Psicologia: Freud e a Revolução Psicanalítica e Piaget

Classificado em Psicologia e Sociologia

Escrito em em com um tamanho de 7,91 KB

Freud e a Revolução Psicanalítica

Objeto de estudo da psicologia

Para Freud, a psicologia estuda os processos mentais (sobretudo os fenómenos psíquicos inconscientes) e a influência que exercem sobre o nosso comportamento e a nossa personalidade.

Freud contribuiu para a definição do objeto de estudo da psicologia, mostrando-nos que a nossa vida psíquica não se reduz à consciência; é o primeiro psicólogo a afirmar que o inconsciente é a realidade psíquica fundamental. Na nossa vida psíquica, a consciência tem um papel secundário, sendo simplesmente a ponta do iceberg.

Somos seres marcados pelo peso do passado (das experiências da infância), pela necessidade de refrear os nossos impulsos, de aceitar a frustração no confronto com a realidade e pela ameaça de forças desconhecidas que, dentro de nós, “conspiram” contra a nossa saúde mental.

Conceção do ser humano

A teoria freudiana apresenta não só uma nova conceção do aparelho psíquico, mas também uma nova visão do ser humano. Em nós, não é a razão que domina. Gostaríamos de pensar que esta controla os impulsos irracionais; contudo, Freud diz-nos que a nossa vida é dirigida por impulsos, desejos e pulsões de natureza inconsciente (sobretudo de natureza sexual e agressiva). Para Freud, a nossa integridade psíquica, dadas as pulsões agressivas e libidinais do ID, exige que recalquemos, que esqueçamos.

O ser humano vive sob o signo do conflito e da ansiedade. A ansiedade é uma vivência do Ego que se preocupa com duas eventualidades: 1) que o Id fique fora de controlo e determine comportamentos cujos efeitos podem ser severamente negativos; e 2) que o Superego se descontrole e, tornando-se extremamente moralista, nos faça experimentar sentimentos de culpa excessivos, quer acerca de transgressões reais, quer de imaginárias. Para reduzir a ansiedade, o Ego constitui um conjunto de respostas inconscientes denominadas mecanismos de defesa do Ego. A constituição da personalidade de cada indivíduo é determinada, em grande parte, pelo modo como se dá a relação entre o princípio de prazer e o princípio de realidade.

Para Freud, somos seres cuja finalidade ou motivação essencial é o prazer e que vivem com receio da sua própria vontade de prazer. Mesmo a saúde mental é um equilíbrio instável. Não somos donos de nós próprios, somos uma misteriosa e complexa unidade de impulsos agressivos e destrutivos e de interdições. Procuramos a reconciliação connosco próprios, a harmonia interior, o equilíbrio psíquico. No entanto, a chave do que somos está em vivências envoltas num denso véu — há tanto tempo se deram nos primeiros anos de vida — e recalcadas por razões que nos escapam. “Conhece-te a ti mesmo” será o lema da psicanálise e da terapia psicanalítica. Somos o que fizemos de nós quando ainda não tínhamos uma identidade definida — mas somos mais o que os nossos desejos e as normas dos outros, essencialmente os pais, fizeram de nós.

Jean Piaget e o desenvolvimento cognitivo

Objeto de estudo da psicologia

O objeto da psicologia é, para Piaget, o estudo da interação entre os processos mentais, o comportamento e o meio. A nossa ação sobre o meio e do meio sobre nós tem como resultado o reforço e a sofisticação dos esquemas cognitivos e a construção de outros.

Para Piaget, o objeto da psicologia não se reduz ao simples estudo dos processos mentais nem se limita ao estudo do comportamento observável. Definindo o conhecimento como processo de adaptação ao meio, Piaget entende-o como um comportamento que resulta da interação organismo-meio.

Conceção de ser humano

Piaget concebeu o ser humano como um indivíduo que nasce programado para aprender, mas que não é o simples resultado de processos de aprendizagem. O ser humano é um ser ativo, curioso, que procura explorar o seu meio para melhorar o conhecer e nele se orientar. Não é o resultado exclusivo de capacidades geneticamente transmitidas nem somente da influência de fatores sociais e educativos.

Desenvolvimento e adaptação

  • O desenvolvimento intelectual ocorre mediante a interação ativa com o mundo.
  • As crianças são seres curiosos e automotivados para a exploração e descoberta dos objetos, aprendendo ao interagir com estes.
  • O desenvolvimento intelectual é um processo.
  • A inteligência desenvolve-se através de estádios; não nascemos com conhecimentos, mas com a necessidade de conhecer.
  • A inteligência modifica-se qualitativamente de um estádio para o outro.
  • Cada indivíduo constrói, por necessidade e curiosidade, a sua compreensão da realidade.
  • Mediante a interação com o mundo dos objetos, construímos as estruturas mentais que tornam possível a resolução de problemas e as respostas aos desafios que o meio coloca.

Esquemas

Um esquema é uma representação interna de uma ação física ou mental. É uma unidade básica do comportamento inteligente, tornando possível a interação com a realidade e a sua compreensão. Nascemos com alguns esquemas de ações reflexas, como sugar ou agarrar, e mais tarde desenvolvemos esquemas mentais simbólicos. O desenvolvimento dos esquemas implica tornarem-se mais complexos e versáteis, de modo que a nossa adaptação à realidade seja cada vez melhor conseguida.

Operações

São estruturas mentais de tipo qualitativamente superior que permitem a compreensão de regras complexas acerca do modo como o meio funciona. As operações são capacidades lógicas que se referem a relações concretas ou abstratas entre esquemas.

Mecanismos de adaptação

  • Assimilação: Mecanismo que permite a compreensão de novos objetos, situações e ideias mediante esquemas que já possuímos, sem que seja necessário modificá-los significativamente.
  • Acomodação: Mecanismo que permite a compreensão de novos objetos, situações e ideias mediante a modificação e ajustamento significativos dos esquemas que possuímos.
ProcessoDescrição
AssimilaçãoO bebé utiliza o esquema inato da sucção para retirar o leite da tetina do biberão ou do seio materno.
EquilíbrioO bebé está adaptado ao meio.
Nova situaçãoO bebé encontra um copo de leite pela primeira vez.
DesequilíbrioO esquema da sucção não funciona, não se revela apropriado.
AcomodaçãoO bebé tem de modificar o esquema da sucção de forma significativa para se alimentar.

Os estádios do desenvolvimento cognitivo

  • Estádio sensório-motor: Estádio em que a inteligência se adapta ao meio essencialmente através de esquemas sensório-motores (atividade percetiva e atos motores). É o estádio da inteligência prática. A grande aquisição é o conceito de objeto permanente.
  • Estádio pré-operatório: Marcado pelo surgimento da função simbólica e do pensamento. O pensamento é um conjunto de ações interiorizadas que representam a realidade de forma superficial ou pré-lógica. Divide-se em pensamento pré-conceitual e pensamento intuitivo.
  • Estádio das operações concretas: Fase em que o pensamento se torna flexível e lógico, mas ainda dependente da realidade concreta. O pensamento torna-se reversível e descentrado.
  • Estádio das operações formais: Estádio em que o pensamento distingue o real do possível e se torna lógico-dedutivo. O adolescente é capaz de raciocinar sobre hipóteses, abstrações e possibilidades, desenvolvendo um pensamento científico e sistemático.

Entradas relacionadas: