Realismo e Naturalismo: Análise e Obras Literárias
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Real-Naturalismo
O Real-Naturalismo é a expansão do realismo de forma exagerada. Segundo o texto original, a primeira obra naturalista no Brasil foi MPBC (Machado de Assis), e a primeira obra realista no Brasil foi O Mulato (Aluísio de Azevedo). Ambas vieram a público em 1881.
Naturalismo
O Naturalismo analisa os personagens de forma patológica, comparando-os a animais que agem de acordo com seu instinto. Analisa a influência do ambiente, afirmando que o ser é moldado por ele. A visão social faz críticas explícitas à sociedade e suas hipocrisias, criando romances de tese. Aborda temas considerados asquerosos, apresentando uma visão biológica do mundo, objetividade, cientificismo e crítica social.
Acredita no determinismo, que se manifesta em:
- Meio: o ambiente determina o comportamento do indivíduo, que age de acordo com influências externas, sem optar por outra coisa, sempre seguindo o que o meio impõe.
- Hereditariedade: todas as características, físicas e psicológicas, são transmitidas geneticamente.
- Instinto: o indivíduo esquece a razão e age puramente pelo instinto.
Os naturalistas acreditavam que o impulso para a transformação das espécies era a seleção natural.
Autores do Naturalismo
- Machado de Assis (Brasil): Teve uma fase romântica e uma fase realista.
- Eça de Queiroz (Portugal): Teve uma fase naturalista (com obras como O Crime do Padre Amaro, Os Maias e O Primo Basílio) e uma fase realista.
- Aluísio de Azevedo (Brasil): Não possui fases distintas, porém, por questões comerciais, ele oscila entre romances românticos e naturalistas.
Realismo
Os realistas são céticos e acreditam que tudo deve ser comprovado pela ciência.
Análise dos Personagens no Realismo
Os personagens são retratados de forma real, muitas vezes integrantes das camadas mais baixas da sociedade. A influência do ambiente molda o ser, porém este possui livre-arbítrio para tomar suas decisões.
Visão Social no Realismo
A visão social é realista, buscando retratar de forma verdadeira as condições sociais da época. As críticas são feitas de modo subentendido em suas obras, abordando temas como o adultério, a pobreza, a fragilidade dos mais pobres perante os ricos, o casamento e a materialização do amor.
O Cortiço: Análise e Resumo
O Cortiço é o último romance de Aluísio de Azevedo e o mais bem acabado. Seu objetivo principal é demonstrar a tese de que o ser humano é fruto do meio em que vive.
Resumo da Obra
Dono de uma pedreira e uma taverna, João Romão constrói em seu terreno casinhas simples de aluguel barato, onde as famílias dos trabalhadores da pedreira vêm morar. Junto com João mora Bertoleza, uma trabalhadora incansável. Ao lado do cortiço, há um sobrado onde mora a família do Comendador Miranda.
Então, surge outro morador, o português Jerônimo, um homem honesto dedicado à família e ao trabalho. Porém, seguindo a tese de que o meio determina o indivíduo, Jerônimo está condenado à degradação moral. Jerônimo muda-se para o cortiço com sua esposa Piedade e a filha deles. Influenciado pelo ambiente promíscuo, é seduzido por Rita Baiana. Para descrever os movimentos de Rita, Aluísio a compara com animais.
O Cortiço consagra-se na literatura brasileira como a prosa naturalista, marcada tanto pela associação direta entre meio e personagens quanto pelo estilo agressivo. Constantemente, os personagens sofrem zoomorfização (animalização do comportamento humano, respeitando os preceitos da literatura naturalista). A visão patológica do comportamento sexual é trabalhada por meio do rebaixamento das relações, do adultério, do lesbianismo, da prostituição, entre outros. O meio adquire enorme importância no enredo.