Política Econômica e Industrialização (1947-1950)

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Capacidade de Reduzir os Déficits

Com a área conversível, o sistema de licenciamento de importações funcionou a contento. O déficit com essa área — de US$ 313 milhões, em 1947 — foi reduzido para US$ 108 milhões em 1948 e transformado em um pequeno superávit de US$ 18 milhões em 1949. Com a área de moeda inconversível, ocorreram superávits em 1947 e 1948 e razoável equilíbrio entre 1949 e 1950.

Contudo, um resultado não desejado da manutenção da taxa cambial foi a perda de competitividade das exportações brasileiras — principalmente em relação aos mercados europeus, devido às desvalorizações das principais moedas do continente em 1949. Para isso, contribuiu a progressiva reorganização da economia mundial após a Segunda Guerra, levando a que as exportações brasileiras de manufaturados — que haviam crescido durante o conflito — perdessem espaço no mercado internacional. Como consequência, as exportações, exceto o café, contraíram-se entre 1947 e 1950.

Substituição de Importações e Crescimento Industrial

"Um estímulo considerável à implantação interna de indústrias substitutivas desses bens de consumo, sobretudo os duráveis, que ainda não eram produzidos dentro do país e passaram a contar com uma proteção cambial dupla, tanto do lado da reserva de mercado como do lado do custo de operação. Essa foi basicamente a fase da implantação das indústrias de aparelhos eletrodomésticos e outros artefatos de consumo durável."

Três Efeitos da Taxa de Câmbio Sobrevalorizada

  • Efeito subsídio: associado a preços relativos artificialmente mais baratos para bens de capital, matérias-primas e combustíveis importados.
  • Efeito protecionista: viabilizado pelas restrições à importação de bens competitivos.
  • Alteração da estrutura de rentabilidade: resultante da combinação dos dois anteriores, estimulando a produção para o mercado doméstico em comparação com a exportação.

Controles Cambiais e Crédito Industrial

Sobre as importações, o crédito real à indústria cresceu 38%, 19%, 28% e 5%, respectivamente, nos anos de 1947 a 1950. Os dados de 1947 e 1948 são particularmente significativos, pois nesses anos o governo estava fortemente empenhado em adotar políticas austeras.

Como resultado da combinação de controles sobre as importações e expansão real do crédito ao setor manufatureiro, entre 1946 e 1950 a produção real da indústria de transformação aumentou em pouco mais de 42% (9% a.a.), com destaque para os setores de Material Elétrico (28% a.a.), Material de Transporte (25% a.a.) e Metalurgia (22% a.a.). Ainda assim, esses três setores respondiam, conjuntamente, por menos de 10% do valor adicionado industrial no início da década de 1950.

Política Econômica Interna

A política econômica interna foi marcada como ortodoxa. A inflação, que chegara a 11% e 22% em 1945 e 1946, respectivamente, foi identificada como o principal problema a ser enfrentado e diagnosticada oficialmente como derivada de excesso de demanda agregada. A sua eliminação se daria através de uma política monetária contracionista e de política fiscal austera.

Três Motivos na Reversão da Política

  1. A proximidade das eleições presidenciais provocava um forte apelo para o aumento dos gastos da União e dos estados.
  2. A combinação de câmbio sobrevalorizado com controle de importações resultava em vigorosos investimentos na indústria de bens de consumo duráveis, aumentando a demanda do setor industrial.
  3. A desvalorização da libra esterlina e de outras moedas em 1949 indicava que a transição em direção à livre conversibilidade das moedas seria lenta.

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