A Pluralidade da Língua Portuguesa em Marcos Bagno

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A obra caracteriza-se pela tipologia narrativo-descritiva e pelo constante diálogo entre as personagens.
Não se faz necessário que o leitor tenha um vasto conhecimento acerca da sintaxe ou de outra área da língua portuguesa, já que Bagno discute a língua a partir do seu caráter histórico.
Bagno discute a pluralidade da língua portuguesa falada no Brasil, abordando como tema principal o uso da variedade não-padrão (PNP). O pesquisador, em seu livro, preocupa-se em explicar várias ocorrências tidas como "erradas", quebrando o preconceito de que o brasileiro não sabe falar português.
Para isso, o professor Bagno conta a história de três estudantes universitárias dos cursos de Letras, Pedagogia e Psicologia que, ao sair de férias, resolvem ir para uma chácara em Atibaia-SP. Lá mora Irene, professora e pesquisadora, que é tia de Vera, estudante do curso de Letras. Ao chegar, as estudantes conhecem Eulália, empregada da casa que, diferente delas, não tem formação acadêmica e possui um falar distinto. Ao perceber que as jovens estranharam o modo de Eulália falar, Irene resolve explicar algumas ocorrências do português falado no Brasil.
É a partir daí que Bagno, através da personagem Irene, começa sua aula sobre o PNP, na qual a professora leva as estudantes a refletirem sobre o português falado no Brasil por meio de análises de diversas palavras e construções tidas como "erradas" sintaticamente. Ela faz várias comparações entre o Português Padrão (PP) e o Português Não-Padrão (PNP), explicando que a língua varia e que existem diversos falares no Brasil. A obra mostra que todas essas variedades não surgiram do acaso, mas têm uma explicação lógica e coerente, perfeitamente compreendida dentro da história da língua portuguesa.
Irene também faz comparações do português com outras línguas, como: italiano, francês, espanhol e inglês. Além de mostrar para as três meninas que o português brasileiro sofreu influências de outros idiomas — como o japonês, alemão e italiano — devido à imigração.
O livro de Bagno apresenta-se preciso e objetivo em seu detalhamento sobre a língua em uso do falante. Com linguagem simples e ideias originais, essa obra é de suma importância não só para os estudos da sociolinguística, mas para todos que desejam aprofundar seu conhecimento sobre a língua portuguesa brasileira.
Sendo assim, recomenda-se essa obra para todos os estudantes de Letras, como também para todos os usuários da língua portuguesa brasileira, sem distinção de etnias ou posição social, para que todos possam combater o mito de que o brasileiro não sabe português.

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