A Pintura Barroca na Espanha: Mestres e Escolas
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A Pintura Barroca na Espanha
O século XVII representa o período de auge da pintura espanhola. É interessante notar como o declínio político e econômico coincidiu com uma onda de transcendência artística e espiritual. A Espanha possuía dois grandes centros artísticos: Madrid e Sevilha, além de outros núcleos de ressonância como Valência, Córdoba e Granada.
Das três correntes desenvolvidas no século XVII europeu (naturalismo, classicismo e barroco), o naturalismo foi a que obteve maior circulação no país, coincidindo com a sensibilidade espanhola inclinada à realidade. O barroco volumoso e carregado não encontrou grande resposta até a segunda metade do século, quando o estilo se tornou mais dinâmico, colorido e opulento.
A Igreja era a principal responsável pelas encomendas, por isso os temas religiosos são os mais comuns, como a Virgem com o Menino e a Imaculada. O retrato também ganhou importância, destacando-se Velázquez. A pintura de gênero (taberna) teve aceitação entre os naturalistas, como Zurbarán.
Escola de Valência
- Francisco Ribalta (1565-1628): Incorporou elementos da arte de Caravaggio, mostrando grande realismo em seus personagens.
- José Ribera (1591-1652): Um dos grandes mestres do século. Seu estilo transita do tenebrismo intenso para uma paleta de cores douradas e claras. Obras importantes: O Sonho de Jacó e O Martírio de São Bartolomeu.
Escola Andaluza
- Zurbarán (1598-1664): Focado em temas monásticos e no fervor da Contra-Reforma. Suas composições são simples, com figuras quase esculturais e grande força expressiva em rostos e mãos.
- Alonso Cano (1601-1667): Tende ao ideal de beleza, com uma pintura refinada e doce.
- Valdés Leal (1622-1690): Conhecido por seu estilo melodramático e temas macabros, como em As Últimas Coisas.
- Murillo (1617-1682): O pintor por excelência dos temas religiosos, com um estilo doce, colorido e equilibrado, aproximando a religião do povo.
Escola de Madrid
Diego Velázquez (1599-1660): A figura mais importante da pintura espanhola. Sua carreira evoluiu do naturalismo tenebrista de Sevilha para a maestria da luz e da atmosfera em Madrid.
Estágios de Velázquez:
- Primeiros anos em Sevilha: Composições tenebristas e naturezas-mortas (ex: O Aguadeiro de Sevilha).
- Primeira fase em Madrid: Influência da arte italiana e temas mitológicos (ex: Os Bêbados).
- Maturidade: Após viagens à Itália, sua técnica tornou-se mais solta e luminosa (ex: A Rendição de Breda).
- Período Final: Domínio absoluto da perspectiva aérea e da atmosfera. Obras-primas como As Meninas e As Fiandeiras definem seu estilo quase impressionista.