Racionalismo de Descartes vs. Empirismo de Hume
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A Resposta Racionalista de Descartes
René Descartes é um filósofo racionalista que defende a razão como a principal origem do conhecimento verdadeiro. Para alcançar uma verdade absolutamente segura, utiliza a dúvida metódica, questionando tudo: os sentidos, o mundo exterior e até as verdades matemáticas. No entanto, descobre uma verdade impossível de negar: “Penso, logo existo” (Cogito, ergo sum). Mesmo que esteja a ser enganado, tem de existir para pensar.
Após provar a sua própria existência, Descartes procura fundamentar a existência de Deus:
- Argumento da ideia de perfeição: Afirma que possui em si a ideia de um ser infinito e perfeito. Como ele próprio é imperfeito, essa ideia só pode ter sido colocada por um ser verdadeiramente perfeito: Deus.
- Argumento ontológico: Deus é um ser absolutamente perfeito e a existência é uma perfeição. Logo, um ser perfeito tem necessariamente de existir.
A existência de Deus é essencial na teoria do conhecimento de Descartes. Após o Cogito, o filósofo precisava de garantir que as ideias claras e distintas eram verdadeiras. Como Deus é perfeito e não engana, Descartes conclui que tudo o que é percebido de forma clara e distinta é verdadeiro, funcionando Deus como o fundamento e garantia da verdade.
A Resposta Empirista de David Hume
David Hume é um filósofo empirista que defende que todo o conhecimento tem origem na experiência. Para Hume, a mente humana não possui ideias inatas; todos os conteúdos do pensamento resultam das perceções obtidas através da experiência sensível.
As perceções dividem-se em:
- Impressões: Perceções mais fortes, vivas e imediatas (ex: sentir dor).
- Ideias: Cópias menos intensas das impressões (ex: recordar uma cor).
Hume distingue ainda:
- Relações de ideias: Conhecimento a priori, baseado na razão (ex: matemática). São universais e necessárias.
- Questões de facto: Conhecimento a posteriori, dependente da experiência. Não são absolutamente certas.
Relativamente à relação causa-efeito, Hume afirma que nunca observamos uma conexão necessária, apenas uma conjunção constante. A ideia de causalidade resulta do hábito ou costume. Esta crítica liga-se ao problema da indução: como não é possível provar racionalmente a uniformidade da natureza, o conhecimento empírico nunca oferece certeza absoluta, apenas probabilidade e expectativa.