O Processo de Leitura: Definições, Técnicas e Métodos

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Leitura: A leitura é o processo de recuperação e compreensão de qualquer informação ou ideias armazenadas em um suporte e passadas por algum tipo de código, geralmente uma linguagem que pode ser visual ou tátil (por exemplo, o sistema Braille). Outros tipos de leitura podem não ser baseados na linguagem, como a notação musical ou pictogramas.

Propõem-se três definições para a leitura:

  • Saber como se pronunciam as palavras escritas.
  • Saber identificar as palavras e o significado de cada uma.
  • Saber extrair e entender o significado de um texto.

O Processo de Leitura

O processo pelo qual lemos consiste em quatro etapas:

  1. Visualização: Quando lemos, os olhos não deslizam continuamente sobre as palavras, mas realizam um processo em lote: cada palavra absorve a fixação dos olhos por cerca de 200-250 milissegundos e, em apenas 30 milissegundos, pula para a próxima, no que é conhecido como movimento sacádico. A velocidade de deslocamento é relativamente constante entre os indivíduos, mas, enquanto um leitor lento se concentra em cinco a dez letras de cada vez, um leitor regular pode se concentrar em cerca de uma dúzia de letras. Também influencia a velocidade de leitura o trabalho de identificação das palavras em questão, que varia conforme o conhecimento prévio do leitor.
  2. Fonação: Articulação oral consciente ou inconsciente; pode-se dizer que a informação passa da vista para a fala. É nesta fase que pode haver a subvocalização. A leitura subvocalizada pode ser um mau hábito que retarda a leitura e a compreensão, mas pode ser essencial para a compreensão de materiais como poesia ou transcrições de declarações orais.
  3. Audição: A informação passa da fala para o ouvido (o som introauditivo é, geralmente, inconsciente).
  4. Cerebração: A informação passa do ouvido ao cérebro e integra os elementos que estão sendo processados. Esta etapa conclui o processo de compreensão.

Leituras Especiais

A leitura de escritas diferentes das línguas ocidentais, ou de sistemas especiais como a notação musical ou o Braille, difere do processo descrito anteriormente.

Direcionalidade da Leitura

Experimentos com diferentes escritas demonstraram que os movimentos dos olhos não apenas se acostumam com a direção da leitura, mas com todo o sistema perceptual. Por exemplo, se você escrever da esquerda para a direita ou de cima para baixo (como no chinês tradicional), não apenas as direções mudam, mas também a sua expectativa de percepção e a identificação de palavras mudarão de forma correspondente.

Caracteres Especiais

Escrituras que usam caracteres especiais não possuem um alfabeto. Por exemplo, na escrita chinesa, cada caractere representa uma sílaba; ou seja, a leitura de um texto caractere por caractere permite vocalizar sílaba por sílaba. Um personagem pode ter seu significado deduzido imediatamente. Portanto, embora o tipo de letra seja muito diferente do ocidental, não há tantas diferenças estruturais: as durações das fixações, as distâncias das sacadas e as extensões de campo mudam, mas o básico, como a subvocalização e as regressões, são quase idênticos.

Braille

O Braille é uma escrita tátil usada por cegos, lida com as mãos em vez dos olhos. A leitura desta escrita é muito mais lenta do que a leitura sequencial e visual.

Notação Musical

A notação musical é a escrita para a música. Embora seja possível cantar uma melodia, as notas não podem ser vocalizadas diretamente como um texto, especialmente se contiverem acordes (várias notas soando simultaneamente). Em geral, o leitor converte as notas não em fala, mas em movimentos do corpo. Os movimentos oculares ajustam-se ao conteúdo do texto: se a melodia domina, o olhar é atraído horizontalmente; se a harmonia domina, o traçado é mais vertical.

Fórmulas Matemáticas

A leitura de fórmulas matemáticas difere de leitor para leitor. Embora geralmente sejam lidas da esquerda para a direita, há muitos casos especiais, como em frações ou matrizes. A leitura de fórmulas é muito mais abstrata do que a de outros textos; é possível vocalizar uma fórmula, mas isso nem sempre ajuda a entender seu significado. A compreensão de fórmulas é um campo interessante, mas existem poucos experimentos nessa área.

Técnicas de Leitura

Existem diferentes técnicas para adaptar a leitura ao objetivo do leitor. As duas intenções mais comuns são maximizar a velocidade e maximizar a compreensão do texto. Em geral, estes objetivos são opostos, sendo necessário encontrar um equilíbrio entre ambos.

