Realismo e Naturalismo na Literatura Espanhola
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Histórica, cultural e ideológica.
A data de 1868, que coincide com o fato histórico da "Gloriosa" (a remoção da monarquia de Isabel II), a revolução burguesa em nosso país, onde surgiria a Constituição de 1869 e, mais tarde, a Primeira República Espanhola (1871), marca o início do Realismo na Espanha. O Realismo está, portanto, intimamente ligado à burguesia; é o movimento literário associado a esta classe, que surge com um novo gênero literário: o romance realista, que é o protagonista. No entanto, o auge do Realismo na Espanha ocorreu na época da Restauração.
O Realismo espanhol tem uma forte tendência regional. Assim, cada autor está relacionado à sua terra: J.M. Pereda com Santander; Juan Valera na Andaluzia; B.P. Galdós com Madrid; Leopoldo Alas "Clarín" nas Astúrias (Oviedo); e Emília Pardo Bazán na Galiza. O autor incorpora suas ideias em um ou mais personagens na obra (romance de tese).
Naturalismo
O Naturalismo é um movimento literário derivado do Realismo. Foi criado pelo romancista francês Émile Zola, que aplicou as novas teorias científicas típicas do determinismo biológico do século XIX (Darwin) e a influência do meio ambiente na formação do caráter e da conduta dos indivíduos, que são determinados pela herança biológica e pelo ambiente social e cultural no qual cresceram.
O romancista não deve apenas mostrar a realidade, mas descobrir os mecanismos do comportamento humano. Para isso, deve recolher dados e experiências para demonstrar essas ideias. Para provar sua teoria, Zola baseou-se na observação de ambientes degradados da época: loucos, bêbados e prostitutas. Também realizou uma caracterização detalhada da psicologia dos personagens, determinada pela herança familiar e fatores ambientais e socioculturais em que o personagem foi criado.
- O estudo do romance experimental do homem substituiu o homem abstrato e metafísico pelo estudo do homem natural, sujeito às leis da física e da química e determinado pela influência do meio ambiente.
- O natural não está nas palavras, mas no método.
- No romance naturalista, não há uma "boa fábula" inventada e desenvolvida de acordo com certas regras. O enredo pouco importa para o romancista. É necessária apenas a história de um ser ou grupo de seres da vida real, cujas ações são registradas com facilidade. O novo romance está longe de ser uma obra de entretenimento.
- O romancista não intervém; é impessoal. Não é mais do que um funcionário que não julga nem tira conclusões. Deve limitar-se aos fatos observados.
- A linguagem deve ser natural. O romancista deve confundir-se com a personalidade do personagem.
- O escritor naturalista detalha a realidade não por prazer descritivo, mas porque o homem não pode ser separado de seu ambiente, de sua aparência externa, de sua casa ou de seu povo.
- Além da expressão pessoal, a maior força do romancista é o seu próprio sentido da realidade, que lhe permite experimentar a natureza e retratá-la como ela é. Trata-se de observar a vida e dar uma imagem precisa da mesma.