Reformas do Património no Antigo Regime e Desamortizações

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Património do Antigo Regime

O património do Antigo Regime

A terra do Antigo Regime foi caracterizada pelo predomínio dos terrenos úteis nas mãos da nobreza e da Igreja.

A nobreza, graças à instituição da primogenitura, mantinha a imobilidade da propriedade, impedindo a livre alienação e a circulação dos bens.

A Igreja possuía grandes extensões de terra como resultado de numerosas doações. O solo permanecia "congelado", nas chamadas mãos mortas, sem possibilidade de uso livre pelo mercado.

Os municípios eram proprietários com origem em concessões reais durante a Reconquista. Assumiam duas formas: terras de uso comum pela comunidade e terras arrendadas a particulares.

Como resultado, a quantidade de terras acessíveis a novos proprietários foi diminuindo e tornaram-se cada vez mais caras.

Declínio rural e causas do despovoamento

A paisagem rural espanhola estava esvaziada e imersa em ruínas. O despovoamento teve raízes na dureza da vida camponesa: excesso de trabalho, baixas remunerações, anomalias climáticas e a falta de reservas alimentares convidavam à emigração para a cidade.

O problema principal era o baixo rendimento agrícola, consequência do atraso técnico. A terra era trabalhada com arado romano e cultivada com o sistema de pousio.

O agricultor dispunha de pouco capital para melhorar equipamentos escassos e animais auxiliares: faltava mecanização, adubos químicos e seleção de sementes.

A situação agravava-se por condicionamentos da actividade agropecuária, como a persistência de leis antigas que proibiam arar terras cercadas por pastagens. Existiam também regulamentações que limitavam a comercialização de determinados produtos ou fixavam preços.

Desde as últimas décadas do século XVIII, a agricultura revelou problemas económicos e sociais cada vez mais prementes, tornando-se fundamental e urgente a necessidade de reforma.

Processo de desamortização e reposse

Processo de reposse e desamortização

Com leis destinadas a desvincular bens da nobreza e a retirar o estatuto inalienável das propriedades da Igreja e dos municípios — então nas chamadas mãos mortas — procedeu-se à sua comercialização.

Ambas as acções procuraram o mesmo objectivo: permitir a circulação e a venda dos bens da nobreza, do clero e dos municípios, numa situação em que as finanças públicas eram insustentáveis.

Essas medidas consistiram em expropriar propriedades urbanas e rurais do clero e dos municípios, nacionalizá-las e posteriormente vendê-las a particulares em hasta pública. O Estado comprometeu-se a compensar a Igreja, assumindo as despesas do culto e do clero.

O termo desvinculação referia-se aos bens laicos, enquanto o confisco incidia sobre os bens da Igreja.

Dimensões da desamortização

A desamortização teve dupla dimensão:

  • A primeira visou a abolição do sistema feudal, pondo fim a uma série de relações de dominação dos senhores baseadas em privilégios régios, transformando essas terras em propriedade privada e livre.
  • A segunda medida foi a abolição da primogenitura, destinada a impedir a concentração hereditária da propriedade e a facilitar a circulação dos bens.

O processo iniciado em Cádiz foi longo devido às numerosas reclamações e dificuldades, concluindo-se oficialmente em 1837. A abolição da primogenitura foi apenas insinuada em Cádiz; a primeira lei relevante surgiu em 1820 e foi reforçada durante o Triénio Liberal. A resistência da nobreza atrasou a plena aplicação até 1841.

A apreensão dos bens — primeiro da Igreja e depois de bens municipais ou comunais — foi intensa durante o século XIX e prolongou-se ainda no século XX.

O confisco implicava dois momentos distintos: primeiro, a apreensão pelo Estado para retirar os bens das "mãos mortas" e transformá-los em património nacional; segundo, a venda desses bens em leilão. O produto obtido destinava-se a atender às necessidades do Estado.

Consequências económicas e sociais

As desamortizações procuraram modernizar a economia, aumentar a receita pública e fomentar um mercado de terras mais flexível. No entanto, geraram conflitos, resistências sociais e nem sempre promoveram uma distribuição mais equitativa da propriedade.

Resumo
  • O Antigo Regime caracterizava-se pela imobilidade da terra nas mãos da nobreza, da Igreja e dos municípios.
  • O atraso técnico e as restrições legais explicam o baixo rendimento agrícola e o despovoamento rural.
  • As desamortizações e os processos de reposse visaram dinamizar o mercado de terras e reforçar as finanças do Estado, com efeitos complexos e duradouros.
Termos-chave

Primogenitura, mãos mortas, desamortização, confisco, Cádiz.

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