Platão: A Teoria das Ideias e o Combate ao Relativismo
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A luta de Platão contra o relativismo de valores defendido pelos sofistas foi inspirada por Sócrates, seu professor. Ele pensava que, se não há verdade absoluta, a língua perde a consciência e nenhum ser humano pode ser justo, virtuoso ou feliz se ignorar o significado dessas palavras. Daí, a sua vida se baseia em encontrar uma definição universal, que seja válida para todos. A concepção platônica da realidade é considerada dualista, tanto ontologicamente (defendida pela Teoria das Ideias) quanto epistemologicamente (defendida pela Teoria do Conhecimento).
A teoria de Platão define que a realidade inteligível é feita de ideias intangíveis, eternas e além da mudança. Elas são a síntese das "coisas" que compõem o mundo sensível; isto é, são o modelo que leva o Demiurgo (uma espécie de semideus) a moldar a matéria em questão. As ideias representam a "essência" dos objetos e persistem independentemente de serem pensadas ou não. Elas também estão hierarquicamente ordenadas: nem todas são igualmente importantes, e a "ideia-mãe" é a Ideia do Bem.
A Teoria do Conhecimento de Platão estabelece a relação entre níveis de realidade (o mundo sensível e o mundo inteligível) e os níveis de conhecimento que eles geram: o sensível e o inteligível, respectivamente. O primeiro é conhecido como "doxa" (opinião) e o segundo como "episteme" (ciência), que se subdividem, por sua vez, em dois:
- Doxa: subdividida em conjectura e crença;
- Episteme: subdividida em pensamento discursivo e inteligência.
O que pode ser considerado o verdadeiro conhecimento é dado pela episteme; é isso que representa o conhecimento das ideias, que não estão sujeitas à influência da realidade sensível, de modo que o conhecimento pode ser considerado universal. Por esta teoria, o nosso filósofo — assim como no Mito da Caverna — baseia-se na famosa Analogia da Linha, dividida em quatro segmentos ou pares diferenciais:
- A primeira divisão é o conhecimento sensível, que consiste na conjectura (correspondente às imagens do mundo sensível) e na crença (que corresponde às coisas do mundo físico).
- Na segunda divisão, encontra-se o pensamento discursivo (correspondente às entidades matemáticas do mundo inteligível) e a inteligência (que corresponde às ideias do mesmo mundo).
Esta última é considerada o "clímax" do conhecimento, sendo o mais alto nível que pode ser alcançado. Com essas teorias, Platão combate o relativismo moral dos sofistas, pois defende que há ideias atemporais e universais. A ética platônica é eudemonista: a moralidade é direcionada para a conquista da felicidade. Este é um estado de espírito alcançado através do exercício da virtude:
- Prudência: ligada à alma racional, localizada no cérebro;
- Força: ligada à alma irascível, localizada no peito;
- Temperança: ligada à alma concupiscível, localizada no abdômen.
Platão advoga um governo liderado pelo filósofo treinado, que corresponde ao personagem que sai da caverna e, portanto, é o portador do conhecimento verdadeiro. Para os outros cidadãos, ignorantes em diferentes graus, eles devem ser encorajados com incentivos materiais até chegarem ao adequado desenvolvimento intelectual. Na política, se o governante estivesse na posse do verdadeiro conhecimento, agiria com justiça e saberia o que é bom para o povo. Segundo Platão, não é possível conhecer o Bem e o Mal sem estar exposto a essas duas teorias (ideias e conhecimento). Podemos relacionar ambas, pois Platão coloca a Ideia do Bem no alto escalão, sendo a mais cobiçada e acima das outras. Essa ideia é o ápice do conhecimento, no qual o ser é dotado de habilidades e itens para governar e ser um filósofo.