Princípios da Administração Científica e suas Deficiências

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Princípios da Administração e suas Deficiências

Herbert Simon cita os seguintes princípios da administração científica:

  • Especialização do trabalho: Divisão de tarefas dentro do grupo.
  • Hierarquia de autoridade: Organização dos membros em uma estrutura hierárquica definida.
  • Escopo de controle: Limitação do número de subordinados sob a supervisão de um único gestor.
  • Agrupamento de trabalhadores: Organização por (a) propósito, (b) processo, (c) clientes e (d) localização.

Estes princípios, que visam "aumentar a eficiência administrativa", são descritos por Simon como ambíguos e difíceis de provar empiricamente. Nesta revisão, analisamos cada princípio e os argumentos de Simon para sustentar essa crítica.

Especialização

Simon questiona como a especialização, por si só, garantiria a eficiência administrativa. Ele a vê como uma característica inerente a qualquer grupo de trabalho, e não como um critério de eficiência. Se dois trabalhadores realizam tarefas diferentes, já existe especialização. Portanto, o princípio torna-se um provérbio tautológico: "a eficiência administrativa será aumentada pela especialização no sentido de aumentar a eficiência administrativa".

Unidade de Comando

Supõe-se que a unidade de comando aumenta a eficiência através de uma hierarquia de autoridade. Simon aponta uma contradição entre este princípio e o da especialização (a divisão do trabalho horizontal versus a hierarquia vertical). A exigência de que um subordinado obedeça a uma única chefia gera problemas quando o trabalho exige múltiplas habilidades coordenadas por diferentes especialistas. Simon destaca que, em caso de conflito, a prioridade de uma autoridade sobre a outra limita a especialização no processo decisório.

Escopo de Controle

Este princípio estabelece que a eficiência é beneficiada se o número de subordinados sob controle direto for pequeno (ex: 6 a 8 pessoas). Contudo, este princípio entra em conflito com outros da gestão científica. Simon argumenta que não há evidências empíricas que sustentem um "número mágico" ideal para o controle administrativo.

Organização por Função, Processo, Cliente e Local

Simon considera estes critérios inerentemente inconsistentes. Eles competem entre si, de modo que seguir um deles ocorre, inevitavelmente, em detrimento dos outros. Além disso, há uma ambiguidade significativa na definição dos conceitos de propósito, processo, cliente e localização.

O Dilema da Teoria da Administração

Para Simon, o problema da teoria administrativa reside na falta de critérios claros para diagnosticar situações e aplicar princípios. Geralmente, estuda-se um critério isolado, ignorando que padrões diferentes e incompatíveis podem levar a recomendações contraditórias. Uma teoria administrativa robusta deve considerar todos os critérios simultaneamente e estabelecer formas de ponderá-los quando forem inconsistentes.

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