Processos Erosivos, Manejo e Conservação do Solo
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Fases do Processo Erosivo
- Desagregação: Desprendimento de partículas e agregados da massa de solo. Fontes de Energia Cinética (EC): Gota da chuva (impacto), escoamento superficial (enxurrada), cisalhamento (abrasão) e preparo do solo.
- Transporte: Fontes de Energia Cinética (EC): Gota da chuva (salpicamento) e escoamento superficial (enxurrada).
- Deposição: Ocorre quando cessa a energia cinética do transporte, sendo caracterizada pela sedimentação.
Formas de Erosão
- Erosão entre sulcos: Sem concentração de enxurrada, com escoamento superficial difuso. A capacidade de desagregação é maior que a capacidade de transporte; logo, a perda é limitada pelo transporte.
- Erosão em sulcos: Escoamento concentrado. A desagregação e o transporte ocorrem principalmente por enxurrada. Efeitos da gota da chuva: Selamento superficial na forma entre sulcos (indireto), aumento da turbulência do fluxo (maior transporte) e aumento da largura do sulco. A capacidade de desagregação é menor que a capacidade de transporte; logo, a perda é limitada pela desagregação.
- Erosão em canal: Escoamento concentrado na via de drenagem; permite a passagem de máquinas. A capacidade de desagregação é menor que a capacidade de transporte; logo, a perda é limitada pela desagregação.
- Voçoroca: Geralmente em vias de drenagem naturais. Não pode ser transposta por máquinas. A capacidade de desagregação é menor que a capacidade de transporte; logo, a perda é limitada pela desagregação.
Fatores Controladores
- Chuva (Erosividade): Refere-se à energia cinética da enxurrada.
- Características intrínsecas do solo (Erodibilidade): Refere-se à resistência do solo à erosão.
- Topografia (comprimento de rampa, forma, declividade): Refere-se às características da encosta vertente e à energia cinética na enxurrada.
- Uso e manejo do solo (culturas, sistemas de preparo): Refere-se tanto à energia cinética da gota e da enxurrada quanto à resistência do solo à erosão.
- Práticas conservacionistas (cultivo em nível, cultivo em faixas, terraceamento): Refere-se à energia cinética da enxurrada.
Características da Cultura que Interferem na Erosão
- Energia Cinética da gota: Ciclo da cultura, área foliar, altura do dossel e quantidade de resíduo superficial deixado na superfície.
- Energia Cinética da enxurrada: Quantidade de resíduo superficial, ação de raízes em agregar o solo (maior infiltração) e densidade das plantas.
- Resistência do solo à erosão: Adição de biomassa (Matéria Orgânica - MO), ação de raízes (agregação) e atividade biológica.
Compactação do Solo
Componentes da compactação: Densidade, porosidade e resistência do solo.
Umidade: Interfere nas forças de coesão e adesão. Avaliação da compactação: Penetrometro, trincheira, porosidade do solo (pesquisa), densidade relativa e resistência à penetração relativa.
Consequências: Desenvolvimento radicular, disponibilidade de água, produtividade, redução da taxa de infiltração de água, erosão do solo e escorrimento superficial.
Manejo de Pastagens e Culturas
Minimizar perdas de solo em pastagens: Maximizar a produção de fitomassa via consórcio, adubação e renovação frequente; impedir a entrada de animais no fundo de vale (cerca), pois causam formação de canal por pisoteio (voçoroca); bebedouros e saleiros a meia encosta; terraços de absorção com camalhão compactado e baixo que permitam a passagem de animais sem destruí-los.
Rotação de culturas: Nutrientes residuais e ciclagem de aporte de biomassa. Requisitos: Exigências nutricionais distintas, volumes de solo explorado distintos, não serem hospedeiros de pragas da próxima cultura e não serem suscetíveis às mesmas pragas e doenças.
Estrutura e Selo Superficial
- Tipos de estruturas: Laminar, colunar, prismática, blocos angulares, blocos subangulares e granular.
