Processamento Emocional e Funções Executivas no Cérebro

Classificado em Psicologia e Sociologia

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Processamento Emocional no Cérebro Humano

Definição de Emoção

Conjunto de reações químicas e neurais subjacentes à organização das respostas comportamentais básicas necessárias à sobrevivência dos animais.

Conceituando a Emoção

Embora incompleto, o conceito aborda dois aspectos relevantes:

  1. A emoção possui um substrato neural que organiza tanto as respostas aos estímulos emocionais quanto a própria percepção da emoção;
  2. As emoções têm uma função biológica, ou seja, são importantes para que os animais apresentem respostas comportamentais adequadas a certas situações, aumentando suas chances de sobrevivência.

Exemplo: Um animal que não apresenta respostas comportamentais de medo diante de um predador provavelmente não chegará à vida adulta para a reprodução.

No caso do ser humano: Se não nos sentirmos frustrados por um mau resultado obtido, dificilmente iremos rever nosso comportamento a fim de que, em um momento futuro, isso não ocorra novamente.

Classificação das Emoções

Emoções Primárias: São as emoções comuns a todos os indivíduos da nossa espécie, independentemente de fatores socioculturais. Trata-se de uma observação de Charles Darwin em relação às expressões faciais nas diferentes culturas. São reconhecidos pelo menos seis tipos de emoções primárias:

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  1. Alegria
  2. Tristeza
  3. Medo
  4. Nojo
  5. Raiva
  6. Surpresa

Emoções Secundárias: São mais complexas e dependem de fatores socioculturais. Culpa e vergonha são exemplos de emoções que variam de acordo com a cultura.

Emoções Terciárias: São as chamadas "emoções de fundo". Estão relacionadas ao bem ou mal-estar, calma ou tensão. Os estímulos que geralmente promovem essas alterações são internos, gerados por processos físicos ou mentais contínuos que nos levam a um estado de tensão ou relaxamento, fadiga ou energia, etc.

Teorias sobre as Emoções

Teoria de William James e Carl Lange

William James (psicólogo e filósofo, 1842-1910) e Carl Lange (psicólogo, 1834-1900) propuseram que:

  • As emoções são derivadas de alterações fisiológicas do nosso organismo;
  • A ideia é contraintuitiva, pois sugere que as alterações corporais produzidas pelas emoções é que nos levariam a sentir uma determinada emoção.

Exemplo: Sentimos tristeza porque choramos, e não choramos porque nos sentimos tristes.

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Teoria de Walter Cannon (1927)

Walter Cannon (fisiologista, 1871-1945) propôs que:

  • As emoções podem ser vivenciadas mesmo que nenhuma alteração fisiológica seja produzida;
  • Além disso, várias alterações fisiológicas são comuns a diversas emoções, sendo difícil que essas respostas pudessem gerar diferentes emoções;
  • Sua proposta é que a informação emocional é processada no encéfalo e, ao mesmo tempo, são geradas a ativação corporal e a experiência consciente da emoção.

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A Emoção e seu Substrato Neural

O Circuito de Papez

James Papez (anatomista, 1883-1958) propôs em 1937:

  • A diferença evolutiva entre as partes laterais e mediais do cérebro;
  • A região medial, identificada por Charles Herrick (1866-1960), já havia sido denominada também como lobo límbico pelo neurologista francês Paul Broca (1824-1880);
  • Inicialmente, foi proposto que o lobo límbico estaria envolvido na percepção de odores;
  • Papez publicou sobre as diferenças evolutivas dos córtices e o envolvimento do hipotálamo no controle das reações emocionais, como descrito por Cannon;
  • A partir dessa ideia, surgiu a teoria que explica a experiência subjetiva da emoção como um fluxo de informações de conexões anatômicas entre o hipotálamo e o córtex medial, e deste de volta para o hipotálamo.

Este circuito foi denominado Circuito de Papez.

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Teoria de Papez e Paul MacLean (1949)

Aponta para a contribuição de outras estruturas cerebrais:

  • Heinrich Klüver (1897-1979) e Paul Bucy (1904-1992): Apontaram a importância das estruturas do lobo temporal para as emoções.
  • Paul MacLean: Destacou a importância do hipotálamo para a expressão emocional e do córtex cerebral para a experiência emocional. Em 1952, ele introduziu a expressão Sistema Límbico, que incluiria também a amígdala, o septo e o córtex pré-frontal.

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A Amígdala

A amígdala é uma estrutura-chave para o processo de integração das informações sensoriais às respostas comportamentais e fisiológicas, especialmente as de perigo, pois envolvem o medo.

Possui três núcleos principais: basolaterais, corticomediais e central.

