Psicologia Humanista: História, Teóricos e Fundamentos

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Classificação do inquérito e da finalidade do livro:

Nas décadas de 50 e 60, surge nos EUA a psicologia humanista como a "terceira força", ao lado da psicanálise e do behaviorismo.

Para Bühler, a meta da vida humana é a realização e satisfação. Suas tendências básicas são: atender às necessidades, adaptação de retenção, criatividade e apoiar a expansão da ordem interna.

Maslow e a Eupsychia: Todos estão saudáveis e são capazes de lidar com a realidade devido a ideias espontâneas; as hostilidades pessoais e o medo existem em pouca escala e, portanto, há uma grande espontaneidade e criatividade. As pessoas que têm confiança em si mesmas ficam felizes com novas ideias, inovações e mudanças; não sentem necessidade de recorrer ao passado, pois pessoas felizes se adaptam às condições ambientais.

Rogers define o homem como o arquiteto responsável por si mesmo, dotado de liberdade e escolha subjetiva.

Segundo Bugental (fase precoce):

  • 1) Como um ser humano, o homem é mais do que a soma de seus componentes: apesar da importância de conhecer as funções parciais, enfatiza-se a singularidade da pessoa.
  • 2) A existência do ser humano é consumida nas relações humanas: sua existência está ligada às relações inter-humanas.
  • 3) O homem é um ser consciente: esta é a base para a compreensão da experiência humana.
  • 4) O homem tem a capacidade de escolher e decidir: viver conscientemente exige viver como uma pessoa que, através de suas decisões, pode mudar sua situação de vida.
  • 5) O homem vive para um objetivo: é um ser vivo intencional, orientado para valores e metas que dão identidade e o diferenciam de outros seres vivos, possuindo uma natureza dupla (por exemplo, busca pela paz e também pela emoção).

Posição teórica na psicologia científica humanística:

  • 1) O ser humano está no centro: a psicologia humanista vai contra a exigência científica de objetividade absoluta; o pesquisador deve ser parte da pesquisa.
  • 2) Dá-se mais importância ao significado do que ao método.
  • 3) Para validar as afirmações, baseia-se em critérios humanos: não é contra métodos estatísticos, mas estes devem ser subordinados à experiência humana.
  • 4) Proclamação da importância relativa de todo o conhecimento: convida a aproveitar o poder da representação mental e da criatividade para ampliar o saber.
  • 5) Confiança na fenomenologia: não despreza outros pontos de vista, mas tenta completá-los dentro de uma concepção mais ampla da experiência humana.

História (1929-1962): A Crise Econômica Global de 1929 e a fundação da Associação Americana de Psicologia Humanista em 1962 marcam o período. A reforma econômica de Roosevelt ("New Deal") ligou-se a um renascimento cultural; entre seus conselheiros estavam seguidores de John Dewey e do pragmatismo. Novas leis trabalhistas, eletrificação rural e formação sindical misturaram-se a programas de assistência social em busca de uma existência digna. A reestruturação econômica andou de mãos dadas com o fortalecimento do indivíduo para o benefício da comunidade, redirecionando o sentimento social nos EUA para o otimismo e o humanismo.

Surgiu o interesse na filosofia existencialista e no ensino da Gestalt. Criticou-se a ideia médica de doença mental que impede o agir responsável; a nova terapia via no ser humano o lampejo para redescobrir sua própria personalidade e autenticidade. Em 1961, foi publicado o "Jornal de Psicologia Humanista" e, em 1962, sob a presidência de Maslow, fundou-se a American Association for Humanistic Psychology (AAHP). Em 1971, a APA a reconheceu oficialmente. O desenvolvimento tecnológico, embora garantisse necessidades físicas, criou uma lacuna entre o indivíduo e a sociedade (Guerra do Vietnã, poluição, discriminação). A vida passou a ser formulada em torno dos ideais da Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade.

Os fundadores da psicologia humanista: Bühler, Perls, Fromm, Rogers, Maslow e Cohn.

A filosofia existencial é uma série de revoltas contra a filosofia tradicional. Foca na análise da condição da existência humana, liberdade, responsabilidade, emoções individuais e o significado da vida. Seu método é a fenomenologia: não há uma natureza humana pré-determinada; são as ações que determinam quem o indivíduo é (o indivíduo é livre e totalmente responsável). Isso leva à criação de uma ética da responsabilidade individual. Representantes do existencialismo: Kierkegaard, Bergson, Jaspers e Buber. Representantes da fenomenologia: Brentano e Husserl.

Marx e Kierkegaard buscavam uma mudança ativa nas estruturas sociais, chamando os homens à responsabilidade. Marx focava na união sob metas coletivas, enquanto Kierkegaard acreditava na relação do homem consigo mesmo.

Para Kierkegaard, ao homem é dado o medo e o desespero. Através do medo, experimenta-se a possibilidade da liberdade. Escolha e decisão são as características essenciais da existência humana.

Buber, filósofo da religião, defendeu a força motivadora do judaísmo e a coexistência entre árabes e judeus. Ele distingue a atitude "guiar" (segurança) da atitude "cineasta" (mudança, risco). No ser humano, ambas as atitudes estão ligadas. O "Eu" não existe isoladamente, mas nas relações Eu-Tu (participação e mudança) e Eu-Isso (orientação e conexão limitada). São dois pólos da humanidade presentes em todos.

Para Jaspers, a filosofia é uma preocupação do homem consigo mesmo. Ele está mais interessado em como o comportamento humano ocorre do que no porquê. A liberdade é o pensamento fundamental, onde o homem busca conhecer seus limites em situações extremas (morte, sofrimento, luta). A decisão tem caráter de ação. A comunicação entre seres humanos é vital para a liberdade, e o futuro depende da responsabilidade das decisões humanas.

Heidegger contempla o ser humano a partir da perspectiva de como ele vê a si mesmo. O ser humano é diferente de um objeto porque pode questionar seu próprio ser. A existência é um "ser para a morte". O relevante é enfrentar o medo para alcançar a autorrealização. O homem tem a tarefa de tornar-se a si mesmo, possuindo uma latitude de decisão (nível formal) e o dever de escolher (conteúdo).

Para Sartre, a liberdade humana é essencial; ser livre é ser obrigado a escolher. O comportamento atual é determinado por uma meta para o futuro. O homem é feito pelo clima, raça, classe e história, mas estas limitações tornam-se barreiras apenas se violarem a liberdade de seus objetivos. A liberdade está relacionada a uma moral de responsabilidade ilimitada, onde a criação do "eu" individual deve ter um significado positivo para os outros.

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