Racionalismo e Empirismo no Século XVII
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1.1 O Problema do Conhecimento no Século XVII: Racionalismo e Empirismo
A preocupação central da filosofia na Idade Moderna era o problema do conhecimento. O racionalismo e o empirismo enfrentaram o mesmo problema, mas diferiram em como abordá-lo e tratá-lo.
O racionalismo caracteriza-se pela primazia dada à razão para alcançar a verdade. O seu princípio básico é que o nosso verdadeiro conhecimento da realidade tem origem e fundamento na razão. Os racionalistas identificam o conhecimento racional com o conhecimento científico, especialmente a matemática. Eles estão, portanto, convencidos de que a estrutura da realidade é de natureza matemática. Acreditam que só através da matemática se pode obter um conhecimento seguro da realidade. O problema central será desenvolver o método para aplicar a matemática à filosofia, adotando o sistema dedutivo.
A dedução é um argumento que chega a uma conclusão necessária a partir de proposições gerais; se estas forem verdadeiras, a conclusão também será. Outro problema reside em estabelecer a origem dessas ideias.
Por outro lado, os empiristas sustentam que todo o conhecimento provém dos sentidos, situando a origem do saber na experiência sensorial. Isso define um limite para as possibilidades do conhecimento, que não pode ir além dessa experiência. Qualquer conceito será rejeitado se não puder ser reduzido ao campo dos sentidos. Rejeitam as ideias inatas do racionalismo e o método preconizado é a indução que, ao contrário da dedução, parte de experiências particulares para extrair conclusões universais.
2.1 Os Modos do Conhecimento Humano e o Método
Existem duas maneiras de conhecer através da razão, segundo Descartes: a intuição e a dedução.
A intuição é uma espécie de luz natural através da qual captamos, imediatamente e sem qualquer possibilidade de dúvida ou erro, ideias simples e verdadeiras, pois são autoevidentes. Estas são as ideias claras e distintas, também chamadas de naturezas simples.
A partir delas, o conhecimento desenvolve-se através da dedução, o segundo modo de conhecer, definido como qualquer inferência necessária a partir de outros fatos conhecidos com certeza. A inteligência descobre conexões entre as diferentes intuições e avança passo a passo. O raciocínio dedutivo é uma sequência ordenada de demonstrações, com clara inspiração na matemática cartesiana.
Para o avanço do conhecimento na filosofia, consideram-se os seguintes procedimentos necessários, baseados em três pontos fundamentais:
- O método da geometria serve de guia e desenvolve uma cadeia de razões simples e fáceis.
- Não aceitar como verdadeiro nada de que não se tenha absoluta certeza.
- Respeitar a ordem correta da dedução para, assim, chegar de evidência em evidência.