos métodos e problemas científicos legítimos.

A tentativa de descobrir a fonte dessa diferença levou-me ao reconhecimento do papel desempenhado na pesquisa científica por aquilo que, desde então, chamo de paradigmas. Considero paradigmas as realizações científicas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência.

A prioridade dos paradigmas

  • A investigação histórica cuidadosa de uma determinada especialidade revela um conjunto de ilustrações recorrentes e quase padronizadas de diferentes teorias nas suas aplicações conceituais, instrumentais e na observação. Esses são os paradigmas da comunidade, revelados nos seus manuais, conferências e exercícios de laboratório. Ao estudá-los e utilizá-los na prática, os membros da comunidade aprendem seu ofício.

Cientistas podem concordar que um Newton, um Lavoisier, um Maxwell ou um Einstein produziram uma solução aparentemente duradoura para um grupo de problemas importantes e, mesmo assim, discordar a respeito das características abstratas específicas que tornam essas soluções permanentes. Isto é, podem concordar com a identificação de um paradigma, sem entrar num acordo quanto a uma interpretação ou racionalização completa a respeito daquele.

A ciência normal

A falta de uma interpretação padronizada não impede que um paradigma oriente a pesquisa. A ciência normal pode ser parcialmente determinada através da inspeção direta dos paradigmas. Esse processo é frequentemente auxiliado pela formulação de regras e suposições, mas não depende dela.

O cientista faz o que aprendeu a fazer. Ele trata os fenômenos que parecem cair sob o âmbito de sua disciplina segundo um paradigma, um modelo prático e teórico que se impõe pela força da evidência.

Crise da ciência normal

A ciência normal é basicamente cumulativa até que as regras não sejam mais adequadas. Há então uma crise, que Kuhn vê resolver de 3 modos:

  1. Ela se mostra eficaz para absorver os novos problemas;
  2. Não os resolve e, sem novo procedimento, são deixados para o futuro;
  3. Surgem novos parâmetros que não se enquadram na ciência normal, gerando revoluções paradigmáticas.

Mudança de paradigma

A anomalia aparece contra o pano de fundo do paradigma. Quanto maior o alcance de um paradigma, mais sensível ele será como indicador de anomalias. Rejeitar um paradigma sem substituí-lo por outro é rejeitar a própria ciência.

Paradigmas científicos nas Ciências Sociais

A produção de conhecimento nas Ciências Sociais vincula-se ao desenvolvimento de uma tradição intelectual comum. O paradigma determina quais problemas são investigados, quais dados são pertinentes e que técnicas são utilizadas.

Nas Ciências Sociais, o objeto é dinâmico e mutável. O conhecimento procede por rupturas e crises. Segundo Octávio Ianni, as rupturas históricas (como a Revolução Francesa e a Industrial) impõem novos desafios epistemológicos.

Modelos clássicos nas Ciências Sociais

Existem três matrizes de pensamento básicas:

  • Funcionalismo: Émile Durkheim
  • Weberianismo: Max Weber
  • Marxismo: Karl Marx

Apesar das diferenças, possuem características comuns: são sistemas explicativos integrados, globalizantes, partem de problemas concretos e propõem soluções para a intervenção no real.

Paradigmas na Comunicação Social

O mapeamento da pesquisa em comunicação coloca o problema dos paradigmas de onde partem os pesquisadores. O campo será mais ou menos científico na medida em que for incorporável ao conjunto das discussões sobre os significados do pensamento científico. Compreender a comunicação exige discutir as bases paradigmáticas de sua epistemologia.

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