Renascimento: Filosofia, Humanismo e a Nova Ciência
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Renascimento: Contexto e a Nova Ciência
A filosofia moderna inicia-se no século XV, após a crise da escolástica, quando as portas se abriram para um novo movimento cultural chamado Renascimento (séculos XV-XVI). A principal característica deste período foi a realização de uma crítica radical à cultura medieval, propondo a restauração da cultura clássica por duas razões:
- Considerava-se que a Idade Média foi uma época de barbárie e trevas.
- Acreditava-se que os antigos gregos e romanos deram à luz uma rica cultura, expressão de alto desenvolvimento humano. A cultura clássica, portanto, seria a melhor ferramenta para remover o homem de sua prostração medieval.
Do ponto de vista filosófico, o Renascimento foi caracterizado pela adoção de uma nova atitude intelectual, cujas principais características são:
- Interesse nos clássicos gregos e latinos: volta-se o olhar para os filósofos da antiguidade pelo interesse que eles possuem em si mesmos, e não pelo que pode ser útil em uma síntese entre fé e razão.
- Antropocentrismo: Deus deixa de ser o centro do interesse filosófico e cultural; o homem passa a ser concebido fora do ponto de vista de seu relacionamento exclusivo com o divino.
- Rejeição do critério de autoridade: as opiniões são contrastadas com a experiência ou a razão, não com a autoridade tradicional. Esta posição tem como pano de fundo a separação radical entre fé e razão.
- Naturalismo: exaltação da natureza e dos atributos naturais do ser humano. O interesse pelo sobrenatural é substituído pela preocupação com a vida na Terra, visando o conhecimento da natureza para controlá-la e colocá-la a serviço do homem.
Contra a tendência da Idade Média, o Renascimento impulsionou a liberdade de pensamento, resultando em um aumento na diversidade de posições filosóficas, que giravam em torno de três temas: o humanismo, a investigação da natureza (nova ciência) e a política.
O Humanismo
O humanismo foi o maior movimento educacional, forjando um novo modelo de humanidade próximo ao ideal grego e romano. Essa corrente valorizava as "humanidades" (poesia, retórica, gramática, história e filosofia moral), disciplinas que permitiam o domínio da língua latina.
Os humanistas caracterizavam-se pelo distanciamento da hierarquia da Igreja; eram leigos que exerciam sua profissão fora das escolas e universidades, o que permitia maior liberdade de pensamento.
As correntes filosóficas que surgiram focadas nos clássicos foram:
- Platonismo renascentista (Giovanni Pico della Mirandola).
- Aristotelismo renascentista (Pietro Pomponazzi).
- Filosofia helenística (estoicismo, epicurismo e ceticismo), unidas pelo otimismo e pela crença na capacidade humana.
Investigação da Natureza e Revolução Científica
A investigação da natureza caracterizou-se pela rejeição da física aristotélica, apresentando as seguintes características:
- Explicação da natureza baseada em princípios racionais.
- Transição do modelo geocêntrico para o heliocêntrico (de Copérnico).
- Novo método de conhecimento: Francis Bacon optou pelo método indutivo, enquanto Galileu Galilei propôs o método hipotético-dedutivo, defendendo que a natureza pode ser descrita em caracteres matemáticos.
A revolução científica foi marcada pela separação entre ciência e filosofia, originada na astronomia com Nicolau Copérnico. Diferente dos astrônomos anteriores, que buscavam apenas "salvar as aparências", Copérnico procurou descrever a realidade como ela era, refletindo o otimismo renascentista. Posteriormente, Kepler e Galileu consolidaram o novo modelo astronômico. O desenvolvimento científico teve implicações profundas, tornando os cientistas, especialmente Galileu, os verdadeiros filósofos do Renascimento.
Pensamento Político
No campo político, destacaram-se duas abordagens principais:
- Tendência utópica: propõe um modelo social ideal que contrasta com a realidade, tendo como principal representante Thomas More.
- Tendência realista: representada por Nicolau Maquiavel, que propõe um governo sem limites éticos tradicionais.
Ambas as correntes compartilham uma visão crítica da realidade política da época.