A Reconstrução do Pós-Guerra e a Guerra Fria

Classificado em História

Escrito em em português com um tamanho de 6,95 KB

A reconstrução do pós-guerra

A definição de áreas de influência

Quando a 2.ª Guerra Mundial acabou, antigas potências, como a Alemanha e o Japão, que tinham sonhado com grandes domínios territoriais, saíram da guerra vencidas e humilhadas. Outras, como o Reino Unido e a França, embora vitoriosas, viam-se empobrecidas e dependentes da ajuda externa. No quadro de ruína e desolação do pós-guerra, só 2 potências se agigantavam: a URSS (devido ao seu Exército Vermelho e à imensa extensão geográfica) e os EUA (1.ª potência mundial).

A Conferência de Potsdam

Alguns meses mais tarde, em finais de julho, reuniu-se em Potsdam, junto de Berlim, uma nova conferência com o fim de consolidar os alicerces da paz. A Conferência de Potsdam decorreu num clima bem mais tenso que a de Ialta, devido à pressão de Estaline (devido às desconfianças face ao regime comunista que Estaline representava e às suas pretensões expansionistas na Europa). Essa conferência limitou-se a ratificar e pormenorizar os aspetos já acordados em Ialta:

  • A perda provisória de soberania da Alemanha e a sua divisão em 4 áreas de ocupação;
  • A administração conjunta da cidade de Berlim, igualmente dividida em 4 setores de ocupação;
  • O montante e o tipo de indemnizações a pagar pela Alemanha;
  • O julgamento dos criminosos de guerra nazis por um Tribunal Internacional (Nuremberga);
  • A divisão/ocupação e desnazificação da Áustria em moldes semelhantes aos estabelecidos para a Alemanha.

A afirmação do Estado-Providência

Pode considerar-se o Reino Unido como o pioneiro do Estado-Providência, onde cada cidadão tem asseguradas as suas necessidades básicas:

  • As medidas adotadas em Inglaterra serviram de modelo à maioria dos países europeus;
  • A estruturação do Estado-Providência na Europa do pós-guerra faz-se rapidamente. O sistema de proteção social generaliza-se em toda a população, estabelecem-se prestações de ajuda familiar e outros subsídios aos mais pobres;
  • Ampliam-se as responsabilidades do Estado no que toca à habitação, ensino e assistência médica;
  • Este conjunto de medidas tem um duplo objetivo:
    • Por um lado, reduz a miséria e o mal-estar social, contribuindo para uma repartição mais equitativa da riqueza;
    • Por outro lado, assegura uma certa estabilidade à economia, já que evita descidas drásticas da procura como a que ocorreu na crise dos anos 30.
  • Assim, o Estado-Providência foi também um fator da grande prosperidade económica que o Ocidente viveu nas décadas que se seguiram à 2.ª Guerra Mundial.

A Guerra Fria

Características da Guerra Fria

  • Corrida ao armamento (especialmente ao nuclear);
  • Proliferação de conflitos localizados e crises militares;
  • Visão simplista e extremada do bloco contrário;
  • Autêntica “guerra de nervos” em que cada bloco procurou superiorizar-se ao outro (quer em armamento, quer na ampliação das suas áreas de influência);
  • Toda esta guerra foi acompanhada com uma gigantesca propaganda que incutia na população a ideia de superioridade do seu sistema e a rejeição e o temor ao lado contrário (caracterizado pelas suas intenções sinistras e os planos diabólicos);
  • Para além das ambições hegemónicas das duas potências, tínhamos também duas conceções opostas de organização política, vida económica e estrutura social:
    • Do lado dos EUA: o liberalismo (assente sobre o princípio da liberdade individual);
    • Do lado da União Soviética: o marxismo (que subordinava o indivíduo ao interesse da coletividade).

O mundo comunista

  • Em 1945, quando o segundo conflito mundial terminou, existiam apenas 2 países comunistas: a URSS e a Mongólia;
  • Entre 1945 e 1949, o comunismo implanta-se na Europa Oriental, na Coreia do Norte e na China;
  • Nos anos 50 e 60 continua o seu progresso no Vietname do Norte, Camboja e Birmânia, e encontra em Cuba um novo posto avançado;
  • Na década de 70, ganha novos países asiáticos e difunde-se na África Negra;
  • A URSS, tanto pelo seu poderio como pelo seu papel pioneiro, encontra-se à cabeça deste novo mundo.

O expansionismo soviético

  • A expansão do mundo comunista fez-se, em grande parte, sob a égide da URSS;
  • Condições favoráveis à extensão do comunismo:
    • Reforço da posição militar soviética;
    • Desencadear do processo de descolonização, que criou condições favoráveis à extensão do comunismo e ao estreitamento de laços de amizade e cooperação entre Moscovo e os países recentemente emancipados.
  • A URSS saiu, assim, do isolamento a que estivera votada desde a Revolução de Outubro, alargando a sua influência nos 4 continentes.

Influência da URSS na Europa

  • A primeira vaga de extensão do comunismo atingiu a Europa Oriental sob a pressão direta da URSS;
  • Os novos países socialistas receberam a designação de democracias populares:
    • Defendem que a gestão do Estado pertence, em exclusivo, às classes trabalhadoras;
    • Essas classes trabalhadoras “exercem o poder” através do Partido Comunista;
    • As eleições funcionam mediante sufrágio universal, mas com a apresentação de candidaturas e listas únicas de caráter oficial.

Pacto de Varsóvia

  • Permitiu, em 1955, o reforço dos laços entre os países do bloco soviético;
  • Aliança militar que previa a resposta conjunta a qualquer eventual agressão;
  • Este pacto veio apenas reforçar acordos bilaterais já existentes.

A construção de uma nova ordem internacional: as conferências de paz

Entre 4 a 11 de fevereiro de 1945, Roosevelt, Estaline e Churchill reuniram-se nas termas de Ialta, com o objetivo de estabelecer as regras que deveriam sustentar a nova ordem internacional do pós-guerra. Apesar das divergências, o clima de cooperação permitiu acordos importantes:

  • Definiu-se a fronteira entre a Polónia e a União Soviética;
  • Estabeleceu-se a divisão provisória da Alemanha em 4 áreas de ocupação;
  • Decidiu-se a reunião da conferência preparatória da Organização das Nações Unidas.

Plano Molotov

  • Surge em janeiro de 1949, como "resposta" de Moscovo ao Plano Marshall;
  • Estabelece as estruturas de cooperação económica da Europa Oriental;
  • Criação do COMECON (Conselho de Assistência Económica Mútua), destinado a promover o desenvolvimento integrado dos países comunistas sob a égide da União Soviética.

Entradas relacionadas: