Protocolos Clínicos e Inclusão na Odontologia

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Protocolo de Atendimento (O Mais Importante)

Nível 1: Baixo Risco

Níveis: Glicemia em Jejum entre 101-125 mg/dL (ou < 200 mg/dL no fluxograma). HbA1c < 6,5%.

Ação: Atendimento normal / de rotina.

Antibiótico? Não rotineiro. Só se houver campo contaminado + condição bucal precária.

Nível 2: Risco Moderado

Níveis: Glicemia em Jejum entre 126-199 mg/dL (ou 200-250 mg/dL no fluxograma). HbA1c ≥ 6,5% a 8,5% (ou 7-9% no fluxograma).

Ação: Pode realizar exame bucal, radiografia, OHI, raspagem, endodontia.

Antibiótico? Sim, para procedimentos cruentos (ex: cirurgia oral).

Protocolo ATB: Dose de ataque (ex: 2g Amoxicilina 1h antes).

Nível 3: Alto Risco

Níveis: Glicemia em Jejum ≥ 200 mg/dL (ou > 250 mg/dL no fluxograma). HbA1c > 8,5% (ou > 9% no fluxograma).

Ação (sem infecção ativa): Não fazer nada eletivo. Tratamento paliativo, adiar procedimento até estabilizar. Encaminhar para avaliação médica.

Ação (com infecção dentária ativa): Sim, executar procedimento de controle (o mais simples possível) e encaminhar para avaliação médica.

Regra Geral (Slide 48): Encaminhar para procedimento em ambiente hospitalar.

Valores de Diagnóstico - Glicemia

  • Normal:
    • Glicemia Jejum (8h): ≤ 99 mg/dL
    • Teste Tolerância (2h): ≤ 139 mg/dL
    • Hemoglobina Glicada (A1C): ≤ 5,6%
  • Pré-Diabetes:
    • Glicemia Jejum (8h): 100-125 mg/dL
    • Glicemia Aleatória: > 200 mg/dL
    • Teste Tolerância (2h): 140-199 mg/dL
    • Hemoglobina Glicada (A1C): 5,7-6,4%
  • Diabetes:
    • Glicemia Jejum (8h): ≥ 126 mg/dL
    • Glicemia Aleatória: > 200 mg/dL
    • Teste Tolerância (2h): ≥ 200 mg/dL
    • Hemoglobina Glicada (A1C): ≥ 6,5%

Valores de Pressão Arterial

  • Normal: < 120 sistólica e < 80 diastólica.
  • Pré-Hipertensão: 120-139 sistólica e 80-89 diastólica.
  • Hipertensão Estágio I: 140-159 sistólica ou 90-99 diastólica.
  • Hipertensão Estágio II: ≥ 160 sistólica ou ≥ 100 diastólica.

Orientações Específicas e Anestésicos

Para pacientes cardíacos ou hipertensos (ASA III/IV), não use mais de 0,04 mg de Epinefrina, o que equivale a 2 tubetes (1:100.000) ou 4 tubetes (1:200.000).

Na gravidez, não use Felipressina, Prilocaína ou Articaína. A escolha é Lidocaína 2%.

Na asma, evite Epinefrina (devido ao conservante sulfito). A escolha é Felipressina (com Prilocaína).

No hipertireoidismo (não compensado), não use Epinefrina (risco de crise). A escolha é Mepivacaína sem vaso ou Prilocaína com Felipressina.

Se o paciente usou cocaína (< 24h), adie o atendimento.

Se o paciente usa antidepressivo tricíclico, evite Epinefrina (potencializa o efeito). A escolha é Felipressina.

Em problema no fígado (hepático), a escolha é Articaína (metabolismo plasmático). Evite Mepivacaína e Bupivacaína.

Em problema no rim (renal), evite Mepivacaína. Atenda 24h após a hemodiálise.

Para idosos, a escolha é Articaína (metabolismo plasmático).

Para diabetes, o limite é de 3 tubetes de Epinefrina (1:100.000).

