Religião, Existencialismo e o Sentido da Vida

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A Natureza como Hierofania

Os religiosos acreditam no seu Deus, logo acreditam que foi este que criou o Universo e tudo o que existe, incluindo, claro, a natureza. Assim, estes acreditam que a natureza inteira é uma realidade cósmica, ou seja, foi criada por Deus e, como todo o universo, é sagrada. Mircea Eliade refere-se ao facto de o homem religioso admitir a existência de dois domínios com caracteres que os distinguem e, mesmo, opõem: o profano e o sagrado. O primeiro diz respeito ao mundo físico e aos acontecimentos naturais e humanos que nele ocorrem; o segundo respeita a um mundo metafísico cujos seres e acontecimentos são de ordem natural. Como tal, podemos considerar que a natureza é uma hierofania (manifestação do sagrado).

Podemos também afirmar que, da perspetiva dos crentes, todo o Cosmos é também uma hierofania, já que Deus é o grande criador e, ao criar todo o universo, deu uma manifestação da sua existência. Isto é, se tudo à nossa volta foi criado por Deus, tudo são sinais de que este existe, logo tudo são hierofanias. No período moderno, houve um filósofo (Descartes) que afirmou que o próprio facto de nós conseguirmos racionalizar foi uma dádiva de Deus, e assim podemos concluir que tudo o que Deus criou pode ser considerado uma hierofania, já que tudo “são provas” de que este existe.

A Origem da Religião e a Finitude Humana

E. Drewermann está certo quanto à pergunta que fez, abordando a questão da origem da religião, isto é, do processo que leva o ser humano a admitir a superioridade de uma esfera transcendente, cuja existência não pode ser assegurada por modos racionais de conhecimento e compreensão. Segundo o autor, o ser humano sabe que, como tudo na sua vida, é finito. Isto faz com que este se aperceba da sua pequenez (pois apercebe-se que um dia irá, eventualmente, deixar de existir), mas também da sua grandeza (já que é o único ser capaz de “se aperceber” deste facto).

Ao saber que a sua finitude é iminente, o ser humano tem de se apoiar em alguma coisa que o faça querer que a sua existência não terminará pela morte. E é aqui que entra Deus. Deus dá esperança e força ao ser humano, fazendo-o acreditar que, se este seguir o caminho por Ele indicado e tentar ser digno da ressurreição (respeitando as regras da sua religião e tentando assemelhar-se ao seu próprio Deus), quando “morrer”, a sua existência não irá ficar por ali. Dar-se-á a sua morte de corpo, mas, se a alma for pura, esta irá subir a uma nova dimensão, irá fazer parte do transcendente.

O facto de o ser humano acreditar no transcendente é condenado por muitos, pois estes afirmam que a religião retira a liberdade e a responsabilidade do ser humano (ex: Freud, Marx e Nietzsche).

O Homem e a Construção do Sentido

A posição filosófica exposta no texto é “O Homem dá sentido à existência”. Esta posição defende que a vida adquire sentido consoante o que cada ser humano escolhe e as decisões que toma, sendo este livre e responsável pelas suas próprias decisões. Os dizeres de Sartre apontam para a convicção de que, considerados em si mesmos, o mundo e a vida são um absurdo e em que os fenómenos se sucedem desordenadamente, sem qualquer objetivo ou relação entre si; ou seja, esta afirmação remete para a grandeza do Homem. Esta afirmação refere que, ao contrário do que muitos defendem, não é Deus que nos faz seguir um rumo, nem é Deus que dá sentido à existência, mas sim nós próprios. Nós traçamos os nossos objetivos e tomamos as nossas decisões com base nos nossos desejos e ambições, e não com base nas normas de uma religião. Como a afirmação diz, “nós inventamos os valores”.

No período contemporâneo, começaram a surgir cada vez mais filósofos que apoiam esta posição. Alguns deles eram Freud, um psicanalista que dizia que “a religião era uma neurose coletiva”; Marx, que dizia que “a religião é o ópio do povo”; ou até mesmo Nietzsche, o mais extremo, que dizia “Deus morreu”. De uma maneira geral, todos estes filósofos queriam demonstrar que a religião exprimia as ideias e a liberdade, e que todos se deviam libertar desta posição; para isto, estes deveriam acreditar sobretudo na razão e na independência do Homem.

