A Segunda República Espanhola: Crises, Reformas e o Golpe de 1936

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A Segunda República Espanhola (1931-1936)

A República Espanhola foi proclamada em 14 de abril de 1931. Na Espanha, havia um profundo espírito de democracia na sociedade, mas o país não era estranho à crise económica global.

A Constituição e as Reformas Iniciais

A lei eleitoral foi fundamental para o estabelecimento da nova democracia. A antiga lei era dominada pelas oligarquias do país. A lei eleitoral foi reformada para permitir a votação para a Assembleia Constituinte, sem as pressões e a coerção do caciquismo. O ponto mais importante da nova lei foi o sufrágio universal, que concedeu o voto às mulheres.

Pela primeira vez, a Constituição indicou a promessa de conceder o autogoverno. Os catalães anunciaram o Estatuto de Núria, e a Catalunha aderiu à autonomia em 1932. O País Basco também teve seu estatuto aprovado, mas apenas durante a Guerra Civil.

O Parlamento teve como sua primeira tarefa a elaboração de uma Constituição, que se tornou a lei fundamental. Esta foi uma novidade: na Constituição, o poder executivo estava subordinado ao Parlamento.

O Cenário Político

A República foi proclamada após as eleições municipais, nas quais os partidos republicanos de esquerda obtiveram a maioria. A proclamação, no entanto, produziu duas crises imediatas:

  • Primeira Crise (Outubro): Alcalá Zamora e Miguel Maura renunciaram devido ao secularismo constitucional explícito.
  • Segunda Crise: Protagonizada pelos radicais de Alejandro Lerroux e pelos socialistas de Largo Caballero, que lutavam pelo poder de liderança.

Os principais grupos políticos estavam divididos:

Direita

  • Partido Progressista Republicano (Alcalá Zamora)
  • Partido Conservador (Miguel Maura)
  • CEDA (Confederação Espanhola de Direitas Autónomas)
  • Partido Radical
  • Partido Agrário

Esquerda

  • PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol)
  • PCE (Partido Comunista de Espanha)
  • POUM (Partido Operário de Unificação Marxista)
  • Anarquistas (FAI e CNT)

O Bienio Negro e a Frente Popular

O CEDA, liderado por José María Gil Robles, venceu as eleições em 1933. Alcalá Zamora encarregou Alejandro Lerroux, líder do Partido Radical (um dos partidos que formavam o CEDA), de formar o governo.

Mas a República não se sentiria ameaçada apenas pela direita, mas também pela esquerda. A Revolução de Outubro de 1934, nas Astúrias e na Catalunha, e os acontecimentos de Casas Viejas, demonstraram a instabilidade.

A ala direita do governo não era estável, levando a novas eleições em 1936. Estas foram vencidas pela Frente Popular, uma coligação de esquerda. O novo governo colocou em prática as reformas que haviam sido suspensas.

Transformação Social e Crise Económica

Talvez o mais surpreendente sobre esse período seja a mudança social que ocorreu na Espanha. A direita tentava consolidar a revolução liberal com um regime democrático, enquanto a esquerda procurava promover a mudança social para alcançar uma revolução social.

A proclamação da República não significou a mudança automática da estrutura social do país, mas a oligarquia burguesa perdeu o controlo dos seus órgãos sociais.

O Campesinato e a Reforma Agrária

O campesinato era o setor da população mais ativo politicamente. A agricultura era a principal fonte de renda para a maioria da população. Metade da força de trabalho rural era diarista, e a outra metade era composta por proprietários ou arrendatários de explorações agrícolas de todos os tamanhos. Para eles, a República significava a política de reforma agrária, que visava acabar com o latifúndio. Era urgente resolver a situação agrária, mas as oligarquias latifundiárias impediram que a crise fosse resolvida.

O Proletariado

O proletariado representava 55% da força de trabalho, dos quais 45% estavam no setor primário. Com a crise, o desemprego aumentou, o que levou à instituição do Fundo Nacional Contra o Seguro Desemprego.

O poder de compra do proletariado era baixo. Cerca de 64% do orçamento familiar era destinado à alimentação, e o restante para vestuário, medicamentos e abrigo. Havia graves problemas de analfabetismo. Os sindicatos tinham tendências revolucionárias. O alto índice de membros da UGT e da CNT explica-se pela esperança do proletariado em produzir uma revolução socialista. Do outro lado, estavam os sindicatos religiosos, agrícolas e da pequena burguesia, como a Confederação Nacional dos Sindicatos Católicos.

A Crise de 1929

A indústria estagnou, incapaz de vender seus produtos no exterior. A Crise de 1929 dominou as decisões económicas de todos os governos da época.

O Fim da República e o Início da Guerra Civil

Em 1936, as oligarquias económicas estavam mais afastadas do poder do que nunca, então decidiram recorrer ao fascismo e ao exército para recuperar o poder através de um golpe de Estado.

Em 17 de julho de 1936, o incidente começou no quartel de Melilla, e em 18 de julho a rebelião espalhou-se por toda a Espanha. A Espanha ficou dividida em dois campos: o leal à República e o rebelde.

O lado leal desencadeou um processo revolucionário. Havia duas vertentes revolucionárias: uma que visava acabar com a República burguesa, dominada pela CNT e pelo POUM, e outra que visava manter a República, dominada pelo PCE e pelo PSOE. Aqueles que haviam parado os fascistas tinham sido as milícias, que não estavam dispostas a lutar por uma república burguesa.

Os comunistas do PCE deixaram claro que era necessário vencer a guerra para obter a ajuda das democracias ocidentais. O PCE desencadeou um processo contrarrevolucionário contra o POUM e a CNT, que teve seu ápice na guerra civil de três dias em maio de 1937.

Durante a guerra, o Governo da República entrou em crise, e até mesmo os anarquistas fizeram parte dele. Os defensores do golpe também desencadearam uma revolução, mas de caráter fascista. Francisco Franco reuniu todas as forças numa estrutura militar. Franco também realizou a sua própria depuração contra os extremistas do seu partido. As forças rebeldes assumiram o controlo da Espanha, explorando numa longa guerra o que seria mais importante do que o setor industrial.

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