Grandes Poetas da Geração de 27: Estilos e Fases
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Pedro Salinas
A poesia de Salinas é uma forma de conhecimento da essência das coisas e das experiências de vida. Destina-se a expressar, para além da beleza, a autenticidade (o essencial e íntimo) e a inteligência (conceitual e intelectual). Seu estilo segue as diretrizes da poesia pura, densa e precisa, utilizando recursos conceptistas como o paradoxo. Ele prefere metros curtos e raramente usa a rima.
- Primeira fase (até 1931): A poesia pura, com uma importante presença de elementos vanguardistas. Obras: Presagios, Seguro azar e Fábula y signo. É um estágio estético.
- Segunda etapa (1932-1939): Uma poesia de amor, porém conceitual e humanizada, sem o sentimentalismo romântico. Reflete um amor que ordena o mundo. Obras: La voz a ti debida e Razón de amor.
- Terceira etapa (no exílio): Apresenta um compromisso maior com o mundo e o contemplativo. Aborda a angústia do homem moderno em uma sociedade desumanizada. Obras: El contemplado, Confianza e Todo más claro.
Luis Cernuda
Toda a sua obra suscita o conflito romântico entre realidade e desejo, isto é, entre as aspirações pessoais e o mundo mesquinho e seus limites. Esse conflito cria a sensação de saudade, solidão e desejo de realização no amor. Formalmente, rejeita a ornamentação excessiva em benefício de uma linguagem mais coloquial e de forma natural. A Realidade e o Desejo é o título sob o qual ele inclui toda a sua poesia.
- Etapa inicial (até 1928): A busca por seu tom pessoal é influenciada pela poesia clássica e pura. Obras: Perfil del aire, Égloga, elegía y oda.
- Fase surrealista (de 1929 a 1936): Obras como Donde habite el olvido e Los placeres prohibidos são os livros para abordar suas preocupações íntimas.
- Estágio da Guerra Civil: Obra: Las nubes (1937-1940).
- Estágio do exílio (após a Guerra Civil): Marcado pela solidão, amargura, saudade e exílio. Obras: Desolación de la Quimera e Ocnos.
Jorge Guillén
É o maior expoente da poesia pura, desumanizada e intelectual, colocando o conceitual e o formal acima do sentimental e do emocional. Seu estilo é muito elaborado, buscando a liberação do supérfluo. Ele usa a métrica clássica (décimas e sonetos). Considera a sua poesia como um todo sob o título Aire nuestro, diferenciando-a em três ciclos principais:
- Cântico: Canto à vida e ao mundo vivo.
- Clamor: Envolve um grito contra o mundo desfeito, a tristeza, a guerra, a injustiça e o exílio.
- Homenagem: Retoma a evocação mais otimista de locais históricos e amados.
Federico García Lorca
As obras de García Lorca manifestam a sua personalidade: uma vitalidade intensa que contrasta com a sombra angustiante da morte. Tópicos: paixão pela vida, pelo amor e pela liberdade em conflito com uma sociedade repressiva ou um destino trágico. Presença de solidão, frustração e morte, com desenvolvimento no plano pessoal e social. No drama, os personagens são confrontados com as forças que reprimem seus instintos naturais, paixões, esperanças e desejos.
- Primeira etapa: Formação e assimilação de tendências diferentes, como a tradição e a arte popular e religiosa. Primeiros trabalhos: Canciones e Poema del cante jondo. Romancero Gitano aborda a marginalização das pessoas que enfrentam as normas sociais e morais, caracterizando-se por um destino trágico de frustração, solidão e morte.
- Segunda fase: Novas preocupações éticas e sociais refletem uma crise pessoal. A estética e a nova forma de expressão utilizam o surrealismo, a imagem visionária e o verso livre. Obras: Poeta en Nueva York, Llanto por Ignacio Sánchez Mejías, Diván del Tamarit e Sonetos del amor oscuro.