As doses máximas (mg/kg) são: Prilocaína 8, Lidocaína 7, Articaína 7, Mepivacaína 6,6, Bupivacaína 2.

Conscientização sobre Capacitismo

O que é capacitismo? É a discriminação ou preconceito contra Pessoas com Deficiência (PcD), baseada na ideia de que corpos "perfeitos" são os normais e os deficientes são inferiores.

Linguagem Pejorativa: Evite termos como "aleijado", "retardado", "surdo-mudo" (o correto é "pessoa surda"), ou "preso a uma cadeira de rodas" (o correto é "usuário de cadeira de rodas").

Infantilização: Não fale com o acompanhante como se o paciente não estivesse lá. A queixa é muito comum em pacientes com Síndrome de Down. Fale diretamente com o paciente.

Atitudes: Evite tratar com pena ou como "herói de superação" por fazer coisas normais.

Barreiras: A omissão também é capacitismo. A falta de rampa, elevador, ou intérprete de Libras exclui ativamente o paciente.

Na Saúde: Ignorar queixas do paciente e atribuir todos os sintomas à deficiência dele.

É CRIME: A Lei Brasileira de Inclusão (LBI - Lei 13.146/2015) define que discriminar uma PcD é crime.

Perguntas e Respostas sobre Inclusão

Pergunta 1: Como o capacitismo se manifesta nas práticas clínicas? Por meio de infantilização ou supervalorização do paciente.

Pergunta 2: O que é capacitismo? Discriminação ou preconceito contra pessoas com deficiência.

Pergunta 3: O que a Lei Brasileira de Inclusão garante em relação ao atendimento de pessoas com deficiência? Direito a atendimento prioritário e adaptações razoáveis.

Pergunta 4: Qual é um exemplo de capacitismo velado? Tratar alguém com excessiva piedade ou como “herói de superação”.

Pergunta 5: Como o capacitismo pode afetar a saúde mental das pessoas com deficiência? Gerando sentimentos de humilhação e tristeza ao serem maltratadas.

Pergunta 6: Qual é o papel dos dentistas na promoção da inclusão? Atuar com empatia, respeito e compreensão ao atender todos os pacientes.

Pergunta 7: Como a formação profissional pode ajudar a combater o capacitismo? Incorporando disciplinas sobre deficiência e inclusão na grade curricular.

Pergunta 8: O que pode levar a um diagnóstico errado em pessoas com deficiência? Atribuir todas as queixas à deficiência da pessoa.

Pergunta 9: Qual é a importância de discutir o capacitismo na área da saúde? Porque a inclusão é um direito e uma necessidade.

Pergunta 10: Na odontologia, qual é um dos desafios enfrentados por pacientes com deficiência? A escassez de dentistas capacitados para atendê-los.

Pergunta 11: Qual é uma forma eficaz de sensibilização para profissionais de saúde? Participação em cursos sobre inclusão e deficiência.

Pergunta 12: Como as práticas capacitistas podem afetar a relação paciente-profissional? Gerando desconfiança e evitando futuras consultas.

Pergunta 14: Qual é a consequência do capacitismo no atendimento odontológico? Aumento de problemas bucais não tratados em PcD.

Pergunta 15: O que auxilia na criação de um ambiente acessível para pacientes com deficiência? Instalações como rampas e equipamentos adaptados.

Pergunta 16: Qual é um resultado comum da falta de acesso a atendimento odontológico para PcD? Aumento de cáries e problemas periodontais.

Pergunta 17: Qual é uma manifestação comum de capacitismo em serviços de saúde? Olhares e tratamento diferenciados em relação aos pacientes com deficiência.

Pergunta 18: Qual é um dos principais objetivos ao combater o capacitismo na odontologia? Garantir um atendimento digno e equitativo para todos os pacientes.

Pergunta 19: O que significa 'Nada sobre nós, sem nós' no contexto do capacitismo? Incluir pessoas com deficiência nas decisões sobre sua saúde.

Pergunta 20: Por que é importante usar linguagem inclusiva no atendimento odontológico? Para respeitar a dignidade das pessoas com deficiência.

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