Análise de Conceitos e Exercícios

  1. O que quer que aconteça, tudo vale a pena se a alma não é pequena. - Valor
  2. Não saber o que se quer conduz a atos inúteis. – Direção
  3. Se é sexta-feira, dia 13, é melhor não sair de casa. - Significação
  4. Os fins justificam os meios. – Direção
  5. Há quem interprete os males do mundo como castigo de Deus. - Significação
  6. Retirados do contexto, os acontecimentos não se entendem. - Relação
  7. Não faz sentido caminhar em direção oposta ao que nos propusemos. – Direção
  8. A pomba branca simboliza a paz. - Significação
  9. Os produtos são caros ou baratos em função do que ganham as pessoas. - Relação
  10. Não interessa receber uma herança essencialmente constituída por dívidas. - Valor

Características da Experiência Religiosa

  • Atitude afetiva: É desenvolvida uma relação ao sagrado com um complexo de sentimentos como a admiração, o respeito e o amor.
  • Admissão de dois domínios: O religioso admite a existência do profano e do sagrado.
  • Crença na revelação: O sagrado revela-se através de sinais que o homem reconhece como manifestações divinas.
  • Atitude valorizante: O religioso coloca a divindade e o sagrado num plano superior.
  • União ao sagrado: A experiência do sagrado confere ao homem a convicção de estar unido à divindade.
  • Uma filosofia de vida: As pessoas pertencentes à mesma religião partilham um conjunto de ideias gerais e de práticas de vida.
  • Um sistema de valores morais: Em todas as religiões existe um código moral regulador das atitudes e condutas.
  • Uma oportunidade de comunicação: Os rituais de cada religião são ocasião de encontro entre as pessoas.
  • Uma integração institucional: Num religião, a partilha das mesmas crenças, o encontro habitual dos crentes nos mesmos lugares e a participação nos mesmos acontecimentos e celebrações contribuem para o fortalecimento da identidade de grupo.

Classificação de Sentido Existencial

  1. A vida tem significado enquanto nos é prometida a felicidade eterna. – Deus confere sentido à existência
  2. O Homem é o único responsável pela sua vida. – Homem confere sentido à existência
  3. A procura do sentido não possui qualquer sentido. – Carácter absurdo da existência
  4. A esperança está em Deus. - Deus confere sentido à existência
  5. O Homem é aquilo que ele se faz. - Homem confere sentido à existência
  6. A justiça divina é melhor que a dos Homens, mas o seu autor é a imaginação do ser finito. - Homem confere sentido à existência
  7. A esperança está em cada homem. - Homem confere sentido à existência
  8. O homem é aquilo que ele se faz, mas o livre arbítrio é uma dádiva de Deus. - Deus confere sentido à existência
  9. Ao construir-se, o homem não obedece a um objeto prévio divino. - Homem confere sentido à existência
  10. Não há possibilidade de dar qualquer significado à vida. - Carácter absurdo da existência
  11. O absoluto é a razão do ser do homem. - Deus confere sentido à existência
  12. A vida humana é um absurdo. - Carácter absurdo da existência
  13. A justiça divina é melhor que a dos homens. - Deus confere sentido à existência
  14. Deus é a garantia da imortalidade. - Deus confere sentido à existência
  15. O homem é o autor do seu destino. - Homem confere sentido à existência

Verdadeiro ou Falso: Evolução do Pensamento

  1. A primeira forma de explicação do cosmos foi de natureza mítico-religiosa. - Verdadeiro
  2. A primeira forma de explicação do cosmos foi de natureza mítico-religiosa ainda que o logos fosse, ao mesmo tempo, um modelo de explicação válido da realidade. - Falso
  3. Os gregos foram os primeiros a construir uma explicação do universo e do homem adotando o logos como instrumento ao serviço da teologia. - Falso
  4. Os gregos foram os primeiros a construir uma explicação do universo e do homem adotando o logos como instrumento ao serviço do mito. - Falso
  5. No período medieval, a razão aparece sempre ao lado da fé como uma forma de compreensão e explicação do cosmos tão válida como as verdades da teologia. - Falso
  6. No período medieval, a filosofia aparece sempre ao lado da fé como uma forma de compreensão e explicação do cosmos, mas apenas válida como instrumento de demonstração das verdades teológicas.
  7. O renascimento caracteriza-se como um período de conflito entre as perspetivas dos investigadores da ciência e as verdades das escrituras sagradas. - Verdadeiro
  8. É na modernidade, com Descartes e Kant, que a filosofia se afirma como a única via a seguir na descoberta dos mistérios da religião.
  9. É na modernidade, com Descartes e Freud, que a filosofia se afirma como a única via a seguir na descoberta dos mistérios da religião, sendo Deus o fundamento do conhecimento científico. - Falso
  10. É a partir do século XVIII, com pensadores como Freud, Marx e Nietzsche, que a religião e a teologia são confrontadas com o dilema da escolha entre as explicações científicas e o modelo cristão da criação do mundo, optando pelas primeiras. - Falso
  11. É a partir do século XV, com pensadores como Freud, Nietzsche e Marx, que a religião e a teologia são criticadas severamente como formas de destruição do Homem. - Falso

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