Métodos Convencionais

Entre as técnicas convencionais que buscam maximizar o entendimento, estão a leitura sequencial, a leitura intensiva e a leitura extensiva.

Leitura Sequencial

A leitura sequencial é a forma comum de ler um texto. O leitor lê no seu tempo individual, do começo ao fim, sem repetições ou omissões.

Leitura Intensiva

O objetivo da leitura intensiva é entender o texto completo e analisar as intenções do autor. O leitor não se identifica emocionalmente com o texto ou protagonistas, mas analisa o conteúdo, a linguagem e a argumentação de forma neutra.

Ensino da Leitura

Existem vários métodos de ensino da leitura, sendo os mais relevantes:

O método fônico baseia-se no princípio alfabético, que envolve a associação direta entre fonemas e grafemas. Este método deve ser aplicado o mais cedo possível, incluindo o ensino explícito das relações entre vogais e consoantes. A fundamentação teórica é que a criança treinada sistematicamente será capaz de entender cada palavra nova que encontrar.

A crítica comum a este método é que focar primeiro na técnica e depois no significado pode desestimular o aluno, atrasando o mais importante: a compreensão. Além disso, é útil apenas em línguas alfabéticas onde a relação entre letra e som é clara.

A abordagem global acredita que a atenção deve incidir sobre as palavras, que são as unidades com significado. Baseia-se na memorização inicial de palavras que servem de base para o aprendizado, onde o significado de novas palavras é reconhecido com ajuda do contexto (fotos, conhecimentos prévios, etc.). A convicção básica é que o significado de uma sentença não exige o conhecimento individual de todas as palavras, mas resulta de uma leitura global.

A abordagem construtivista, baseada na obra de Jean Piaget, pressupõe que as crianças desenvolvem aspectos fonológicos naturalmente. No aprendizado da língua escrita, a criança desenvolve ideias próprias, percebendo, por exemplo, que a escrita é diferente de imagens e estabelecendo relações entre o oral e o escrito.

Compreensão de Leitura

A compreensão leitora tem grande peso no exercício da razão e visa desenvolver a capacidade de leitura analítica, sendo um dos objetivos básicos das novas abordagens de ensino.

Exercícios de medida de compreensão de leitura avaliam:

  • A capacidade de reconhecer o significado de uma palavra ou frase no contexto de outras ideias;
  • A capacidade de compreender e identificar os conceitos básicos da leitura;
  • A capacidade de identificar as relações entre as ideias para a análise e síntese de informações.

Vícios de Leitura

A leitura é o principal exercício para o cérebro. A capacidade de leitura melhora através de dois métodos: o aprimoramento da mecânica e o aumento da compreensão.

Estes são os vícios que afetam a leitura:

  1. Problemas visuais: É recomendável controlar a visão periodicamente.
  2. Desrespeito ao biorritmo pessoal: Ler em momentos inadequados ou quando se está exausto.
  3. Má iluminação: A luz deve ser potente e bem direcionada ao texto.
  4. Ler deitado: Deve-se ler sentado, com um bom apoio e os pés no chão.
  5. Apoiar o livro na mesa: Deve-se elevar o texto a uma posição de 45 graus para evitar problemas posturais.
  6. Distância inadequada: A distância deve ser equilibrada. De longe, o campo visual aumenta, mas a nitidez diminui; de perto, a nitidez melhora, mas o campo visual reduz.
  7. Mover a cabeça: A cabeça deve ficar imóvel; apenas os olhos devem se mover.
  8. Leitura por pequenos saltos: O salto é o processo que o olho faz entre dois pontos de leitura. O leitor lento faz muitos saltos curtos (lendo sílabas), o que torna o resultado pobre. Um salto eficaz deve ser rápido, evitar repetições e maximizar o campo visual. O ideal é fazer cerca de dois saltos por linha.
  9. Barreira do som: Para superar isso, deve-se eliminar a repetição labial e mental das palavras. A subvocalização desacelera o cérebro. Exercícios como cantar ou recitar algo enquanto lê podem ajudar a dissociar a vocalização da leitura visual.
  10. Falta de abordagens complementares: A leitura deve ser complementada com técnicas de estudo, concentração e expressão inteligente.

Para aperfeiçoar os mecanismos de leitura, é conveniente praticar diariamente. Existem testes gratuitos para medir o desempenho. Saber como você lê, a rapidez e o nível de compreensão é fundamental para a mudança. O método de leitura dinâmica tem se mostrado eficaz em todo o mundo.

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