Evidências da Participação da Amígdala

  • Há mais de um século, a destruição do lobo temporal está associada a mudanças drásticas no comportamento emocional.
  • Sanger Brown (1852-1928, psiquiatra) e Edward Schäfer (1850-1935, fisiologista) descreveram em 1888 que macacos-rhesus se tornaram mais mansos após lesão nesta região.
  • Esta descoberta foi posteriormente confirmada por Klüver e Bucy.

Síndrome de Klüver-Bucy

Decorrente de lesão do lobo temporal, incluindo a remoção da amígdala, do giro parahipocampal e do hipocampo. Caracteriza-se por:

  • Agnosia visual: incapacidade de reconhecer objetos familiares.
  • Hiperoralidade e perversão do apetite: tendência a levar qualquer objeto indiscriminadamente à boca e ingeri-lo.
  • Comportamento sexual alterado: masturbação e hiperatividade sexual.
  • Mudanças emocionais: ausência de medo (mesmo diante de predadores naturais) e inexpressividade emocional, tanto facial quanto vocal.

A amígdala discrimina estímulos associados ao medo e alerta o organismo, funcionando como o disparador do medo e da ansiedade.

Lesão Bilateral da Amígdala: Mudanças Emocionais

O indivíduo passa a ignorar as expressões de medo e de ira nas outras pessoas, apresenta diminuição da agressividade, não sente medo ou ansiedade, mas preserva o reconhecimento de sentimentos como alegria e prazer.

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As reações emocionais de medo (e de ira) podem ser condicionadas (aprendidas) porque a amígdala responde pela aprendizagem afetiva.

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Som + choque

O rato exibe reação de medo e ansiedade

CONDICIONAMENTO

SOM + CHOQUE

O rato exibe reação de medo e ansiedade

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Som sem choque

O rato exibe reação de medo e ansiedade

O Sistema Límbico tem a função psíquica de avaliação da situação, dos fatos e eventos de vida, realizando a integração dos sistemas nervoso, endócrino e imunológico.

A avaliação afetiva das coisas depende da experiência vivida, das circunstâncias atuais e das normas culturais.

Envolvimento da Amígdala no Comportamento Social

ESTABELECIMENTO DE HIERARQUIA (SUBMISSO E DOMINANTE)

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MANUTENÇÃO DA HIERARQUIA

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LESÃO BILATERAL DA AMÍGDALA DO DOMINANTE: DIMINUI A AGRESSIVIDADE E, CONSEQUENTEMENTE, PROVOCA O REBAIXAMENTO NA HIERARQUIA SOCIAL.

Amígdala, Expressões Faciais e Julgamentos Sociais

As expressões faciais são um meio pelo qual os estados emocionais internos e as intenções "ocultas" dos indivíduos se tornam acessíveis como sinais externos, desempenhando um papel essencial na cognição social.

Exemplo: A lesão bilateral da amígdala resulta na incapacidade de reconhecimento da expressão de medo na face alheia.

Área Pré-Frontal

  • Corresponde à porção não motora do lobo frontal;
  • Caracteriza-se como córtex de associação;
  • Recebe fibras de todas as áreas de associação corticais, ligando-se ainda ao Sistema Límbico.

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  • Desempenha um importante papel na expressão dos estados afetivos;
  • Está relacionada à seleção de comportamentos;
  • Atua na manutenção da atenção;
  • Auxilia no controle do comportamento emocional;
  • Possui função associativa (integrando informações sensitivas internas e externas).

Córtex Pré-Frontal e Tomada de Decisões

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Estudos de Antônio e Hanna Damásio

O Caso Phineas Gage

  • Córtex pré-frontal ventromedial (área lesada): Estrutura essencial para o processamento emocional e a tomada de decisões.

O Caso Elliot

Elliot era um homem de negócios de 30 anos, vítima de um tumor cerebral no córtex pré-frontal. Apresentava memória e atenção intactas, mas severas alterações comportamentais:

  • Demora extrema para realizar tarefas simples;
  • Falta de iniciativa;
  • Tomada de decisões arriscadas e, quase sempre, errôneas.

Por que Elliot não conseguia decidir adequadamente, uma vez que todas as suas funções cognitivas estavam preservadas?

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Córtex Pré-Frontal e o Estilo Afetivo

Há evidências crescentes de que o papel do córtex pré-frontal pode ser lateralizado:

Lesões no Hemisfério Esquerdo:

  • Maior probabilidade de depressão nos pacientes, pois acredita-se que este hemisfério está relacionado ao afeto positivo.

Apresentação de filmes para indivíduos saudáveis:

  • Filmes que induzem medo e nojo geram uma ativação maior do córtex pré-frontal à direita;
  • Filmes que produzem emoções positivas geram uma ativação maior do córtex pré-frontal esquerdo.

