A Reconceituação do Serviço Social e o Projeto Ético-Político

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Avanços do Movimento de Reconceituação

O Movimento de Reconceituação se articulou em torno dos seguintes pontos:

  • Articulação em torno de uma unidade laica e autônoma;
  • Explicitação da dimensão política da profissão;
  • Interlocução da academia com as Ciências Sociais;
  • Elevação da imagem pública da profissão a novos patamares.

Projeto Profissional

O Projeto Profissional do Serviço Social pode ser considerado como uma referência para a atuação profissional.

Sociedade Contemporânea

A Sociedade Contemporânea é um "conjunto de mediações" que determinam as condições e relações concretas de trabalho do Assistente Social (SSO). Essas mediações são:

  • Ameaça do desemprego;
  • O achatamento salarial;
  • Mudanças nos parâmetros legais;
  • Desprofissionalização do trabalho do Serviço Social e legitimação do voluntariado.

A universalização acelerada das políticas sociais NÃO se encaixa nesse meio, pois, atualmente, as políticas sociais são focalizadas – direcionadas aos mais pobres.

Correntes Ideológicas da Reconceituação

As correntes ideológicas eram os Reformistas e os Progressistas. Ambas objetivavam romper com o Serviço Social tradicional. Entendiam que não havia espaço na profissão para a confessionalidade própria da Igreja Católica e, portanto, decidiram deixá-la para trás.

Reformistas

Os Reformistas defendiam o capital, acreditando ser possível o desenvolvimento do país através do capital humanizado, sendo este uma evolução do capital selvagem, onde se focaria na solidariedade, na cooperação no lugar da competição e na distribuição de riquezas para o bem de todos.

Progressistas

O bloco Progressista já acreditava na sociedade socialista. Entretanto, a corrente progressista foi fortemente combatida, sendo seus membros perseguidos ou desaparecendo. Também eram vistos como subversivos pelo bloco que estava no poder, os militares.

Ditadura Militar, Perspectiva Modernizadora e o III CBAS

O período histórico da década de 60, onde ocorre a Revolução Cubana, teve reflexos no Estado brasileiro, levantando a possibilidade de um novo modelo de sociedade. O governo brasileiro propôs as reformas de base (bancária, fiscal, educacional e agrária). Essas reformas incomodaram a elite brasileira e a hierarquia militar, resultando no golpe militar implantado no Brasil, apoiado pelos EUA.

Por sua vez, a ditadura implantou o Projeto Desenvolvimentista Capitalista (DC), onde se inicia a Perspectiva Modernizadora (PM) do Serviço Social. A PM requereu dos profissionais de SSO pensar e implementar as Políticas Sociais (PS) para enquadrar as forças produtivas ao projeto. O auge desse projeto foi o parque industrial brasileiro, plenamente desenvolvido. Porém, o lucro advindo desse desenvolvimento não era dividido.

A crise começa quando as forças produtivas do ABC Paulista entraram em greve em meio à já inerente crise internacional. A burguesia que a princípio apoiava o golpe percebe a realidade do Projeto Desenvolvimentista Capitalista. É nesse contexto que, em 1979, no III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (III CBAS), os profissionais presentes no congresso se posicionam politicamente ao lado das forças produtivas.

O congresso da virada foi o ponto de partida para o reconhecimento dos profissionais de SSO como uma profissão e o entendimento de que todos que não detêm os meios de produção fazem parte da classe trabalhadora, que vive do trabalho.

Rompimento com a Visão Dualista

Por que o SSO rompeu com uma visão dualista, superando o compromisso apenas com uma das classes?

Segundo a autora, a revisão ético-filosófica no SSO possibilitou a superação do compromisso apenas com uma classe, comprometendo-se, para além dela, com a defesa intransigente dos valores humanos genéricos, da ontologia do ser social, visando a liberdade, igualdade e justiça universal. Este compromisso possibilitou o rompimento com a visão dualista/maniqueísta.

Cabe ressaltar que este foi um processo dialético, que superou alguns equívocos no que se refere à apropriação da teoria marxista. Sendo assim, a revisão também propiciou à categoria dos profissionais de SSO entender que a política social é um meio e não o fim.

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