Psicologia Social: Atitudes e Influência Social
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Exemplificar as diferentes componentes das atitudes
Uma atitude negativa relativamente ao tabaco pode basear-se numa crença de que há uma relação entre o tabaco e o cancro pulmonar (componente cognitiva). A pessoa que partilha desta crença não gosta do fumo e experimenta sentimentos desagradáveis em ambientes onde as pessoas fumam (componente afetiva). A esta atitude estão, frequentemente, associados alguns destes comportamentos: a pessoa não fuma, tenta convencer os outros a deixar de fumar, participa, por exemplo, em campanhas contra o tabaco (componente comportamental).
Esclarecer o conceito de dissonância cognitiva
A dissonância cognitiva é um estado psicológico relativamente desagradável que pode viver-se quando tomamos consciência da discrepância entre duas cognições ou atitudes. A dissonância pode ser também definida como a vivência de uma incompatibilidade entre as nossas atitudes e o nosso comportamento.
Explicar como se formam e mudam as atitudes
As atitudes não nascem connosco; formam-se e aprendem-se no processo de socialização, no meio social onde estamos inseridos. São vários os agentes sociais responsáveis pela formação das atitudes: os pais e a família, a escola, o grupo de amigos e os mass media. É através da observação, identificação e imitação dos modelos (pais, professores, figuras dos meios de comunicação social, etc.) que se aprendem e se formam as atitudes. Esta aprendizagem ocorre ao longo da vida, mas tem particular prevalência na infância e na adolescência. Tal não significa que, depois destas idades, as atitudes não possam mudar. Há, contudo, uma tendência para a estabilidade das atitudes.
Apesar da relativa estabilidade das atitudes, estas podem mudar ao longo da vida. Acontecimentos extraordinários e impressionantes podem resultar em modificações nas nossas atitudes. Por exemplo, o ataque de um país a outro pode alterar o modo como encarávamos o país agressor. As experiências vividas pelo próprio podem conduzir à alteração das atitudes. São ainda produzidas campanhas (de prevenção rodoviária, de luta contra a SIDA, etc.) que visam mudar as atitudes e, consequentemente, os comportamentos.
Reconhecer a normalização, o conformismo e a obediência como processos de influência social
Podemos definir a influência social como o processo pelo qual as pessoas modificam ou afetam os pensamentos, os sentimentos, as emoções e os comportamentos das outras pessoas. Este processo decorre da própria interação social, não tendo de ser intencional ou deliberado. A influência social manifesta-se em três grandes processos: a normalização, o conformismo e a obediência.
Demonstrar a importância das normas na vida social
As normas, que regulam as relações interpessoais e que refletem o que é socialmente desejável, orientam o comportamento. Definem o que é ou não desejável, o que é conveniente num dado grupo social, apresentando modelos de conduta. É graças ao conjunto de normas que os comportamentos dos indivíduos de um dado grupo social são uniformizados, o que é uma vantagem, porque sabemos o que podemos esperar dos outros e o que esperam de nós. As normas permitem, portanto, prever o comportamento dos outros.
Explicar os fatores que estão na origem dos comportamentos conformistas e obedientes
O conformismo é uma forma de influência social que resulta do facto de uma pessoa mudar o seu comportamento ou as suas atitudes por efeito da pressão do grupo. Solomon Asch tinha por objetivo conhecer o modo como as pessoas se influenciavam umas às outras e desenvolveu, assim, um conjunto de experiências. Asch procurou, através de entrevistas com os sujeitos participantes, compreender os processos subjacentes ao comportamento conformista. A partir dessas e de outras pesquisas, foi possível identificar os fatores que influenciam e explicam o conformismo:
- A unanimidade do grupo: o conformismo é maior nos grupos onde há unanimidade. Basta que um dos elementos do grupo partilhe uma ideia diferente para que os efeitos do conformismo diminuam;
- A natureza da resposta: o conformismo aumenta quando a resposta é dada publicamente. Por exemplo, se a resposta for dada por escrito, o grau de conformismo diminui;
- A ambiguidade da situação: a pressão do grupo aumenta quando não estamos certos do que é correto;
- A importância do grupo: quanto mais atrativo for o grupo para a pessoa, maior é a probabilidade de ela se conformar;
- A autoestima: as pessoas com um nível mais elevado de autoestima são mais independentes do que as que têm uma autoestima mais baixa.
No início da década de 70, Stanley Milgram interrogava-se sobre o processo que teria levado os militares alemães a exterminarem milhões de judeus. Desenvolveu, então, uma experiência no âmbito da influência social: a submissão à autoridade. Esse e outros estudos entretanto realizados indicam que a obediência acontece quando as pessoas não se sentem responsáveis pelas ações que levam a cabo sob ordem de uma figura de autoridade. Consideram que estas se responsabilizam pelos seus atos, uma vez que estavam apenas a cumprir ordens. A experiência de Milgram levou os investigadores a averiguarem quais as condições que favorecem o comportamento obediente. Os fatores que influenciam a obediência são:
- A proximidade com a figura de autoridade: quanto mais próxima estiver a figura de autoridade, maior é a obediência;
- A legitimidade da figura de autoridade: quanto mais reconhecida for a autoridade, maior é a obediência;
- A proximidade da vítima: quanto maior a proximidade, menor a obediência, pois é, por exemplo, mais difícil infligir dor quando há contacto visual com a vítima;
- A pressão do grupo: quanto maior a pressão do grupo, menor a obediência à figura de autoridade.