Essa ativação cerebral assimétrica está relacionada com a atividade elétrica basal (em repouso) e com uma maior predisposição individual a sentir afeto negativo ou positivo. Estudos com bebês mostram essa predisposição a partir do choro ao afastar-se da mãe. Além disso, indivíduos com maior ativação à direita apresentam diminuição das células Natural Killer, que combatem células tumorais.

Córtex Pré-Frontal e a Regulação da Emoção

A regulação emocional inclui todas as estratégias conscientes e inconscientes para aumentar, manter ou diminuir um ou mais componentes da resposta emocional.

Componentes regulados:

  • Os sentimentos;
  • Os comportamentos;
  • As reações fisiológicas.

Tipos de Estratégias Emocionais

Existem pelo menos duas estratégias principais:

1. Regulação Antecipatória da Emoção:
Exemplo: Diante de uma prova importante, o indivíduo pode regular suas emoções evitando locais onde as pessoas discutem sobre o exame, não prestando atenção a discussões ou mudando cognitivamente o caráter emocional da situação (reavaliação cognitiva).

2. Regulação da Emoção Focada na Resposta:
Neste caso, a emoção já foi instalada. O que fazemos é inibir as respostas emocionais de maneira que as outras pessoas não percebam o que estamos sentindo.

Córtex Pré-Frontal e a Amígdala

  • O córtex pré-frontal é uma estrutura-chave na regulação da emoção;
  • Observa-se uma maior atividade do córtex pré-frontal durante a aplicação de estratégias de regulação para diminuir o impacto emocional;
  • Essa atividade atua diretamente na regulação do nível de ativação da amígdala, conforme demonstrado em estudos com animais e humanos.

Córtex Cingulado Anterior e Ínsula

As teorias de William James & Carl Lange e de Antônio Damásio (como a Hipótese dos Marcadores Somáticos) destacam a importância do corpo nas emoções, mas pouco se sabia sobre as regiões cerebrais envolvidas no processamento dos nossos estados internos.

Teoria de Arthur Craig:

  • Redefinição do conceito de interocepção (sensibilidade visceral);
  • Vias aferentes homeostáticas (simpática e parassimpática) em estruturas do tronco encefálico;
  • Via do tálamo para o córtex insular e o córtex cingulado anterior.

Córtex Insular

  • Situado no fundo e nas margens do sulco lateral;
  • Tem papel central na atenção voltada para os estados internos e nas consequentes sensações subjetivas dos estados emocionais (conhecido como "Córtex Sensorial Emocional");
  • Codifica sensações específicas do corpo, como dor, temperatura, coceira, sensações musculares e viscerais, atividade vasomotora, fome e sede;
  • Sua região mais anterior (especialmente no hemisfério direito) está implicada na mediação do conhecimento explícito dos processos corporais internos, possibilitando julgar e prever seus efeitos sobre o corpo.

Córtex Cingulado Anterior

  • Técnicas de neuroimagem mostram seu envolvimento durante tarefas cognitivas, estimulação dolorosa e processamento de teor emocional;
  • Estudos revelam que as representações da dor física e da dor social são sobrepostas no córtex cingulado anterior;
  • Este sistema é responsável por detectar pistas que ponham o organismo em risco, seja por dano físico ou por separação social;
  • A ínsula e o córtex cingulado anterior constituem a base da nossa capacidade de formar representações subjetivas de sentimentos (empatia e autopercepção), prevendo as prováveis consequências associadas a eles.

Cognição e Funções Executivas

Conceito de Funções Executivas

O paradoxo central da neurobiologia do comportamento foi compreendido em sua totalidade a partir da segunda metade do século XX:

  • Paradoxo Clínico: Indivíduos com graves alterações de comportamento e personalidade que, no entanto, apresentam desempenho normal em testes cognitivos padronizados.
  • Primeiro Caso de Expressão: Phineas Gage, de 25 anos, capataz de uma turma de operários, atingido por uma barra de ferro. Caso descrito pelo Dr. John Harlow.

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  • Recuperação: Aparentemente milagrosa, mas que se tornou um pesadelo familiar devido a drásticas alterações de personalidade. Gage faleceu em São Francisco junto à família.
  • Segundo o Dr. Harlow: Houve uma recuperação mental apenas parcial, com faculdades intelectuais nitidamente comprometidas. As operações mentais eram perfeitas em qualidade, mas não em quantidade ou grau.

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  • Caso E.V.R. (estudado por Paul Eslinger e Antônio Damásio): Empresário bem-sucedido que apresentou alterações de personalidade idênticas às de Gage após a remoção cirúrgica de um tumor cerebral no lobo frontal.

O que é a Função Executiva?

