As Regências de Isabel II: Liberalismo e Conflitos
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As Regências de Isabel II
Durante a menoridade de Isabel II, a responsabilidade pela Coroa foi assumida pela regência de sua mãe, Maria Cristina, e posteriormente pelo general Espartero. Esta década foi politicamente dominada pela indeterminação carlista e pela consolidação do liberalismo em Espanha, marcado pela alternância entre dois grupos:
- Moderados: Liderados pelo general Narváez, representavam os grandes proprietários, a nobreza e a classe média alta. Defendiam o liberalismo doutrinário francês, a soberania compartilhada entre o Rei e as Cortes e a limitação dos direitos individuais.
- Progressistas: Liderados por Espartero, tinham como base a pequena burguesia, a classe média, operários e artesãos. Defendiam a soberania nacional representada no Parlamento e a limitação do poder real.
Regência de Maria Cristina (1833-1840)
O reinado iniciou-se com Cea Bermúdez, orientando-se para o liberalismo através de medidas como a anistia aos liberais, a reforma do exército e a renovação dos municípios. Em 1834, Martínez de la Rosa promulgou o Estatuto Real, um documento que, embora não renunciasse à soberania da Coroa, cedia poderes às Cortes bicamerais.
O governo enfrentou graves problemas com a Guerra Carlista e a instabilidade econômica. O Conde de Toreno assumiu a presidência com Mendizábal na pasta das Finanças. Mendizábal implementou o confisco eclesiástico (expropriação de terras da Igreja e municípios para venda em hasta pública), visando financiar a guerra e criar uma base de apoio à causa liberal.
Após o motim dos sargentos em 1836, foi restaurada a Constituição de 1812, culminando na Constituição de 1837, que buscou o consenso entre moderados e progressistas, estabelecendo a soberania nacional, a separação de poderes e o reconhecimento dos direitos individuais.
Regência de Espartero (1840-1843)
Após a renúncia de Maria Cristina, o general Espartero assumiu a regência. Seu governo foi marcado por forte oposição parlamentar, pois Espartero governava apoiando-se diretamente nas classes urbanas e no exército, em vez de buscar o consenso no Parlamento.
Sua política antiforalista e o apoio ao livre comércio geraram revoltas, culminando no estado de sítio em Barcelona. Em 1843, uma coalizão de moderados e progressistas, liderada por Narváez, mobilizou-se contra o regente. Após a derrota das tropas de Espartero em Torrejón de Ardoz, o general foi exilado, encerrando o período e abrindo caminho para a maioridade de Isabel II.