Reformas Religiosas, Absolutismo e Revoluções Inglesas
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Reformas Religiosas
Reformas religiosas: Protestaram contra a hegemonia dos paradigmas católicos sobre o mundo cristão.
Contexto Histórico
- Simonia: nomeação de amigos ricos para cargos eclesiásticos;
- Nepotismo: nomeação de parentes para cargos eclesiásticos;
- Defesa da infalibilidade católica: crença na perfeição dos padres;
- Venda das relíquias sagradas: comercialização de velas, fitas, etc.;
- Defesa da teoria da Santíssima Trindade;
- Defesa do celibato católico: proibição do casamento e filhos para os religiosos católicos;
- Indissolubilidade do matrimônio: proibição do divórcio no casamento;
- Cobrança de indulgências: pagamento em dinheiro pela remissão dos pecados;
- Defesa da teoria do justo preço: proibição de vender qualquer produto com fins lucrativos acima de 10%.
Luteranismo na Alemanha
Martinho Lutero lançou as 95 teses na catedral de Wittenberg em 1517. Lançou a teoria da salvação pela fé, criticou os sacramentos católicos defendendo apenas o batismo e a eucaristia, condenou a cobrança de indulgências, negou a infalibilidade católica, defendeu a tradução bíblica e a livre interpretação. O papa Leão X o excomungou em 1521, e Lutero fundou a Igreja Luterana com apoio da nobreza.
Anglicanismo na Inglaterra
Henrique VIII separou-se de Catarina de Aragão para casar-se com Ana Bolena. Ele lançou a teoria da dissolubilidade do matrimônio, porém foi excomungado pelo papa Clemente VII por heresia notória. Confiscou todos os bens católicos, distribuindo-os entre os nobres anglicanos, assinou os Atos de Supremacia e fundou a Igreja Anglicana em 1534, estabelecendo a supremacia do poder real sobre o religioso e as nomeações de autoridades eclesiásticas anglicanas pelo rei.
Calvinismo na França
João Calvino criticou a teoria do justo preço e lançou a teoria da predestinação absoluta (salvação pela fé determinada pela graça de Deus). Defendeu o trabalho burguês e honesto, a poupança e a riqueza, justificando ideologicamente a acumulação de capital para a burguesia. Criticou os sacramentos católicos e defendeu a livre interpretação bíblica. Influenciou a Suíça, Países Baixos e França; espalhou-se na Inglaterra como puritanismo e na Escócia como presbiterianismo.
Reforma Católica (Contrarreforma)
Defesa dos sacramentos católicos (ordenação, confissões, matrimônio, batismo, eucaristia, crisma e a extrema-unção). Vulgata: bíblia escrita em latim. Salvação pela fé e pelas obras dentro da igreja, indissolubilidade do matrimônio, infalibilidade eclesiástica católica, defesa da tradição católica e do celibato. Transubstanciação: transformação do pão em corpo e do vinho em sangue de Cristo. Index Librorum Prohibitorum: índice de livros proibidos. Tribunal do Santo Ofício ou Santa Inquisição e a Companhia de Jesus para evangelizar os fiéis.
Absolutismo e Mercantilismo
Foram as bases das monarquias nacionais entre os séculos XV e XVIII.
Características dos Estados Nacionais
- Rei com poderes supremos;
- Idioma único e fronteiras geográficas estabelecidas;
- Símbolos nacionais e moeda única;
- Defesa da teoria da origem divina dos reis;
- Defesa dos privilégios feudais.
Teoria do Absolutismo Monárquico
- Jacques Bossuet: Obra Princípios Políticos Extraídos das Sagradas Escrituras; para ele, a natureza humana era divina.
- Thomas Hobbes: Obra O Leviatã; "Homo Homini Lupus" (O homem é o lobo do homem); para ele, a natureza humana era violenta.
- Nicolau Maquiavel: Obra O Príncipe; amado ou temido, "urso ou lobo", fortuna e virtude. Defendia que somos maus, covardes e egoístas, e que "os fins justificam os meios". Utilizou argumentos racionais, criticou argumentos teológicos e fundou a ciência política moderna, separando a ética da prática política.
Mercantilismo
- Concessão de monopólios: Trato de exclusividade para uma empresa explorar um setor do mercado;
- Metalismo: Acúmulo de metais preciosos;
- Pacto Colonial: As colônias devem exportar matérias-primas baratas e importar produtos industrializados caríssimos;
- Balança Comercial: O Estado deve gastar menos do que arrecada, importar pouco e barato.
Modelos: França (Colbertismo); Inglaterra (Comercialismo); Alemanha (Cameralismo); Portugal (Colonialismo); Espanha (Metalismo); Holanda (Financeirismo).
Revoluções Liberais Inglesas do Século XVII
"A Revolução Puritana e a Gloriosa foram determinantes para a derrubada do absolutismo monárquico na Inglaterra e promoveram a ascensão do parlamentarismo britânico burguês".
O Governo de Carlos I
Defensor do absolutismo monárquico, assinou a Petição dos Direitos, mas dissolveu o Parlamento Britânico. Impôs o Ship Money (impostos sobre atividades portuárias), cassou mandatos e prendeu opositores. Defensor dos católicos, reprimiu a burguesia puritana.
Parlamento Inglês
- Câmara dos Lordes: Espirituais e temporais ou laicos; defensores do absolutismo e dos privilégios feudais.
- Câmara dos Comuns: Gentlemen, yeomen e puritanos; defensores da liberdade econômico-religiosa, redução dos impostos e da igualdade.
Exército de Novo Tipo
- Levellers (Niveladores): Pobres defensores da igualdade socioeconômica, da liberdade religiosa e do fim dos impostos.
- Diggers (Cavadores): Sem-terras, defensores da reforma agrária e da tomada das terras nobres para distribuí-las entre os pobres.
A Revolução Puritana
Derrotaram os monarquistas, vencendo nas batalhas de Hull, Bristol, Oxford, York, Naseby e Langport. Prisão do rei Carlos I, que foi condenado à morte em 30 de janeiro de 1649. Com isso, a monarquia chegou ao fim com apoio dos puritanos.
Oliver Cromwell
Assumiu o poder entre 1649 e 1658, proclamou a República, aboliu impostos e taxas arbitrárias e extinguiu privilégios feudais. Assinou os Atos de Navegação (estabelecia a supremacia marítimo-comercial dos britânicos sobre o comércio da Europa, vencendo Espanha e Holanda), reprimiu o radicalismo dos levellers e diggers e dissolveu o parlamento.
A Restauração dos Stuart
Os realistas coroaram Carlos II como rei da Inglaterra e Escócia. Ele incentivou o comércio e a indústria, estabeleceu a liberdade de pensamento, estimulou a ciência e fez uma reforma educacional. O absolutismo do rei Jaime II, católico, resultou em um governo que desagradou profundamente a alta burguesia inglesa.
Revolução Gloriosa
Sem dar um único tiro, a burguesia derrubou o rei Jaime II. Ocorreu a coroação de Guilherme de Orange como rei da Inglaterra, casando-o com Maria Stuart. O rei Guilherme III foi obrigado a assinar o Bill of Rights (Declaração dos Direitos), resultando na limitação do poder real e aumento do poder do Parlamento Inglês. Criação do Parlamentarismo: o rei reina, mas não governa; quem manda é o Primeiro-Ministro (chefe de governo/premier) escolhido pelo Parlamento. O rei é uma autoridade honorífica (representativa).