Realismo e Poesia em A Casa de Bernarda Alba
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Realismo e Poesia
A obra apresenta diversas características da realidade e notas extraídas do cotidiano. No primeiro ato, destaca-se uma cena surpreendente na conversa de Poncia, extremamente vulgar e prosaica, ao comer pão e salsicha. Outros elementos realistas neste ato incluem o mendigo que pede esmola, o badalar dos sinos pela morte do marido de Bernarda, a chegada do notário para ler o testamento e a história do pai de Adelaide.
No segundo ato, os detalhes realistas são reduzidos, mas ainda observamos a imagem das mulheres costurando, as declarações de amor, a visita do homem do laço, as canções dos segadores, o tom sensual, o episódio do retrato e o linchamento da filha da Libra Esterlina.
No terceiro ato, o realismo perde força, embora elementos realistas ainda possam ser apontados, como a cena do jantar, o bater do cavalo no curral ou o latido dos cães. A realidade é um reflexo da sociedade apresentada na obra: a estrita moralidade baseada em aparências, a marginalização das mulheres e o classismo.
A obra combina realismo com poesia. No terceiro ato, são introduzidos elementos mágicos, fantásticos e poéticos: a noite estrelada, a perseguição misteriosa na escuridão de Adela, Martírio e Josefa Maria, ou a plasticidade da imagem da anciã com o cordeiro nos braços. O trabalho transita do realismo em favor da poética, onde tudo é visto sob uma dimensão lírica: o exagero, a abundância de metáforas e imagens no discurso das personagens e a estrutura da obra em dois níveis — real e imaginário — compõem a poesia da realidade.
Principais Temas e Questões Secundárias
O tema central da peça é o confronto entre uma autoridade rígida e convencional (Bernarda) e o desejo de liberdade moral. O conflito surge frequentemente de um amor impossível (envolvendo três das cinco filhas de Bernarda Alba) e da oposição entre o desejo amoroso e a frustração, culminando na infelicidade e no suicídio de Adela.
O autor confere a cada personagem problemas individuais que refletem a opressão social em que vivem. A obra demonstra uma grande preocupação com a sociedade, denunciando a injustiça social, explorando o amor sensual, a busca pelo homem, o ódio, a inveja e a marginalização feminina.
Como questões secundárias, destacam-se:
- O luto: Os oito anos de reclusão motivados pela morte do pai.
- Ausência masculina: A falta de homens ao longo de toda a obra.
- Crítica social: Lorca critica a hipocrisia (preocupação com a opinião alheia), a injustiça e a honra social.
- Consciência de classe: A denúncia das diferenças sociais e a crueldade nas relações.
- Modelos femininos: O contraste entre a moralidade frouxa (representada por Paca la Roseta e a filha da Libra Esterlina) e a concepção de decência imposta por Bernarda às suas filhas.