Poetas Espanhóis do Século XX: Obras e Estilos

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Jorge Guillén

Obras: Sua poesia foi coletada sob o título "Nuestro Aire".

  • a) "Cántico": É sua obra principal e reúne todo o trabalho poético de mais de 30 anos. Este livro exibe uma alegria clara e esmagadora de estar vivo, superando a dor e a nostalgia, escolhendo como pano de fundo essa alegria de viver.
  • b) "Convicción": Composta por outros três livros ("Maremagnum", "Hemisferio y Isla" e "Alianza y Destino"), reflete as misérias e tristezas ao redor do poeta, com poemas de queixa contra a injustiça, a opressão, a guerra e a situação na Espanha e no exílio.

Estilo: Utiliza uma forma de expressão elaborada, com versos que começam com letras maiúsculas (embora a prática moderna seja evitar isso, mantemos a menção ao estilo original), optando por medidas métricas clássicas como a décima, estrofes curtas, a balada ou o soneto.

Gerardo Diego

É o único poeta que se alinhou com o regime de Franco.

Obras: Apresenta dois estilos:

  • a) Poesia Tradicional: Agrupada sob o termo tradicional, caracteriza-se pelo uso de formas clássicas como o soneto e o romance. Inclui poemas como "Versos Humanos".
  • b) Poesia de Vanguarda: Caracterizada pelo verso livre e pela ausência de recursos gráficos ou pontuação. Os livros mais importantes são "Imagen" e "Manual de Espumas".

Estilo: Grande variedade de temas, incluindo amor, natureza, música e religião. Usa vários registros, combinando o domínio de técnicas de vanguarda com as formas mais tradicionais.

Vicente Aleixandre

Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1977. O tema principal de suas obras é o desejo de fusão do homem com a natureza.

Obras:

  • 1ª Fase ou Surrealista: "La destrucción o el amor" mostra a dicotomia entre amor e morte como meio de destruição e fusão do homem com a natureza. Em "La sombra del paraíso", o poeta imagina um paraíso perdido.
  • 2ª Fase: O homem e seu mundo tornam-se temas dominantes, especialmente a passagem da vida, que se torna importante no momento e nas circunstâncias. A obra principal é "Historia del corazón".
  • 3ª Fase: Utiliza a poesia como meditação sobre sua história de vida e retoma alguns processos surrealistas utilizados na Fase 1.

Estilo: Uso inovador de metáforas, paralelismo, anáfora e domínio do verso livre.

Rafael Alberti

Obras:

  1. Fase Neopopular (1924-1926): "Marinero en tierra" (Vencedor do Prêmio Nacional de Poesia). Recupera formas métricas populares combinadas com sonetos que expressam a profunda saudade do mar de Cádiz, sua terra natal.
  2. Fase Neogongorina (1926-1929).
  3. Fase Surrealista (1929-1930): "Sobre los ángeles" é considerada a obra-prima do autor, revelando o terrível conflito espiritual sofrido por Alberti nesses anos, focando em temas como amor, raiva, fracasso ou angústia, utilizando técnicas surrealistas para expressar a desunião do corpo e do espírito.
  4. Fase Política e Poesia Social (1930-1940).
  5. Fase da Poesia do Exílio (1941-1977): "La arboleda perdida" pertence à poesia social, onde o autor se revela como poeta revolucionário.

Estilo: Grande variedade de estilos e temas, caracterizada pelo uso de anáfora, figuras de significado e tonalidades de cor, por versos livres e imagens surreais.

Federico García Lorca

Obras: Os temas dominantes são a morte e o amor como frustração inevitável, levando à tragédia. Lorca foi atormentado pela ansiedade, incapacidade de compreender o mundo, a solidão e a paixão frustrada, que aparecem continuamente em seu trabalho.

  • 1ª Fase ou Juventude (1921-1928): Envolve tendências populares e modernistas, com influência do surrealismo, especialmente no uso de metáforas, poesia andaluza e predominantemente neofolclórica. "Romancero Gitano" (18 romances): Para ele, os ciganos são seres puros e inocentes, elevados a mitos literários.
  • 2ª Fase ou Maturidade Surrealista (1929-1936): Inclui os anos em Nova York, até seu retorno definitivo à Espanha. Manifesta sua oposição à desumanização do mundo: "Poeta en Nueva York" (1929-1930). Há mudanças no estilo, optando pela consciência social. Além da profunda influência do surrealismo, que se reflete em uma visão onírica do tema, apresenta o homem como vítima de sua própria criação e da vastidão de NY, que impede a comunicação e a liberdade. "Sonetos del amor oscuro": Publicada postumamente em 1936, esta coleção reflete sua experiência do amor inacabado; são 11 sonetos onde há um retorno à intimidade e aos temas do amor.

Estilo: A obra poética de Lorca é marcada por um domínio da técnica criativa. A fusão do popular permeia sua produção literária. Um dos traços mais característicos do autor é o simbolismo. Um conceito original de ritmo e musicalidade do verso traz momentos dramáticos, combinando o uso de romances, refrões... com versos clássicos ou livres.

Luis Cernuda

Obras: Sua obra é marcada pela sensibilidade excessiva e, devido à sua homossexualidade, que explica seu isolamento e desconfiança. Os temas são a solidão, a frustração, a infância eterna, o desejo, a morte da beleza e o amor como experiência suprema e dolorosa.

Sua obra tem três fases:

  • 1ª Fase: Sevilha (até 1928) ou anos de aprendizado ou poesia pura.
  • 2ª Fase: Juventude Madrilenha ou Surrealista (1929-1938): "Los placeres prohibidos", influenciado pelo surrealismo, liga-se à sensação de solidão e ao vazio do amor; o autor confronta o mundo com a escolha de um amor proibido e não aceito, expressando sua revolta contra as convenções sociais e afirmando sua homossexualidade. "Donde habite el olvido" (O título vem de um verso de Bécquer) é um livro neorromântico. Os poemas de "La realidad y el deseo" são considerados sua biografia espiritual, pois incluem os livros anteriores.
  • 3ª Fase: No Exílio ou Maturidade: Expressa a angústia do poeta, bem como uma profunda decepção e nostalgia devido à sua situação pessoal. "Desolación de la Quimera": O poeta fala de sua amargura e memórias.

Estilo: Expressa sua insatisfação com a vida, a incapacidade de realizar seus sonhos devido à incompreensão de uma sociedade conservadora e cética. Dominado pelo amor como experiência dolorosa, a infância, a solidão, a passagem inexorável do tempo e a busca pela beleza perfeita na natureza. Evita rimas fortes, usa o verso livre combinado com versos tradicionais, assim como Guillén fez em todos os seus versos serem capitalizados (referência ao estilo de Guillén).

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