O Processo de Envelhecimento e suas Alterações Fisiológicas

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Preocupação: O envelhecimento é um processo dinâmico e progressivo, caracterizado por alterações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas, psicológicas e físicas que podem agravar as condições de vida da pessoa idosa.

Aspectos Positivos do Envelhecimento

  • Perfil psicológico mais preparado para lidar com as situações que venham a alterar seu humor;
  • Menos lembranças dos momentos ruins.

Envelhecimento Orgânico

Caracteriza-se pelo declínio do funcionamento, da autorregulação e da maturação dos órgãos (idade biológica). O envelhecimento orgânico é equivalente ao envelhecimento normal.

Ocorre o declínio no número ou na capacidade das células necessárias para o funcionamento ideal do indivíduo e de seus sistemas (cardiovascular, musculoesquelético, nervoso e ósseo).

Envelhecimento do Sistema Cardiorrespiratório

Neste sistema, observam-se alterações na elasticidade e complacência dos pulmões, bem como na capacidade de dilatação dos bronquíolos. Ocorre a atrofia dos músculos respiratórios e mudanças no tamanho dos ductos, sacos alveolares e da caixa torácica.

Principais impactos:

  • Redução da ventilação pulmonar (renovação do ar) e da capacidade vital (volume de ar expelido na inspiração/expiração);
  • Diminuição da ventilação expiratória máxima e do volume expiratório forçado;
  • Aumento do volume residual, do espaço morto anatômico (ar que fica na traqueia, brônquios e sibilos) e da ventilação durante o exercício.

Envelhecimento do Sistema Musculoesquelético

Afeta a estrutura dos ossos, o tecido condroide (cartilagem articular, meniscos e discos intervertebrais), o tecido fibroso (ligamentos, tendões e cápsulas articulares), a gordura e o músculo esquelético.

Perdas com a idade e fragilização:

  • Os ossos tornam-se mais frágeis;
  • A cartilagem perde a resiliência (capacidade de voltar à forma original);
  • O músculo esquelético perde potência e elasticidade;
  • Ocorre a perda de elasticidade nos ligamentos e a redistribuição da gordura por todo o sistema.

Causas, Quantidade de Tecido e Modificações

As alterações decorrem da modificação das proteínas estruturais (colágeno e elastina), do acúmulo de moléculas degradadas na matriz tecidual e da redução na eficiência de elementos funcionais dos tecidos. Há uma diminuição na capacidade de síntese de células diferenciadas na população de células-tronco, além de níveis alterados de hormônios tróficos circulantes, fatores de crescimento e citocinas (função imune) ou capacidade alterada de resposta celular.

Tecido Ósseo

É um tecido conjuntivo mineralizado, altamente vascularizado, vivo e em constante transformação. Possui funções mecânicas e homeostáticas, protege órgãos internos, permite a locomoção, o suporte de cargas e atua como um importante reservatório de cálcio.

Cargas mecânicas nas AVDs ou por exercícios extremos: Provocam alterações nos osteoclastos (reabsorção óssea), nos osteoblastos (formação óssea) e nos osteócitos (que respondem a cargas mecânicas e regulam a reabsorção e formação), além de afetar o colágeno e o tecido mineral ósseo.

Articulações: Função e Composição

A função das articulações é proporcionar movimento e sustentação mecânica. Sua composição inclui:

  • Cartilagem articular: Colágeno tipo II (principal proteína estrutural, responsável pela resistência à tração e firmeza);
  • Condrócitos: Células-tronco para manutenção da matriz;
  • Proteoglicanas: Proteínas intracelulares que capacitam a cartilagem a suportar cargas compressivas;
  • Água.

Alterações na Cartilagem

Ocorre a redução da capacidade reparadora e da síntese da matriz cartilaginosa, além de alterações na ação enzimática. Observa-se a diminuição no número e na espessura das fibras colágenas, aumento da rigidez da cartilagem e redução da quantidade de água e proteoglicanas (responsáveis pela elasticidade).

Isso resulta em menor extensibilidade e no aparecimento de rachaduras e fendas na superfície da cartilagem, tornando-as mais frágeis. A perda do poder de agregação das proteoglicanas causa menor resistência mecânica na articulação, aumento da curvatura nas articulações intervertebrais e apoptose de condrócitos (morte celular programada).