É o conjunto de operações mentais que organizam e direcionam os diversos domínios cognitivos categoriais para que funcionem de maneira biologicamente adaptativa, garantindo que a utilização de recursos físicos e sociais seja econômica e eficaz.

  • Cognição intacta e integrada;
  • Autonomia do indivíduo;
  • A falha nesse sistema gera a perda de autonomia, tornando o indivíduo anormalmente dependente (apresentando passividade, docilidade ou indiferença).

Autonomia Individual

A autonomia individual pode ser apreciada a partir de duas ilustrações principais:

  1. O Teste de Interferência Cor-Palavra (Teste de Stroop), amplamente utilizado em baterias neuropsicológicas;
  2. Uma situação clínica comum: a Síndrome do Déficit de Atenção na infância.

Teste de Stroop (Interferência Cor-Palavra)

Consiste em duas etapas. Pede-se ao indivíduo que diga em voz alta, o mais rápido que puder, o nome das cores de uma série de estímulos.

Primeira Etapa:

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Segunda Etapa (Teste de Interferência):

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  • O tempo despendido e o número de erros são rigorosamente anotados.
  • Exemplo de controle: Em um banco de dados com 24 indivíduos normais com mais de 50 anos, a média foi de 20 a 30 segundos para pronunciar os 24 estímulos das duas etapas do teste.
  • O "Efeito Stroop": É definido pelo tempo adicional (neste caso, os 10 segundos a mais despendidos na segunda etapa). Isso se deve à dominância que a leitura exerce sobre a denominação de cores em pessoas alfabetizadas.

Interpretação do Teste de Stroop

O teste exemplifica a capacidade de suprimir a influência de certos estímulos do ambiente, conferindo maior flexibilidade e liberdade de escolha ao indivíduo. Indivíduos com disfunção executiva levam muito mais tempo na segunda etapa do teste, indicando que o ambiente determina seu comportamento de forma muito mais acentuada do que o esperado em condições normais.

Síndrome do Déficit de Atenção (TDAH)

Uma das condições neuropsiquiátricas mais prevalentes na infância. A síndrome repousa sobre três eixos básicos:

  1. Desatenção;
  2. Hiperatividade motora;
  3. Impulsividade comportamental.

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Caracterização dos Sintomas

  • Desatenção: Erros por descuido na escola ou no trabalho, dificuldade de manter o engajamento em deveres ou brincadeiras, tarefas inacabadas, desorganização, preguiça mental e interrupção do curso de ação ou de pensamento por estímulos ambientais irrelevantes.
  • Hiperatividade e Impulsividade: Inquietude, dificuldade de permanecer sentado ou de esperar a sua vez, tagarelice e tendência a responder antes que as perguntas sejam concluídas.

*Esses comportamentos ocorrem à custa da redução da capacidade de autorregulação do indivíduo.

Arquitetura das Funções Executivas

Um modelo de organização cognitiva humana foi construído a partir do método anatomoclínico, influenciado pela observação sistemática de pacientes com síndromes cognitivas.

As relações topográficas se enfraquecem quando tentamos associar rigidamente as lesões dos lobos frontais às síndromes disexecutivas.

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Lesões extensas dos lobos frontais podem evoluir sem sintomas evidentes. Por outro lado, síndromes disexecutivas são observadas em pacientes com lesões fora dos lobos frontais. Por essa razão, conservam-se as discussões clínico-topográficas em dois níveis:

  1. Cognitivo-comportamental;
  2. Anatômico.

As funções executivas são as de mais difícil localização. O relato do paciente ou de fontes colaterais sobre o comportamento são frequentemente diversificados, pois essas funções se manifestam em ambientes que demandam criatividade, respostas rápidas, resolução de problemas novos, planejamento e flexibilidade cognitiva.

Funções Executivas e Lobos Frontais

Redes Executivas Frontais

  • Estabelece o vínculo anatomoclínico entre os lobos frontais e as regiões conectadas a eles;
  • As redes frontais se distribuem vastamente pelo córtex e estruturas subcorticais;
  • Novas técnicas de imagem associadas à psicofisiologia revelaram que as síndromes disexecutivas por lesões fora do lobo frontal também se associam a essa rede.

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Funções Executivas segundo Lúria

Para Alexander Lúria, os lobos frontais são essenciais para a regulação verbal do comportamento:

  • Até os 2 anos: Uma criança normal é capaz de cumprir ordens verbais simples;
  • A partir dos 4 anos: Com a crescente maturação do córtex cerebral, a criança torna-se capaz de executar ações motoras complexas a partir de comandos condicionados (ex: "quando acender a luz azul, abra a boca");
  • Adultos: Portadores de lesões frontais são frequentemente incapazes de passar de uma ação a outra quando tais ações constituem elos de uma cadeia comportamental complexa.

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