- Selo superficial: É a formação de uma camada na superfície do solo de baixa permeabilidade, devido ao acúmulo de materiais do solo nos macroporos abaixo da superfície e à energia de impacto das gotas da chuva.
- Processos afetados pela estrutura: Suprimento de água às raízes, aeração, germinação e emergência, crescimento radicular, infiltração e percolação, resistência à desagregação e operação de elementos sulcadores.
Manejo de Cobertura e Mecânica da Erosão
- Manejo de cobertura: Época: Início do enchimento do grão. Formas: Químico (dessecação) ou mecânico (rolagem e roçada).
- Desagregação: Fontes de EC: Gota de chuva (impacto), escoamento superficial (enxurrada/cisalhamento/abrasão) e preparo do solo. Resistência do solo: Grau de agregação (textura, MO, raízes).
- Transporte: Fontes de EC: Gota de chuva (salpicamento - arremesso a curta distância) e escoamento superficial (enxurrada - curta ou longa distância).
- Erosão em sulcos (detalhes): Concentração de enxurrada em canais naturais ou induzidos; escoamento concentrado e turbulento; desagregação e transporte causados principalmente por enxurrada. A erosão entre sulcos independe da erosão em sulcos, mas a erosão em sulcos depende da quantidade de enxurrada fornecida pela erosão entre sulcos. Efeitos da gota: Selamento superficial (indireto), aumento da turbulência e da largura do sulco. Capacidade de desagregação < capacidade de transporte (perda limitada pela desagregação).
- Características determinantes da erodibilidade: Estabilidade de agregados (textura, mineralogia, MO) e permeabilidade do perfil.
Controle da Compactação
- Consequências: Desenvolvimento radicular, disponibilidade de água, produtividade, redução da taxa de infiltração, erosão e escorrimento superficial.
- Controle Preventivo: Controle da pressão de inflação dos pneus, escolha do tipo de pneu (radial ou diagonal), manejo do tráfego de máquinas e pisoteio animal, rotação de culturas com espécies de raízes pivotantes ou fasciculadas, manutenção do estoque de MO e manejo da calagem.
- Controle Curativo: Uso de raiz pivotante agressiva, escarificação ou subsolagem.
Estabilização de Voçorocas e Infraestrutura
- Estabilização de voçorocas: Geotêxtil: Utilizado para controle e recuperação definitiva, diminuindo a produção e barramento de sedimentos; o sistema de barragens evita transbordamentos.
- Revegetação para controle permanente: Cobertura rápida: Espalhar sementes de gramíneas rústicas. Cobertura de longo prazo: Espécies adaptadas ao solo, com mistura de vegetação rasteira, arbustiva e arbórea (muda ou estaquia).
- Estradas Rurais: Quando não for possível fazer em nível, deixá-las enviesadas ou no divisor de águas. A pior situação é locá-las na via de drenagem, no sentido da pendente. O leito deve ser abaulado e mais alto que o terreno adjacente.
- Faixas: Rotação, retenção e conjugadas.
Terraços
Função: Reduzir o comprimento de rampa, aumentar o armazenamento de água, disciplinar o escorrimento superficial e servir de guia para cultivo em nível e em faixas.
- Base estreita: Menor que 3m, declividade de 12 a 18%. Construção manual, tração animal ou mecânica. Geralmente em gradiente (áreas com mais declividade e solos mais rasos).
- Base larga: 6 a 12m, declividade até 12%. Trator e arado ou terraceador de base larga. Geralmente em nível (áreas com menos declividade e solos mais profundos).
- Embutido: Até 12%. Motoniveladora, trator de esteira ou terraceador; talude de montante praticamente na vertical.
- Embutido Invertido: Até 18%. Arado; deve-se gramar o talude íngreme da jusante.
- Murundum: Até 18%. Trator de esteira e concha.
- Patamar: Verdadeiros terraços, para declividade > 18%. Associado a uma sistematização do terreno e culturas perenes de alto retorno. O talude deve ser revestido com grama ou cultura perene.
- Banqueta individual: Declividade > 15%. Culturas perenes de alto retorno, utilizada quando não se pode construir patamar.