Racionalismo de Descartes e Empirismo de David Hume
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Racionalismo e Empirismo: Teoria do Conhecimento
5. Caracterizar o Racionalismo
O racionalismo é uma teoria que se baseia na razão e nas ideias inatas, sendo considerado um conhecimento a priori.
6. Caracterizar o Empirismo
O empirismo é uma teoria que se baseia na experiência sensível (uso dos sentidos) e nas ideias adventícias (segundo Descartes), sendo um conhecimento a posteriori.
8. Dogmatismo vs. Ceticismo
Possibilidade: Será possível atingir o conhecimento?
- Dogmatismo: Defende que é possível atingir o conhecimento.
- Ceticismo: Acha que não é possível atingir o conhecimento e apresenta imensas dúvidas (duvidoso).
9. O Método de René Descartes
Natureza do Método:
- A priori: Razão → Idealismo (ideias).
- A posteriori: Empírico → Realismo (realidade/exterior).
16. A Importância de Deus em Descartes
Deus no sistema cartesiano:
- Legitima o valor da ciência e confere objetividade ao conhecimento;
- É infinito e a fonte da verdade;
- É omnipotente, eterno e omnisciente;
- Embora seja o criador do Universo, não é autor do mal nem responsável pelos nossos erros;
- É o princípio do ser e do conhecimento.
17. Provas da Existência de Deus
Ideia de Ser Perfeito: Noção de um ser omnisciente, omnipotente e sumamente bom.
1ª prova → Argumento ontológico: Deus é perfeito; a existência é uma perfeição, logo Deus existe.
2ª prova → Argumento da marca impressa: A causa que faz com que a ideia de ser perfeito se encontre em nós não pode ser outro ser senão Deus.
3ª prova: A causa da existência do ser pensante e imperfeito não é ele próprio. Como o sujeito finito não possui o poder de se conservar no seu próprio ser, o seu criador e conservador é Deus.
18. Substâncias e Atributos Essenciais
19. A Teoria Cartesiana do Erro
Erramos quando se verifica uma precipitação da vontade — quando usamos mal a liberdade e damos o consentimento a juízos que não são evidentes.
21. Críticas a Descartes
- É exclusivista: Se é verdade que o racionalismo destacou o papel da razão no conhecimento humano, também não é menos verdade que, ao fazê-lo, se tornou exclusivista, já que considera a razão como a única fonte de conhecimento a priori.
- É dogmático: Descartes pretende que, unicamente a partir do primeiro princípio (o cogito), seja possível ao ser humano encontrar verdades universalmente válidas e logicamente necessárias de forma dedutiva.
- É circular: Para saber que as ideias claras e distintas são verdadeiras, Descartes tem de saber que Deus existe e é perfeito; para saber que Deus existe e é perfeito, tem de saber que as ideias claras e distintas são verdadeiras.
20. O Círculo Cartesiano
Fundacionalismo de Descartes:
- Ideias inatas: Conhecimento claro e distinto.
- Principais verdades: A existência do pensamento (alma), traduzido no cogito; a existência de Deus (ser perfeito); a existência de corpos extensos.
Círculo Cartesiano: O facto de a ideia que temos de Deus ser clara e distinta garante-nos que Deus existe; mas é Deus quem garante a verdade e a objetividade das ideias claras e distintas.
7. Conhecimento A Priori e A Posteriori
- Conhecimento a priori: Fonte ou origem apenas no pensamento ou na razão. É justificado pela razão e não pela experiência.
- Conhecimento a posteriori: Origem na experiência. É o conhecimento empírico, justificado pela experiência.
- Juízos a priori: Verdade conhecida independentemente da experiência (universais e necessários).
- Juízos a posteriori: Verdade conhecida pela experiência sensível (contingentes).
10. Intuição e Dedução
A res cogitans chega-nos a partir da intuição; a res divina e a res extensa são obtidas a partir da dedução. Uma dedução é um encadeamento de intuições.
11. Razões da Dúvida Cartesiana
O primeiro passo na procura da verdade consiste em partir de um ceticismo provisório para assegurar a inexistência de erros.
Descartes duvida:
- Dos sentidos, porque já nos iludiram no passado;
- Do conhecimento anterior, porque inúmeras vezes se mostrou errado;
- Do mundo físico, pois, tal como os sonhos, pode ser uma ilusão.
Descartes não é cético, mas sim dogmático.
A hipótese do génio maligno: Nada nos garante que as ideias do mundo exterior não sejam obra de um ser mal-intencionado que nos ilude. Não temos forma de saber se as realidades sensíveis existem de facto, nem a certeza da existência do nosso corpo.
14. Caracterização do Cogito
- É um princípio evidente e indubitável, uma certeza inabalável;
- Obtém-se por intuição, de modo inteiramente racional e a priori;
- Revela a natureza ou a essência do sujeito: o pensamento ou alma;
- Serve de modelo do conhecimento: fornece o critério de verdade.
12. Caracterização da Dúvida Cartesiana
- Sistemática: Põe em causa, de forma universal, tudo o que possa gerar a mínima incerteza.
- Hiperbólica: Assume como falso tudo o que seja duvidoso. Nenhuma realidade é imune à dúvida.
- Metódica: É um método utilizado para vencer o ceticismo.
- Provisória: Visa ultrapassar o ceticismo e chegar à primeira certeza.
As quatro regras do método cartesiano:
- Evidência: Só aceitar como verdadeiro o que é absolutamente evidente.
- Análise: Dividir os problemas em elementos simples.
- Síntese: Ordenar os problemas do mais simples para o mais complexo.
- Enumeração: Proceder a uma revisão completa para evitar omissões.
13. A Importância do Cogito
O cogito cartesiano é a primeira verdade inabalável. Atinge-se por intuição e, a partir dela, deduzem-se outras verdades. "Penso, logo existo" é a primeira verdade a priori. A partir da res cogitans, prova-se a existência de Deus.
Deus, como sumamente bom e omnipotente, nunca nos pode enganar. Por dedução, chega-se à conclusão da existência de Deus (res divina) e do mundo exterior (res extensa). As res são sempre a priori.
15. Tipos de Ideias em Descartes
O Sujeito Pensante (ser imperfeito) dispõe de três tipos de ideias:
- Adventícias: Têm origem na experiência sensível (Ex: ideia de árvore).
- Factícias: São fabricadas pela imaginação (Ex: ideia de unicórnio).
- Inatas: Constituídas pela própria razão (Ex: ideias de pensamento, existência, ser perfeito e matemática).
Para Descartes, as mais importantes são: a existência de um ser perfeito (Deus), a existência do mundo exterior e o cogito.
22. O Empirismo de David Hume
Hume distingue impressões de ideias. As impressões têm um maior grau de força e vivacidade, pois as ideias são apenas cópias mentais das impressões. Para Hume, não existem ideias inatas.