Principais Parasitoses Humanas: Guia Completo de Estudo
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Esquistossomose
Popularmente conhecida como barriga d'água, devido ao acúmulo anormal de líquidos dentro da cavidade abdominal.
- Agente etiológico: Schistosoma mansoni
- Hospedeiro intermediário (espécies brasileiras):
- Biomphalaria glabrata: Nordeste, Sudeste, Goiás e Paraná
- Biomphalaria tenagophila: Sul
- Biomphalaria straminea: Nordeste
- Transmissão: Pessoas com a doença evacuando próximo a rios, lagos, etc.
- Contágio: Penetração ativa da larva cercária.
Manifestação da Doença
- Imediata: Dermatite cercariana.
- Leve: Tonteira, náusea, vômito e perda de peso.
- Crônica: No intestino, causa diarreia muco-sanguinolenta e dor abdominal; no fígado e baço, causa hepatomegalia e dor.
Diagnóstico e Prevenção
- Diagnóstico: Exame de fezes convencional, biópsia retal e técnica de ELISA.
- Prevenção: Não evacue próximo a rios, não use água contaminada e utilize banheiro com rede de esgoto.
Formas Clínicas
- Aguda: Fase de instalação do parasitismo; representa a migração pela circulação pulmonar até o sistema porta.
- Intestinal: Presença de vermes adultos no lúmen do intestino, reproduzindo-se e colocando ovos.
- Hepatoesplênica: Acúmulo de vermes no sistema porta, gerando hipertensão porta.
Teníase e Cisticercose (Taenia spp.)
- Taenia saginata: Causa teníase.
- Taenia solium: Causa teníase e/ou cisticercose.
Complicações: Dores abdominais, perda de peso, enjoo e fadiga. As tênias não possuem sistema digestório; alimentam-se por difusão simples através do tegumento.
Estruturas
- Escólex: Fixação (ventosas e ganchos).
- Colo: Atividade reprodutora.
- Proglótides: Na T. saginata são retangulares; na T. solium são quadrangulares.
- Estróbilo: Corpo do verme.
Hospedeiros: O homem é o hospedeiro definitivo. Os intermediários são o boi (T. saginata) e o porco (T. solium).
Diferenciação de Patologias
- Teníase: Ingestão de carne suína ou bovina mal cozida ou crua, contaminada com cisticerco. O verme adulto se fixa no intestino delgado e inicia a reprodução, podendo ocorrer diarreia, fadiga e inflamação.
- Cisticercose: Ingestão de ovos de T. solium. Os ovos chegam ao intestino delgado e liberam a oncosfera, que penetra nos vasos sanguíneos, atingindo fígado, veia cava, coração, pulmão e circulação geral. A oncosfera aloja-se nos músculos, cérebro e olhos, transformando-se em cisticercos. Pode causar falência cardíaca, alterações teciduais e perda de visão.
Diagnóstico: Exame de fundo de olho, pesquisa de ovos ou proglótides nas fezes.
Prevenção: Educar em saúde, construção de fossas sépticas e tratamento dos portadores.
Ascaridíase (Ascaris lumbricoides)
São vermes longos e cilíndricos. A extremidade posterior da fêmea é reta e a do macho é enrolada ventralmente em espiral. Localiza-se preferencialmente no duodeno e jejuno. É um geo-helminto (necessita de um estágio no solo para completar seu ciclo evolutivo).
- Nutrição: Materiais semidigeridos.
Ciclo de Vida
Ovos férteis são eliminados nas fezes. Com as condições necessárias no solo, sofrem embrionagem para ovos com larva L1, passam por ecdise para ovos infectantes com larva L2. Ocorre a ingestão em alimentos/água ou contato com solo contaminado. No estômago, a casca amolece; no duodeno, o ovo eclode devido ao pH, temperatura, CO2 e agentes redutores. As larvas L2 penetram ativamente a parede intestinal, atingindo vênulas e vasos linfáticos, passando pelo fígado e veia porta hepática. Após 7 dias, realiza o Ciclo de Loss; a larva L4 no jejuno sofre a última ecdise, tornando-se adulta.
Manifestações Clínicas
A maioria das infecções é assintomática. Pode haver fase sintomática na migração de L2 e L3 pelo pulmão, gerando coceira e desconforto (aumento de eosinofilia sanguínea).
- Observação: Em crianças e hipersensíveis, pode ocorrer a Síndrome de Loeffler (febre, tosse, alta eosinofilia e manchas pulmonares no raio-X).
- Sintomas: Desconforto abdominal, anorexia, náuseas, diarreia, déficit de crescimento e desnutrição.
