A Razão Iluminista: Analítica, Autonomia e Crítica
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Analítica
A razão não é apenas da natureza, mas também o instrumento ou meio de conhecer, interpretar o mundo e exercer a crítica. De acordo com sua natureza, sua ação é a razão cognitiva analítica. Este termo designa a oposição e a diferença em relação ao uso da razão no racionalismo do século XVII:
- Razão contra o conteúdo inato: Ao contrário da teoria das ideias inatas, que pretende saber de si mesma de forma dedutiva e a priori, a razão esclarecida é entendida como a capacidade de adquirir conhecimento com base na experiência e na referência empírica.
- Razão contra o sistema dedutivo: A razão esclarecida é a capacidade de analisar o empírico, buscando compreender a lei em uma aliança entre o empírico e o racional.
Secularização: Diferente da concepção racionalista, que em última análise era voltada à teologia e à transcendência, o Iluminismo possui uma concepção secularizada da razão.
Autonomia
Nas palavras de Kant: "Sapere aude: Tenha coragem de usar seu próprio entendimento", expressa-se a natureza autônoma da razão esclarecida. A razão é suficiente em si mesma, exigindo confiança e a decisão de usá-la de forma independente, sem limitações que não sejam impostas pela própria natureza.
Limites
Os limites da razão são impostos pela natureza. A razão é única em todas as pessoas, culturas e épocas, possuindo uma "essência" que se desenvolve ao longo do tempo. Esse naturalismo da razão esclarecida pressupõe que a natureza possui uma legalidade própria.
Crítica
A razão precisa ser "esclarecida" para garantir sua independência. É, portanto, uma razão fundamentalmente crítica:
- Crítica aos preconceitos: Contra o dogmatismo cego.
- Crítica à tradição: Contra a aceitação de ideias apenas por serem antigas.
- Crítica à autoridade externa: Contra autoridades não reconhecidas pela própria razão.
- Crítica à credulidade: Contra a superstição e a idolatria, não necessariamente contra a ideia de Deus, mas contra representações irracionais.
A razão crítica não é uma negação absoluta da vida ou da religião, mas a rejeição do que contradiz a clarificação racional. Nesse sentido, a razão esclarecida é tolerante. A tolerância é, nas palavras de Voltaire, "o patrimônio da razão".