Principais Distúrbios e Mecanismos da Coagulação
Hemofilia A: é caracterizada pelo declínio na quantidade ou na funcionalidade do Fator VIII. Isso faz com que o complexo tenase intrínseco seja comprometido, representando um entrave à coagulação sanguínea.
Hemofilia B: ela é caracterizada pela deficiência de Fator IX. O problema, na essência, é quase o mesmo da hemofilia do tipo A: o Fator X não será convertido em Xa com alta eficiência.
Hemofilia C: a deficiência se estabelece em torno do Fator XI.
Doença de von Willebrand: acredita-se que o FvW tenha alguma relação com o Fator VIII da coagulação. Experimentos demonstram que uma proteína parece estabilizar a outra, o que faz essa doença da hemostasia primária também acometer a hemostasia secundária.
Deficiência de Vitamina K: essa deficiência tem um efeito bastante semelhante ao dos anticoagulantes orais já mencionados no estudo. Isso porque a reação de gama-carboxilação não é realizada com eficiência. A manifestação mais clara, então, é a hemorragia, e o tratamento é feito com a administração intramuscular de doses de Vitamina K. Os efeitos dessa administração não são imediatos porque se precisa de tempo para que haja produção de fatores com domínio GLA normal.
A via da Proteína C ativada é uma enzima que precisa de um cofator para estabelecer uma atividade catalítica eficiente: a Proteína S. O complexo se forma na plaqueta ativada. O substrato do complexo é o Fator Va e o Fator VIIIa. A Proteína C é convertida em ativada por causa do endotélio. A trombina é capaz de ativar a Proteína C, também sendo anti-hemostática, uma vez que está ligada a uma proteína de membrana – a trombomodulina.
A área de lesão gera trombina, porém, se ela interagir com a trombomodulina, ela converte a Proteína C em ativada. A trombina, em conjunto com a trombomodulina, perde suas demais funções e só é capaz de converter a Proteína C.
O Fator V é convertido pela trombina. A Proteína C ativada faz três clivagens para “desligá-lo”. O portador do Fator V Leiden tem uma deficiência genética que muda a posição em que a Proteína C ativada deveria clivar. Então, o Fator Va não é clivado pela Proteína C e fica mais tempo ativo. O Fator Va dura mais tempo do que deveria, gerando mais fibrina e tendendo a uma maior chance de trombose.
O Fator Tecidual é uma proteína que não apresenta atividade enzimática. Está ancorado na superfície de algumas células e é capaz de reconhecer o Fator VII, ativando-o. O Fator VII ativado (Fator VIIa), em conjunto com o Fator Tecidual, forma um complexo que é capaz de clivar dois zimogênios – Fator IX e Fator X –, ativando-os.
Esses dois fatores também são zimogênios, isto é, pró-enzimas. Eles são clivados pelo complexo tenase extrínseco a fatores Xa e IXa. O Fator IXa se liga a outra superfície, no caso, a membrana de uma plaqueta, formando o complexo tenase intrínseco, que irá clivar mais Fator X a Fator Xa. O Fator X produzido entra na constituição do complexo protrombinase, também na membrana de plaquetas. Esse complexo é capaz de clivar a protrombina (Fator II) em trombina (Fator IIa). Postula-se que a membrana celular seja fundamental para a integração física entre os fatores de coagulação.