Plano Real: Fases, Âncora Cambial e Combate à Inflação

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Erros na Concepção e na Própria Condução do Plano

Houve falhas significativas no processo:

  • (1) O diagnóstico de que a inflação era “puramente inercial” estava equivocado. Antes da introdução do Plano, a inflação já estava se acelerando;
  • (2) Os abonos salariais contribuíram para reforçar a explosão de consumo que normalmente ocorre após a estabilização;
  • (3) A condução das políticas monetária e fiscal foi excessivamente “frouxa”, o que poderia ter evitado o aquecimento de demanda;
  • (4) O congelamento durou demasiadamente: 11 meses (eram previstos inicialmente apenas três meses);
  • (5) Diferentemente dos salários, os preços foram congelados em seus níveis correntes e não médios, introduzindo diversas distorções de preços relativos;
  • (6) O gatilho salarial reintroduziu e agravou a questão da indexação dos preços;
  • (7) A chamada “economia informal” ficou fora do congelamento, o que contribuiu para desalinhar ainda mais os preços relativos;
  • (8) A manutenção do câmbio fixo de fevereiro até novembro, somada ao crescimento da demanda, fez com que as contas externas se deteriorassem;
  • (9) A existência de uma defasagem nos preços públicos no momento do congelamento piorou a situação fiscal do governo.

Frustração no Ponto de Vista no Combate à Inflação

Plano Real: As Três Fases

O Plano Real foi estruturado em três fases fundamentais:

  • Primeira fase: Tinha como função promover um ajuste fiscal que levasse ao “estabelecimento do equilíbrio das contas do governo, com o objetivo de eliminar a principal causa da inflação brasileira”;
  • Segunda fase: Visava “a criação de um padrão estável de valor denominado Unidade Real de Valor — URV”;
  • Terceira fase: Concedia poder liberatório à unidade de conta e estabelecia “as regras de emissão e lastreamento da nova moeda (Real) de forma a garantir a sua estabilidade”.

O plano defendia que o excessivo gasto público era o principal responsável pela inflação. Na alta inflação, os preços ainda acompanham movimentos da inflação passada; enquanto na hiperinflação, os preços passam a seguir diariamente os movimentos de outra moeda, em geral o dólar. Retiram-se, portanto, os vínculos dos preços com o passado e criam-se as pré-condições para acabar com a inflação através de uma “nova moeda”, sem memória.

Em suma, através da URV, ao invés de esperar que o encurtamento do período de reajustes dos contratos viesse em consequência de uma aceleração da taxa de inflação (como ocorrera nos países que viveram episódios dramáticos de hiperinflação), propunha-se uma reforma monetária que anulasse a memória inflacionária do sistema, de forma a simular uma hiperinflação, sem viver suas consequências.

Consolidação do Plano Real e a Âncora Cambial

A consolidação do plano utilizou a âncora cambial, o que gerou uma sobrevalorização da taxa de câmbio, resultando no aumento das importações e na diminuição das exportações, gerando déficits elevados.

Por que a âncora cambial segurou o Plano Real?

O que é e por que houve um aumento nas importações e queda nas exportações? Isso ocorreu porque gerou uma apreciação do Real, que o deixou praticamente no mesmo valor do dólar. Essa igualdade nos valores das duas moedas acabou gerando um aumento nas importações e controlou a inflação.

A âncora cambial ocorre quando se fixa a taxa de câmbio para diminuir o aumento dos preços em tempos de economia debilitada, regulando a alta taxa de inflação. Na estratégia de combate à inflação do Plano Real, a taxa de câmbio e os elevados juros tiveram um papel fundamental, embora com consequências negativas para o desempenho da economia nos anos que se seguiram.

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