Perspectiva Lifespan e Teoria SOC de Paul Baltes

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A Perspectiva Lifespan e o Desenvolvimento Humano

A Lifespan compreende o desenvolvimento como um processo contínuo e multidimensional de mudanças, influenciado por fatores genético-biológicos e socioculturais, de natureza normativa e não normativa, marcado por ganhos e perdas e pela interatividade entre o indivíduo e a cultura.

Este processo compreende:

  • Uma sequência de mudanças previsíveis, de natureza genético-biológica, que ocorrem ao longo das idades;
  • Uma sequência previsível de mudanças psicossociais determinadas pelos processos de socialização;
  • Uma sequência não previsível de alterações pela influência de agendas biológicas e sociais, que são chamadas de influências não normativas.

As influências normativas tendem a ocorrer na mesma época e com a mesma duração para a maioria dos indivíduos. A normalidade diz respeito à alta frequência dos eventos para cada grupo de idade. Estes eventos são causados pelas interações entre o organismo e o ambiente.

O processo biológico normativo de envelhecimento inclui a dimensão da plasticidade comportamental e a diminuição da resiliência biológica. A resiliência individual depende dos apoios sociais e dos recursos da personalidade.

Os eventos graduados por idade associados à socialização dizem respeito ao cumprimento de tarefas evolutivas. Já as influências normativas graduadas pela história co-variam sistematicamente com classe social, gênero e etnia.

Os três tipos de influências (normativas graduadas por idade, por história e as não normativas) atuam de forma concorrente na construção de regularidades e de diferenças individuais nas trajetórias de vida.

Princípios da Dinâmica Biologia-Cultura

Baltes propôs três princípios a respeito da dinâmica biologia-cultura nas trajetórias de desenvolvimento ao longo da vida:

  1. A plasticidade biológica e a fidelidade genética declinam com a idade.
    1. Para que o desenvolvimento se estenda até as idades avançadas, são necessários avanços cada vez mais expressivos na evolução cultural e na disponibilidade de recursos culturais.
    2. É limitada a eficácia da cultura para promover desenvolvimento e reabilitação das perdas e do declínio associados à velhice.

A Teoria SOC: Seleção, Otimização e Compensação

Teoria SOC: os ganhos e as perdas são resultantes da interação entre os recursos da pessoa com os recursos do ambiente, em um regime de interdependência.

Os objetivos da teoria de Seleção, Otimização e Compensação (SOC) são descrever o desenvolvimento em geral e estabelecer como os indivíduos podem manejar as mudanças nas condições biológicas, psicológicas e sociais que se constituem em oportunidades e em restrições para seus níveis e trajetórias de desenvolvimento.

Esta teoria pode ser incorporada por diferentes perspectivas teóricas, incluindo a comportamental, a cognitiva, a de ação e a social-cognitiva.

O processo funciona da seguinte forma:

  • Seleção: os sujeitos desenvolvem uma hierarquia de preferências, prioridades e objetivos, de modo a selecionar quais estímulos devem investir;
  • Otimização: os indivíduos investem unicamente nos recursos e meios que lhes permitem alcançar os objetivos estabelecidos e maximizar o seu funcionamento;
  • Compensação: quando ocorrem perdas, o sujeito recorre a mecanismos para compensar as mesmas.

Princípios do Desenvolvimento Intelectual na Vida Adulta e Velhice

Segundo Baltes, os princípios do desenvolvimento intelectual são:

  1. O envelhecimento é um processo que acarreta mudanças de natureza ontogênica.
    1. As mudanças intelectuais de base ontogênica não significam descontinuidade da capacidade adaptativa ou incompetência cognitiva generalizada.
    2. O envelhecimento intelectual é uma experiência heterogênea.
    3. Há diferentes padrões de envelhecimento intelectual (do patológico ao ótimo, passando pelo normativo).
    4. A inteligência muda qualitativamente ao longo da vida adulta e velhice.

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