Reflexão sobre Prática Docente e Trabalho Colaborativo

Enviado por Anônimo e classificado em Desporto e Educação Física

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A presente reflexão crítica, elaborada no decurso do meu primeiro ano do Mestrado em Ensino, reporta-se à experiência de observação e intervenção pedagógica numa turma do 5.º ano de escolaridade. O contacto direto com a realidade escolar permitiu-me constatar, numa fase inicial de diagnóstico, a acentuada heterogeneidade do grupo, particularmente no que concerne à postura dos alunos com maiores dificuldades e necessidades educativas. Notoriamente, este subgrupo manifestou um menor investimento escolar, evidenciado pelo incumprimento sistemático das tarefas de casa, mesmo quando o prazo de execução se estendia entre oito a quinze dias. Em contexto de sala de aula, a sua participação revelou-se escassa e, quando ocorria, era frequentemente marcada pela impulsividade, culminando em respostas irrefletidas e erróneas. Contudo, foi extremamente enriquecedor observar a forma exímia como o docente cooperante geria estas situações. Recorrendo estrategicamente ao humor, o professor conseguia captar a atenção do aluno, travando o seu raciocínio precipitado e induzindo-o a refletir ponderadamente sobre o que lhe era questionado. Esta gestão empática era complementada por uma excelente rentabilização dos recursos digitais, promovendo a visualização dos conceitos matemáticos em detrimento de uma abordagem puramente teórica, e por uma constante interligação das tarefas com situações do quotidiano, facilitando a apropriação do conhecimento. No plano relacional, observei um fenómeno algo ambíguo: os alunos nutriam um evidente apreço pelo professor, aceitando a sua autoridade mesmo quando repreendidos por episódios de mau comportamento frequentes no exterior da sala; todavia, no interior do grupo, identificou-se uma forte cumplicidade negativa entre pares, mobilizada não para o empenho académico, mas sim para o desvio de atenção e para a indisciplina.

Se a dimensão da observação se revelou muito formativa, a fase de planificação e intervenção constituiu um desafio profundo e desgastante, fortemente marcado pelas assimetrias de empenho e de conhecimento no seio da minha equipa de trabalho. A dinâmica que se exigia colaborativa transformou-se, na prática, numa sistemática sobrecarga individual. A delegação de tarefas foi constantemente inviabilizada pelas minhas colegas, que se escudaram no argumento de não pertencerem à área da Matemática e de não possuírem as competências necessárias para a execução das atividades propostas.

Esta postura culminou em episódios de manifesta desresponsabilização, dos quais destaco a recusa de uma colega em pesquisar como se elaborava um simples gráfico num processador de texto, assumindo frontalmente que eu acabaria por executar a tarefa mais tarde. Como forma de contrariar esta inércia e tentar capacitar o grupo, optei por não realizar o trabalho por ela, remetendo-lhe um vídeo tutorial elucidativo para que o pudesse seguir de forma autónoma. Todo este processo exigiu da minha parte uma supervisão exaustiva, correções reiteradas e o ensino de competências básicas, o que se revelou profundamente exaustivo e frustrante no contexto do ensino superior.

Inevitavelmente, estas lacunas científicas e técnicas e a evidente falta de compromisso condicionaram fortemente o desenho pedagógico da intervenção. O meu projeto inicial visava a conceção de um "Trilho Matemático" ambicioso e rigoroso, com tarefas altamente personalizadas e adaptadas a cada espaço específico do recinto escolar. Dada a incapacidade das colegas em acompanhar as exigências conceptuais e de execução desta planificação, vi-me forçada a reestruturar e a simplificar a atividade. Assim, a intervenção materializou-se num "Peddy Paper Matemático", assumindo o formato mais tradicional de uma revisão geral focada em conteúdos consolidados, como o cálculo de áreas, perímetros e a análise de gráficos. Paradoxalmente, nesta minha estreia na conceção de um percurso deste género, o esforço de diferenciação e de adaptação pedagógica, que deveria estar centrado exclusivamente em colmatar as necessidades educativas dos alunos com dificuldades, teve de ser canalizado também para as minhas próprias colegas de grupo. Esta constatação constituiu uma dura aprendizagem sobre a complexidade do trabalho colaborativo e sobre a necessidade premente de resiliência e de flexibilidade na prática docente, reforçando a minha perceção das reais exigências da nossa futura profissão.

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