A República — Trechos: Livro II e Livro IV
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Da República — Livro II: Parte II (367e–376e)
DA REPÚBLICA. LIVRO TEXTO PARTE II seletividade (367e-376e).
Sócrates: Investigar a justiça social e a justiça individual e descobri-las. Presenciar o espetáculo do nascimento da cidade e a origem da injustiça nela. A cidade surge da falta de autosuficiência do indivíduo. Para satisfazer as necessidades básicas — alimento, abrigo e vestuário — a cidade reunirá agricultores, pedreiros, artesãos e sapateiros. As diferentes habilidades naturais de cada um recomendam a aplicação do princípio da especialização funcional para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos produtos.
Para fornecer ferramentas e materiais aos cidadãos haverá carpinteiros, ferreiros, criadores de gado e ovelhas, e pastores. A falta de recursos fará com que apareçam comerciantes e marinheiros. Também será necessário um excedente de produção. Para o intercâmbio interno haverá um mercado e moeda; os comerciantes realizarão tarefas mais árduas. Esta é a imagem de uma sociedade perfeita para a sobriedade e para a aplicação do princípio da especialização funcional.
Mas não — Glauco não aceite o progresso da civilização contentando-se com uma "cidade de suínos". Sócrates responde que, para acomodar o supérfluo, haverá caçadores, seguidores das artes — pintores, músicos e poetas — bardos, atores, dançarinos, empresários e artesãos de artigos de luxo; servidores como professores, enfermeiras, babás, garçons, cabeleireiros, cozinheiros e pessoal de cozinha; criadores de porcos (swineherds) e médicos. A necessidade de uma cidade para obter recursos pode levar ao desenrolar da guerra, e precisamos de soldados. Estes, por circunstâncias excepcionais em que se encontrarão, devem ser cuidadosamente escolhidos e devidamente preparados.
- Qualidades desejáveis nos soldados: viveza, rapidez e força.
- Também devem ser ousados, resilientes, apaixonados e, ao mesmo tempo, dóceis o suficiente para aceitar a orientação da filosofia.
Mas como obtê-los? Ginástica para o corpo e música para a alma. As narrativas ficcionais terão de evitar a visão antropomórfica da divindade; a religião tradicional e a mitologia devem representar a divindade imutável apenas como autora de todo o bem.
FIM DO TEXTO DE SELETIVIDADE
Da República — Parte IV (Livro IV, entrada de texto)
DA REPÚBLICA. PARTE IV DO LIVRO DE ENTRADA DE TEXTO: IV. CAPÍTULO (c - Fim do livro. 427)
Sócrates descreve que esta cidade será sábia, valente, moderada e justa. A cidade será prudente nas decisões tomadas por seus governantes; valente por seus auxiliares, que defendem a cidade; moderada porque o que é melhor é imposto ao que é pior com acordo de todos; e justa porque cada um estará dedicado exclusivamente à tarefa para a qual é naturalmente apto.
Falemos agora da justiça no indivíduo, não apenas na cidade. Há um paralelismo entre a justiça individual e a social: se a cidade é justa porque cada uma das três classes faz o que lhe compete, o indivíduo será justo quando, em seu interior, houver uma harmonia entre as diversas forças que nele operam. Existem forças diferentes na alma, porque às vezes sentimos simultaneamente atração e repulsão em direção a algo: o racional e o irracional, a força do espírito (thumos) e o concupiscível.
A alma do justo será aquela em que o irracional e o concupiscível não tentam governar; a alma moderada submete-se à orientação dos sábios, com a ajuda do espírito corajoso; enquanto a alma injusta é aquela em que ocorre uma "revolta".
(Nota: a divisão da alma na República de Platão será depois contestada na sua tentativa de provar a imortalidade da alma.)
A alma saudável é única: é bela, virtuosa e feliz; a alma injusta é doente, feia e infeliz. Uma é a virtude e a outra contém inúmeros vícios.