O Pensamento de David Hume e a Filosofia de Descartes
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Posição de Hume quanto à possibilidade do conhecimento
A realidade a que temos acesso reduz-se à esfera das perceções. A capacidade cognitiva do entendimento humano limita-se ao âmbito do provável, daí o ceticismo mitigado ou moderado. Nada podemos conhecer para além do âmbito da experiência, daí o ceticismo metafísico, onde a crença na existência de algo para lá dos fenómenos carece de fundamento.
Noção de causalidade em Hume
Segundo David Hume, a causalidade diz respeito à relação causa e efeito em que se baseiam os nossos raciocínios acerca dos factos. Há muitos factos que esperamos que se verifiquem no futuro, uma vez que o nosso conhecimento dos mesmos se restringe às impressões atuais e às recordações de impressões passadas. É só com base nestas que podemos justificar as nossas crenças. Uma vez que não dispomos de impressões relativas ao que acontecerá no futuro, também não possuímos o conhecimento dos factos futuros. Trata-se de verdades contingentes relativas a questões de facto e que têm por base uma inferência causal. Exemplo:
- Esperamos que um papel se queime se o atirarmos ao fogo;
- Até agora, o fogo sempre queimou;
- Logo, irá verificar-se também isso no futuro;
- Queimar é um efeito cuja causa é o fogo.
A relação de causa e efeito é geralmente entendida como sendo uma conexão necessária, uma vez que se crê que determinado efeito se produzirá necessariamente a partir do momento em que existe determinada causa.
Ceticismo metafísico de David Hume
Na perspetiva de Hume, o ceticismo metafísico procura ultrapassar o âmbito da experiência e da observação, o que Hume considera inaceitável. A crença na existência de algo para lá dos fenómenos carece de fundamento. A capacidade cognitiva do entendimento humano limita-se ao âmbito do provável.
Perspetiva empirista de Hume
O conhecimento em Hume limita-se ao que é dado pela experiência e é limitado pela própria experiência. Nada se pode conhecer para além da experiência. Sendo assim, David Hume limita-se ao fenomenismo — onde só conhecemos as perceções e a realidade acaba por se reduzir aos fenómenos. Esta perspetiva privilegia o conhecimento a posteriori, admitindo que a capacidade cognitiva do entendimento humano é limitada. O conhecimento deriva fundamentalmente da experiência, tendo as suas ideias uma base empírica.
Distinção entre questões de facto e relações de ideias
Tanto umas como outras são dois modos ou tipos de conhecimento:
- Relações de ideias: São a priori, traduzem-se em proposições necessárias baseadas no princípio da contradição.
- Questões de facto: São justificadas pela experiência, traduzindo-se em proposições contingentes; negar as verdades de tais proposições não implica contradição.
A origem das ideias nas impressões dos sentidos
As ideias ou pensamentos são as representações das impressões, sendo imagens enfraquecidas destas. Ideias e impressões são os elementos do conhecimento que podem ser simples ou complexas. As ideias derivam das impressões, logo, não existem ideias inatas, sendo as ideias cópias das impressões. Não só cada ideia deriva de determinada impressão, como não podem existir ideias das quais não tenha havido uma impressão prévia.
Descartes: O génio maligno e a existência de Deus
Descartes necessita demonstrar a existência de um Deus que não o engane e que sirva de garantia de verdade. A ideia de ser perfeito serve a Descartes como ponto de partida para a investigação relativa à existência de um ser divino. Através do argumento ontológico, Descartes chega à conclusão de que Deus existe, que tudo o resto depende dele e que Ele não é enganador. Daí conclui que tudo aquilo que é concebido clara e distintamente é necessariamente verdadeiro.
Deus, o ser perfeito, é a garantia da verdade objetiva das ideias claras e distintas. Criador das verdades eternas e origem do ser, Deus é o único ser que pode garantir a adequação entre o pensamento evidente e a realidade, legitimando o valor da ciência e conferindo objetividade ao conhecimento. Uma vez que é infinito, fonte do bem e da verdade, omnipotente, eterno e omnisciente, permite superar os argumentos dos céticos radicais e provar a existência do mundo exterior. Deus é o criador do universo, mas não é o autor do mal nem responsável pelos nossos erros.
l pelos nossos erros.