O Renascimento: História, Arte e Grandes Autores
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O Renascimento
O Renascimento é um movimento artístico e ideológico que ocorreu no final do século XV na Europa, desenvolvendo-se plenamente no século XVI. Nem todos os países produziram ao mesmo tempo; o Renascimento na Itália, por exemplo, é anterior, datando do século XIV.
Contexto Histórico e Enquadramento Ideológico
Historicamente, o período caracteriza-se por uma nova forma de conceber o mundo. O sistema feudal deu lugar ao sistema burguês. A economia desenvolveu-se e reforçou o poder dos reis; acreditava-se que o monarca era destinado por Deus para governar, surgindo assim as monarquias autoritárias.
- Grandes cidades foram criadas; os camponeses saíram do campo para viver nos centros urbanos e adotar o sistema monetário.
- As cidades muradas da Idade Média expandiram-se, com novos distritos surgindo fora dos muros.
- A nobreza deixou seus castelos para viver na corte.
A ciência avançou com descobertas importantes, como a de que o planeta Terra gira em torno do Sol, desafiando a teoria teocêntrica. Graças a Copérnico e Galileu, consolidou-se a teoria heliocêntrica. Foi um momento crítico e racional; o papel da Igreja foi desafiado por reformas religiosas emergentes, como a de Martinho Lutero, que dividiu a religião cristã entre o protestantismo (luteranismo) e o catolicismo.
Neste período, inventou-se a imprensa e resgatou-se a doutrina platônica para a estética: tudo sobre o homem é uma cópia do "mundo das ideias", e essas ideias de amor e beleza marcam as obras artísticas e literárias.
Características do Renascimento
- Equilíbrio Clássico: Busca pelo equilíbrio através dos clássicos gregos, baseando-se em dar nova vida aos autores greco-romanos.
- Sede de Conhecimento: Desejo de aprender várias línguas, viajar e analisar racionalmente todas as situações.
- Antropocentrismo: O homem é a medida de todas as coisas, deixando de lado o teocentrismo para conhecer a vida terrena.
- Gênio Multifacetado: Surgimento de figuras como Leonardo da Vinci e Michelangelo.
- Ideal Humanista: Valorização do pensamento humanístico e a idealização da natureza, inspirada nos lugares sagrados da "Bucólica" e nos idílios de Teócrito e Virgílio.
O Renascimento na Itália
No século XIII, a Itália era composta por cidades-estado com leis próprias e comércio independente. Eram cidades burguesas onde algumas famílias detinham a maior parte da riqueza. Com o poder da burguesia, surgiu o interesse em proteger os artistas (mecenato) e o gosto pelos prazeres terrenos.
No século XIV, o Renascimento italiano consolidou-se através de três grandes autores:
- Dante Alighieri: Considerado o primeiro poeta renascentista, introduziu o conceito de Dolce Stil Novo. Sua amada, Beatriz, é retratada como a donna angelicata (mulher angelical), um ser superior que conduz o poeta ao céu. Sua obra principal, A Divina Comédia, narra o percurso de Dante pelo Inferno e Purgatório (guiado por Virgílio) até o Paraíso (com Beatriz). A obra utiliza o número 3 como estrutura, é escrita em hendecassílabos e utiliza o dialeto toscano, defendendo o cristianismo através de elementos mitológicos e históricos.
- Francesco Petrarca: Viveu entre a França e a Itália. Sua poesia foi inspirada por Laura, sua amada. Petrarca disseca seus sentimentos sob uma ótica neoplatônica, onde o sofrimento amoroso é um caminho para Deus. Sua obra principal, o Cancioneiro (dividido em "Vida" e "Morte" de Madonna Laura), contém 366 sonetos e influenciou profundamente a literatura com sua linguagem refinada e uso de paradoxos e contrastes.
- Giovanni Boccaccio: Dedicou-se ao estudo das letras clássicas e vulgares. Apaixonado por Fiammetta, escreveu obras como Filocolo e Corbacho. Sua obra-prima é o Decameron, situada na Florença do século XIV. Nela, dez jovens fogem da peste para o campo e narram 100 histórias em 10 dias. A obra destaca-se pelo tom erótico, personagens astutos e valorização da tradição popular.
Enquanto em outros países ainda se vivia a Idade Média, na Itália o trabalho já era totalmente renascentista.