- Complicações: Obstrução do ducto pancreático (pancreatite) ou perfuração do ducto biliar (peritonite).
Diagnóstico: Visualização de ovos nas fezes, hemograma e exames de imagem.
Prevenção: Saneamento básico, tratamento dos portadores e higiene.
Tricuríase (Trichuris trichiura)
Vermes filiformes anteriormente e fusiformes posteriormente, de tamanho pequeno ou médio. São geo-helmintos. Hospedeiros: Homem, macacos e chimpanzés.
- Ovo: Possui dois tampões polares; não embriona no intestino, apenas no meio exterior (termodependente).
- Transmissão: Fecal-oral (ingestão de ovos em alimentos, água ou solo).
Ciclo de Vida e Manifestações
Ovos não embrionados vão ao solo, sofrem clivagem e embrionagem. Após a ingestão do ovo infectante, as larvas eclodem e se fixam na mucosa, principalmente do ceco, alimentando-se de líquido intersticial, sangue e tecido lesado.
- Manifestações: Geralmente assintomático. Pode gerar irritação local, hipersensibilidade, nervosismo, diarreia, náuseas e, em casos extremos, prolapso retal.
- Diagnóstico: Método de Stoll e Método de Kato-Katz.
- Prevenção: Higiene e lavar bem os alimentos.
Ancilostomose (Ancylostoma duodenale e Necator americanus)
Parasitam obrigatoriamente mamíferos, fixando-se à luz do intestino delgado através da cápsula bucal. São geo-helmintos dioicos (fêmeas maiores que machos).
- Cápsula bucal: Possui dois pares de dentes (Ancylostoma) ou lâminas cortantes (Necator).
- Forma infectante: Larva filarioide L3.
Transmissão e Ciclo de Vida
A transmissão ocorre pelo contato direto das larvas (liberadas nas fezes no solo) com a pele humana, principalmente pés, pernas, nádegas e mãos.
Ciclo: Ovos no solo → L1 (rabditoide) → L3 (filarioide infectante). A L3 penetra a pele, atinge a circulação e os capilares pulmonares. Na luz do alvéolo, realiza ecdise para L4, induz tosse e é deglutida. No jejuno, torna-se verme adulto.
Patogenia e Sintomas
- Lesão Cutânea: Edema ou dermatite.
- Lesão Pulmonar: Síndrome de Loeffler.
- Lesão Intestinal: Lise de tecido e sucção de sangue, causando anemia e hipoproteinemia.
- Fase Crônica: Palidez, cansaço, desânimo, fraqueza e retardo no desenvolvimento físico e mental.
Profilaxia: Usar calçados, evitar contato com o solo e asfaltamento.
Estrongiloidíase (Strongyloides stercoralis)
Geo-helminto capaz de realizar duplo ciclo evolutivo: vida livre (solo) e vida parasitária (fêmea partenogenética). Localiza-se no duodeno e jejuno.
Ciclos de Vida
- Direto: Larvas L3 penetram na pele, realizam o Ciclo de Loss e se alojam no jejuno, tornando-se fêmeas partenogenéticas.
- Indireto: No solo, larvas desenvolvem-se em machos e fêmeas para reprodução sexuada.
Transmissão: Heteroinfecção (pele), autoinfecção interna (larva L2 vira L3 no íleo/colo) e autoinfecção externa (região anal).
Manifestações e Diagnóstico
- Sintomas: Enterite, lesões urticariformes, hemorragia pulmonar ou Síndrome de Loeffler.
- Quadro Grave: O uso de corticoides acelera a muda de L1 para L2 no intestino, aumentando drasticamente o número de fêmeas (hiperinfecção), podendo ser fatal.
- Diagnóstico: Exame para larvas rabditoides (L1).
- Profilaxia: Tratamento sanitário das fezes e uso de calçados.
Enterobíase (Enterobius vermicularis)
Geo-helminto que habita a região cecal do intestino grosso. Os ovos possuem dupla casca e tornam-se infectantes (L3) após contato com oxigênio no períneo.
Ciclo de Vida e Transmissão
Fêmeas migram para a região perianal para realizar a postura dos ovos, causando prurido (coceira).
- Heteroinfecção: Ingestão de ovos na poeira ou alimentos.
- Autoinfecção externa: Ciclo mão-ânus-boca.
- Autoinfecção interna: Ovos eclodem no períneo e as larvas retornam ao ânus.
Manifestações: Erosões e escoriações na mucosa retal e infecção familiar.
Diagnóstico: Exame de fezes (fita gomada) ou achado de vermes em roupas íntimas.
Profilaxia: Educação sanitária, não sacudir roupas de cama e tratar toda a família.