A Segunda República Espanhola: Da Queda à Guerra Civil

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1. A queda da monarquia de Afonso XIII e a proclamação da Segunda República

Após a renúncia de Primo de Rivera em 28 de janeiro de 1930, o novo governo, presidido pelo general Berenguer, buscou um retorno à monarquia constitucional. A normalidade foi desafiada pelo seu comportamento durante a ditadura.

Os republicanos, juntamente com os socialistas, apresentaram-se como a única força verdadeiramente renovadora. Exigiram um processo constitucional para alcançar uma república e reconheceram o direito da Catalunha a um estatuto autónomo. Com a recusa de Berenguer em atender a estes pedidos, os republicanos recorreram a conspirações, como a insurreição de Jaca (dezembro de 1930).

O novo governo, liderado pelo almirante Aznar, concordou em realizar as eleições municipais de abril de 1931. A vitória republicana nas grandes cidades significou a queda da monarquia. Em 13 de abril, a multidão começou a tomar as ruas. Na madrugada de 14 de abril, a cidade de Eibar proclamou a República, movimento que ao meio-dia se estendeu a Sevilha, Valência, Saragoça, entre outras. O rei Afonso XIII partiu para o exílio.

O primeiro governo republicano foi formado por uma coalizão de republicanos de centro-esquerda, socialistas, nacionalistas catalães e galegos.

2. O período constitucional

O Governo Provisório decidiu convocar uma Assembleia Constituinte. O primeiro conflito surgiu rapidamente: a questão religiosa (queima de conventos e privilégios da Igreja). A Assembleia Constituinte promulgou uma nova constituição, aprovada em 9 de dezembro de 1931, que estabelecia:

  • Câmara única;
  • Sufrágio universal estendido a mulheres e homens;
  • Estado "integral", com possibilidade de autonomia para regiões;
  • Reconhecimento de direitos individuais;
  • Possibilidade de expropriação de propriedade por utilidade pública.

Alcalá Zamora foi eleito Presidente da República e Azaña presidiu o governo.

3. O biênio reformista

Implementou-se uma série de reformas radicais visando a separação entre Igreja e Estado, a modernização das forças armadas, a descentralização do Estado e a redistribuição de terras.

  • A questão religiosa: Separação entre Igreja e Estado, dissolução dos jesuítas, confisco de propriedades, instituição do casamento civil e divórcio. A Lei de Congregações de 1933 proibiu o ensino por ordens religiosas.
  • Modernização do exército: Azaña buscou um regime desmilitarizado, reduzindo o papel das forças armadas na defesa externa. A oposição foi marcada pelo fracassado golpe do general Sanjurjo em agosto de 1932.
  • A questão agrária: Dada a importância do setor primário e a existência de latifúndios, foi promulgada a Lei de Reforma Agrária. O objetivo era proteger inquilinos e camponeses, permitindo a expropriação de terras dos grandes proprietários.

4. O biênio de direita

a) A crise da coalizão republicano-socialista: Ao longo de 1933, a ineficácia das reformas em melhorar as condições de vida do proletariado levou ao desgaste do governo. Alcalá Zamora dissolveu o Parlamento em outubro de 1933. Nas eleições de 18 de novembro, com a esquerda desiludida e alta abstenção, o centro-direita obteve a maioria.

b) O avanço da direita (19 de novembro de 1933 - 29 de dezembro de 1935): Alcalá Zamora nomeou Lerroux, com apoio da CEDA. Iniciou-se a liquidação do trabalho do biênio anterior.

Outubro de 1934: A Revolução das Astúrias e Catalunha: A entrada de membros da CEDA no governo foi vista pela esquerda como uma abertura ao fascismo. Na Catalunha, Lluis Companys proclamou o Estado Catalão. Nas Astúrias, o movimento operário criou uma situação revolucionária, sendo esmagado pelo exército. As consequências incluíram milhares de mortos e detidos, além do fortalecimento da CEDA.

5. A Frente Popular

Durante a década de 30, consolidou-se na Europa uma união de forças liberais e de esquerda contra o fascismo. Para as eleições de fevereiro de 1936, formou-se a Frente Popular (republicanos, socialistas e comunistas).

a) As eleições de fevereiro de 1936: A Frente Popular obteve uma confortável maioria parlamentar. O novo governo foi presidido por Casares Quiroga, com Manuel Azaña como Presidente da República.

b) Rumo à Guerra Civil: O governo retomou as reformas do primeiro biênio. O aumento da tensão social, greves e o terrorismo de ambos os lados levaram a uma conspiração militar. Em março, generais como Mola e Franco planejaram uma revolta para "restaurar a ordem". Na noite de 17 de julho, a guarnição de Marrocos revoltou-se, dando início a um golpe que, ao fracassar parcialmente, transformou-se em uma longa Guerra Civil.

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