Políticas Económicas Internacionais segundo Thomas Pugel

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Na perspetiva de Pugel, entre as políticas mais importantes que cada país pode decidir e estabelecer por si estão:
  • 1. Fator mobilidade (políticas relacionadas com o movimento internacional de recursos produtivos)

Ao diferenciarem as economias internacional e doméstica, os economistas clássicos salientaram o comportamento dos fatores de produção. Trabalho, terra e capital foram vistos como sendo móveis dentro de um país, no sentido em que esses recursos poderiam ser colocados ao serviço de diferentes usos produtivos no seio de um mesmo país. Por exemplo, a terra de um determinado país poderia ser usada para o cultivo do trigo, para a criação de gado ou para a instalação de uma fábrica. Mas os economistas clássicos acreditavam que estes fatores de produção não poderiam ser passados de um país para o outro e subestimavam a capacidade dos trabalhadores e do capital se moverem de um país para o outro.

A ser verdade, esta diferença entre a mobilidade intranacional dos fatores e o fator de imobilidade internacional teria consequências em muitas das características da economia global. Por exemplo, as vagas de trabalhadores franceses com a mesma formação e competências seriam mais ou menos similares, apesar da indústria ou do setor económico a que cada um desses trabalhadores pertenceria. Mas o nível destas vagas de trabalhadores franceses poderia ser muito distinto das vagas de trabalhadores com características similares na Alemanha, na Itália ou no Canadá, por exemplo.

Esta distinção que os economistas clássicos faziam é parcialmente válida atualmente. A terra é o fator de produção com menor mobilidade em termos internacionais. Nos antípodas, os trabalhadores e o capital movem-se globalmente, em resposta às oportunidades de crescimento/ganho económico que vão surgindo. Ainda assim, parecem existir diferenças de grau de mobilidade a nível inter-regional e a nível internacional.

Na opinião de Pugel, usualmente as pessoas tendem a privilegiar a migração em detrimento da emigração, ou seja, acabam por se mover mais facilmente dentro do seu próprio país do que optar por irem viver para outro país. Isto é parcialmente verdade na medida em que questões como a identidade linguística, os costumes ou as tradições tendem a ser mais comuns dentro de um mesmo país do que a serem partilhadas por mais do que um país. De igual forma, o capital também tende a ser mais móvel dentro do mesmo país do que entre países. Mesmo o capital financeiro, que em muitos casos é livre de ser movimentado internacionalmente, é sujeito a um certo viés doméstico, que faz com que as pessoas prefiram investir no seu próprio país.

  • 2. Políticas fiscais

O segundo fator diferenciador identificado por Thomas Pugel está relacionado com as políticas fiscais. De facto, cada país soberano e cada governo tem a sua própria despesa pública e tem poder para tributar e para regular. É através destas políticas que os governos limitam as transações internacionais quando aplicam determinadas tarifas (como impostos sobre as importações) ou quando impõem determinado tipo de medidas de regulação que reduzem as importações, a imigração ou os fluxos financeiros. No polo oposto, outros aspetos relacionados com a política fiscal, como os subsídios às exportações, incentivam as transações internacionais.

Por outro lado, as diferenças existentes entre os países no plano das políticas fiscais e regulatórias poderão influenciar os fluxos de fundos e de produtos, quer incrementando-os, quer levando à sua contração. Por exemplo, os bancos ou determinadas empresas estabelecem-se nos chamados paraísos fiscais para que os seus lucros em termos de capital sejam menos taxados e as suas contas não sejam alvo de um escrutínio tão grande.

  • 3. Políticas relacionadas com o dinheiro e as taxas de câmbio

Para muitos economistas, e em particular para os não-economistas, a principal diferença entre o comércio doméstico e internacional e o investimento está relacionada com o facto de as transações internacionais implicarem, com frequência, o uso de diferentes moedas, o que não acontece quando falamos em transações dentro de um mesmo país, uma vez que nós, enquanto cidadãos, não podemos emitir moeda.

Neste quadro, a existência de diferentes moedas significa que o valor de uma determinada moeda em relação a uma outra pode ser alterado. Ou seja, as taxas de câmbio vão sendo alvo de modificações ao longo do tempo, o que significa que hoje em dia um dólar não tem exatamente o mesmo valor em euros do que tinha há cinco anos, por exemplo. De acordo com Pugel, desde a década de 70 que os rácios de preço entre as principais moedas têm vindo a flutuar ao minuto.

A maior parte dos países tem a sua própria moeda, mas alguns países partilham entre si a mesma moeda. Nestes casos, o fornecimento de moeda é controlado por uma autoridade monetária ou por um banco central que está responsável pelo dinheiro. Assim, a política monetária afeta não só o país que utiliza essa moeda, mas também outros países, mesmo que estes utilizem moedas diferentes.

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