Proteínas: Guia sobre Estrutura, Funções e Classificação

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Conceito de Proteínas

As proteínas são um dos principais nutrientes que nosso corpo necessita. O nome vem do grego proteios, que significa "que tem primazia". Estão presentes em toda matéria viva e, de fato, são essenciais à vida.

São polímeros constituídos a partir de unidades estruturais menores (os monômeros), formados por alguns dos 20 aminoácidos diferentes. Estes são interligados por ligações peptídicas, formando cadeias que diferem em peso molecular, carga e característica polar. Seu teor varia nos alimentos.

Aquisição e Qualidade Biológica

As proteínas são adquiridas por meio da dieta e metabolizadas em aminoácidos (AA). São importantes tanto em quantidade quanto em qualidade, devendo ser ingeridas conforme as necessidades decorrentes de:

  • Idade (crianças e idosos);
  • Condições fisiológicas (patologias, gestação, lactação).

Qualidade Biológica: Para uma qualidade biológica adequada, é necessária a ingestão correta de calorias (carboidratos e lipídios). As proteínas devem ser digeríveis, palatáveis e não tóxicas. A qualidade depende da distribuição qualitativa e quantitativa de AA, bem como do teor e proporções dos aminoácidos essenciais (aqueles que o organismo não produz).

Funções Biológicas das Proteínas

  • Contrátil: Atua na contração muscular. Ex: actina e miosina.
  • Estrutural: Presente na pele, músculos, ossos e membrana celular. Ex: colágeno e queratina.
  • Defesa: Ação no sistema imunológico. Ex: imunoglobulinas.
  • Transporte: Transporte de O2 e CO2. Ex: hemoglobina e transferrina.
  • Nutritivas e de reserva: Ex: ovalbumina e caseína.
  • Catalisadores: Aceleram reações químicas. Ex: enzimas como as lipases.
  • Hormônios: Ex: insulina, glucagon e hormônios da tireoide.
  • Tecnológica: Atuam na textura como ingrediente usado na fabricação de diversos produtos alimentícios.

Composição e Estrutura

Composição Química: 50 a 55% de carbono, 20 a 23% de oxigênio, 15 a 18% de nitrogênio, 6 a 8% de hidrogênio e 0 a 4% de enxofre. São 21 aminoácidos diferentes ligados entre si por meio de ligações peptídicas.

Aminoácidos Essenciais e Não Essenciais

  • Essenciais: Leucina, Isoleucina, Lisina, Metionina, Fenilalanina, Treonina, Triptofano, Valina e Histidina.
  • Não Essenciais: Alanina, Asparagina, Ácido aspártico, Cistina, Ácido glutâmico, Glutamina, Glicina, Prolina, Serina, Tirosina e Arginina (semi-essencial).

Peptídeos

  • Peptídeo: Molécula formada pela união de aminoácidos através de uma ligação peptídica.
  • Oligopeptídeo: Formado por poucos aminoácidos.
  • Polipeptídeos: Formados por muitos aminoácidos.

Composição de Aminoácidos: Nos 20 aminoácidos mais frequentes, variam o número, a sequência, o tamanho da cadeia e a conformação da molécula.

Níveis de Estrutura das Proteínas

  • Primária: Sequência de aminoácidos que forma a molécula; é a identidade de uma proteína. A modificação de apenas um aminoácido altera a estrutura primária e cria uma outra proteína, que pode ser inativa ou ter outra função biológica.
  • Secundária: É a maneira como os aminoácidos interagem, criando uma conformação espacial de polipeptídeos. É um arranjo espacial regular e repetitivo.
  • Terciária: Conformação adicional à estrutura secundária em que a macromolécula dobra-se sobre si mesma em três dimensões.
  • Quaternária: Associação de duas ou mais cadeias polipeptídicas para formar a estrutura total da proteína. Ocorre somente em proteínas que contêm mais de uma cadeia.

Proteínas Fibrosas vs. Globulares

  • Proteínas Fibrosas: Moléculas em forma de bastonetes com cadeias arranjadas em longas fitas ou folhas. Desempenham papel de suporte e proteção. São insolúveis em água. Ex: colágeno e elastina.
  • Proteínas Globulares: Cadeias arranjadas em formas esféricas, estruturalmente mais complexas. Possuem funções biológicas variadas e podem ser solúveis em água ou soluções salinas, ácidas e alcalinas. Ex: anticorpos, hemoglobina e albumina.

Classificação das Proteínas

  • Proteínas simples: Compostas apenas por aminoácidos. Ex: albumina, glutenina e gliadina.
  • Proteínas conjugadas: Compostas por uma parte proteica (AA) e uma parte não proteica (lipídios, carboidratos, ácido nucleico, etc). Ex: glicoproteínas e lipoproteínas.
  • Proteínas derivadas: Formadas a partir de outras proteínas por hidrólise ácida ou enzimática. Ex: proteases e peptonas.

Classificação quanto aos Aminoácidos

  • Proteínas Completas: Principalmente de origem animal (carnes, peixe, ovos, leite e queijo), contêm um perfil adequado de aminoácidos.
  • Proteínas Incompletas: Apresentam deficiência em um ou mais aminoácidos essenciais (fator limitante). Comumente de origem vegetal (cereais e leguminosas).
  • Exceções: Gelatina (colágeno) e globina do sangue são proteínas animais incompletas.

Proteínas nos Alimentos e Processamento

A composição dos aminoácidos influencia as propriedades funcionais e tecnológicas dos alimentos, afetando o processamento, sabor e flavor. Por exemplo, proteínas da carne desnaturam entre 57-75ºC, alterando a retenção de água e textura. Aminoácidos podem ter sabores adocicados (Gli, Ala, Glu, Ser), amargos (Tir, Val, Met, His) ou azedos (Glu, Asp).

Principais Proteínas por Alimento:

  • Carne: Miosina, actina e colágeno.
  • Leite: Caseína, lactoalbumina e lactoglobulina.
  • Ovo: Na clara (ovalbumina, canalbumina, glicoproteína, avidina); na gema (lipovitelina, fosfovitina, livitina).
  • Trigo: Prolamina (gliadina) e glutelina (glutenina).

Proteínas de origem vegetal podem apresentar menor aproveitamento devido à resistência à hidrólise e maior retenção de água, aumentando o volume do alimento.

Desnaturação Proteica

A desnaturação é a modificação das estruturas secundária, terciária ou quaternária, tornando a proteína biologicamente inativa, sem alterar a estrutura primária. Do ponto de vista nutricional, a desnaturação melhora a digestibilidade e a disponibilidade de aminoácidos. Processos como branqueamento e pasteurização provocam desnaturação para inativação enzimática.

Agentes Desnaturantes: Temperatura, pH, solventes orgânicos (álcool, acetona), ureia e detergentes. A reação com constituintes da fumaça (defumação) pode causar escurecimento e diminuição de aminoácidos.

Determinação de Proteína Bruta: Método de Kjeldahl

O método de Kjeldahl é a técnica oficial para determinação de proteínas, baseada na medição do nitrogênio orgânico total.

  • Vantagens: Aplicável a todos os alimentos, simples, econômico e preciso. Existe a variação micro-Kjeldahl para pequenas amostras.
  • Desvantagens: Mede todo o nitrogênio orgânico (não só o proteico), é demorado e utiliza reagentes corrosivos.

Etapas do Método:

  1. Mineralização/Digestão: Digestão da amostra em H2SO4 (ácido sulfúrico).
  2. Destilação: Liberação da amônia por adição de NaOH (hidróxido de sódio).
  3. Titulação: Titulação da amônia com HCl (ácido clorídrico).

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