Redução e Controle de Perdas na Pós-Colheita
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Redução e controle de perdas nas fases da colheita e pós-colheita: A colheita e o descarregamento podem causar danos mecânicos. O processo envolve secagem, escovação, aplicação de cera (que reduz a respiração), seleção por qualidade e tamanho, processamento (conforme a demanda do consumidor ou indústria), embalagem, vedação e transporte. O transporte refrigerado em caminhão é um dos estágios mais complicados. Todos os estágios e pessoas envolvidas contribuem para as perdas. Quanto mais fases, maiores as perdas; quanto mais tecnologia, menores as perdas.
Qualidade vem do campo: Na pré-colheita, utiliza-se a aplicação de reguladores vegetais na folha visando a preservação da qualidade na pós-colheita. Fatores como cultivar e genótipo (resistência a doenças e qualidade nutricional focada em evitar perdas, não apenas produtividade), nutrição mineral (atraso na maturidade, inibição da mudança da cor verde para amarelada), irrigação (quantidade e tempo) e qualidade da água influenciam o SST (Sólidos Solúveis Totais) e a perda de água. Quanto mais nitrogênio na água, maiores as perdas.
Fatores que causam perdas
- Fatores externos: Temperatura, Umidade Relativa (UR), danos mecânicos e patologias.
- Temperatura: É o fator principal, gerando perda de qualidade direta na respiração, enzimas e metabolismo. Temperaturas extremas (altas ou baixas) causam danos, como o congelamento de unidades nutricionais.
- Umidade relativa: O excesso ou a falta de água pode causar a morte do tecido ou perda de textura.
- Lesões físicas: Geram amadurecimento não uniforme, entrada de agentes patogênicos, alterações fisiológicas, perda de peso e de qualidade. O impacto afeta o produto por inteiro; a compressão causa deformação celular e ponderal; a vibração ocorre em esteiras ou caminhões.
- Agentes patogênicos e pragas: Bactérias, fungos, vírus, pombos e moscas. Previnem-se com defensivos, porém estes podem gerar resíduos.
- Fatores internos: Respiração, mudanças na composição e na morfologia.
Respiração: É inevitável, mas deve ser minimizada. Quanto mais o produto respira, mais água e peso ele perde (perda quantitativa) e mais açúcar consome (perda qualitativa).
Mudanças na composição química: São respostas secundárias a outros fatores, resultando em perda de valor comercial. Por exemplo, o repolho perde 42% de vitamina C em 4 dias a 24°C. O escurecimento químico (banana e carambola) e o chilling (pontos escuros na casca por baixa temperatura, como no kiwi, que também apresenta polpa mole) são respostas térmicas. Ocorre também a oxidação lipídica em produtos oleaginosos.
Mudanças morfológicas: Alterações físicas na aparência interna e externa, como o brotamento e desordens fisiológicas (formação de 'marb'), que tornam o produto visualmente indesejável.
Etapas e Tecnologias de Controle
Colheita: É um estresse para o produto, aumentando a respiração logo após o desprendimento da planta-mãe. Deve-se considerar o ponto adequado de desenvolvimento (maturidade hortícola e índices de maturidade), o horário (preferencialmente em temperaturas amenas ou à noite) e o método (manual ou mecânico).
- Colheita manual: Indicada para cenoura, batata-doce, folhosas e colheitas múltiplas (tomate, morango). Vantagens: Colheita no ponto exato de maturação, danos mecânicos mínimos e seleção no campo. Desvantagens: Falta de treinamento, alto custo de mão de obra e limitações de escala.
- Colheita mecanizada: Usada para raízes, rizomas e nozes destinados ao processamento industrial. Reduz a mão de obra, mas pode causar danos em culturas perenes.
Beneficiamento e Classificação: Preparação para o mercado. Inclui a aplicação de ceras, fungicidas e cloro. A classificação elimina produtos fora do padrão de tamanho, diâmetro, peso ou cor.
Embalagem: Não existe embalagem universal; existem mais de 500 tipos dependendo do produto e distância. Deve seguir a Normativa N 009 de 12 de novembro de 2002. Suas funções são proteção contra danos mecânicos (impacto, compressão, vibração) e fatores ambientais. Materiais comuns incluem madeira (inadequada por ser difícil de higienizar), papelão e polímeros (PVC, PET, isopor). Embalagens ativas/inteligentes podem absorver etileno ou indicar o pH e textura do produto.
Tratamentos e Armazenamento
Pré-resfriamento: Retira o calor do campo rapidamente para reduzir o estresse. Métodos incluem água fria (hidrorresfriamento), gelo, vácuo, câmara simples ou ar forçado.
Armazenamento: Realizado em câmaras frias. O tempo depende do produto e do mercado. O controle da UR (80-95%) e da temperatura é vital para evitar o murchamento ou o crescimento de microrganismos.
Tratamentos Químicos e Gasosos: Uso de ozônio (O3), cloro, ácido peracético ou ácidos orgânicos (ascórbico, cítrico). O Etileno deve ser controlado (removido com permanganato de potássio ou inibido com 1-MCP) para retardar o amadurecimento e manter a integridade celular.
Atmosfera Controlada (AC) e Modificada (AM): A AC envolve o controle exato de O2 e CO2 em câmaras vedadas. A AM utiliza filmes plásticos (como PVC) onde a própria respiração do produto altera os níveis de gases ao seu redor, prolongando a vida útil e atendendo à demanda por produtos frescos e de alta qualidade.