Patologias Ósseas e Articulares

  • Osteoporose: É uma doença óssea sistêmica (generalizada a todo o esqueleto), que por si só não causa sintomas. É caracterizada por uma densidade mineral óssea (DMO) diminuída e alterações da microarquitetura, aumentando a fragilidade e o risco de fraturas.
  • Artrose: Doença causada pelo desgaste da cartilagem, provocando aumento da fricção entre os ossos, inflamação local (artrite), dor e incapacidade funcional.
  • Osteopenia: Um alerta indicando a diminuição da massa óssea. Diagnosticada pela densitometria óssea, se não tratada, pode evoluir para osteoporose.

Ligamentos e Músculos

Ligamentos: Possuem características elásticas, sendo capazes de absorver cargas de choque e voltar à forma anatômica, auxiliando no fortalecimento das articulações sinoviais. O envelhecimento traz modificações estruturais no colágeno e na elastina.

Músculos: O músculo esquelético representa a maior massa tecidual e é uma das principais estruturas do corpo.

Sarcopenia: O Principal Processo

A sarcopenia é uma doença caracterizada pela perda de força e massa muscular, afetando principalmente idosos. Envolve a redução da capacidade de ativação das fibras frequentemente estimuladas, menor velocidade de condução do impulso nervoso e, consequentemente, a redução no número de unidades motoras que inervam fibras rápidas (perda de até 50% das unidades).

Fatores contribuintes:

  • Hormonais: Alterações na testosterona, estrógeno e andrógeno adrenal;
  • Metabólicos: Desbalanço proteico (maior degradação e menor síntese);
  • Imunológicos e Nutricionais;
  • Inatividade Física: Menor nível de atividade física leva à menor massa muscular.

Sistema Nervoso e Imune

Sistema Nervoso: Responsável pelas sensações, movimentos, funções psíquicas e biológicas internas. Sua estrutura compreende o cérebro (principal órgão), cerebelo, tronco encefálico e medula espinhal, tendo o neurônio como unidade funcional.

Sistema Imune: Atua na prevenção de doenças contra vírus, bactérias e células tumorais. A deterioração deste sistema com a idade é chamada de imunossenescência.

Alterações Sensoriais e Impacto nas AVDs

Ocorre a redução no número de papilas gustativas laterais (doce/salgado) e o predomínio das centrais (ácido/amargo). A diminuição do fluxo salivar e da identificação de odores afeta o prazer alimentar.

Impactos nas Atividades de Vida Diária (AVDs):

  • Olfato, paladar e visão influenciam o hábito alimentar e o apetite;
  • Alterações visuais aumentam o número de quedas;
  • Audição: A presbiacusia é a perda auditiva relacionada ao envelhecimento.

Essas modificações comprometem a interação social, afetiva e econômica do idoso.

Sistema Nutricional e Desnutrição

A desnutrição afeta de 2% a 10% dos idosos saudáveis e até 60% dos institucionalizados. As causas incluem problemas na dentição, redução da força de mastigação, aspectos psicossociais e alterações gastrointestinais.

A perda proteica e a redução na absorção de cálcio, vitaminas (A, D, B12), ferro, ácido fólico e zinco são fatores críticos para a progressão da sarcopenia, caquexia e declínio funcional.

Funcionalidade Motora

A decadência motora inicia-se a partir da terceira década de vida, afetando componentes como coordenação, flexibilidade, força, agilidade, equilíbrio e resistência aeróbia.

  • Agilidade: Capacidade de mudar de direção rapidamente. Depende do sistema neuromotor, força e flexibilidade.
  • Equilíbrio Dinâmico: Controle da postura para responder às demandas ambientais com segurança. O déficit causa dificuldades no andar e na mobilidade.
  • Força Muscular: Resultado da contração muscular. Há uma perda de 12-15% por década após os 40 anos, sendo a perda de força dinâmica superior à estática.
  • Resistência Aeróbica: Capacidade de realizar movimentos prolongados. Está associada à eficiência cardiorrespiratória em converter oxigênio em energia. Ocorre uma perda de cerca de 1% ao ano na captação máxima de oxigênio.

Essas alterações estão envolvidas em doenças como arteriosclerose, hipertensão e doenças neurodegenerativas (Alzheimer e Parkinson).

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